COVID-19: ANMSP defende que uso de máscara deve passar a depender do contexto

O presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública (ANMSP) defendeu que o uso de máscara "pode continuar a fazer sentido”, apesar de Portugal ter atingido a meta dos 70% de população vacinada contra a COVID-19.

“Num contexto de baixa densidade, em que as pessoas conseguem manter as distâncias, talvez a máscara no exterior possa não ser imprescindível. Agora, num contexto de maior concentração, a máscara continua a fazer sentido, continua a permitir reduzir a disseminação se houver proximidade. Sabemos que no exterior isso é sempre menor do que no interior, mas, havendo proximidade, pode continuar a fazer sentido”, disse Ricardo Mexia à agência Lusa.

Ricardo Mexia defendeu que a utilização de máscara deve “depender do contexto” em que as pessoas se encontrem e que, na eventualidade de uma maior aglomeração, continua a ser recomendável a adoção deste equipamento de proteção individual.

Relativamente à aproximação do período outono-inverno, o presidente da AMNSP recordou que “houve vários países que, independentemente da época, acabaram por retomar a utilização da máscara”, devido a um aumento do número de casos de infeção, mas disse preferir apontar para a necessidade de repensar o paradigma de monitorização da COVID-19.

“Em breve vamos ter de mudar a forma de abordar a doença. Até agora – fruto da menor cobertura vacinal – estávamos muito apostados em identificar todos os casos de infeção, mas, eventualmente, vamos ter de evoluir para nos preocuparmos mais com os casos de doença”, disse, considerando que “a abordagem tem de ser integrada, não é com medidas avulsas que a coisa se pode gerir. Há um conjunto de questões que têm de ser tidas em conta”.

O especialista de saúde pública assinalou que, contrariamente à Nova Zelândia, Portugal não tem condições para encetar uma “abordagem de ‘doença zero’”, e, por isso, defendeu que “as pessoas mais vulneráveis e mais idosas possam beneficiar da utilização da máscara”, bem como aquelas que demonstram estar sintomáticas e que, por força dessa condição, têm maior possibilidade de transmitir a doença.

“Vamos ter de lidar com a doença tão bem como for possível. E isso implica enquadrar as questões e retomarmos aquilo que é um conjunto de atividades que não podemos ter ‘ad aeternum’ suspensas. Essas medidas têm de fazer sentido de forma concertada para a abordagem do problema”, sustentou.

Governação Clínica
Editorial | Joana Romeira Torres
Governação Clínica

O Serviço Nacional de Saúde em Portugal foi criado e cresceu numa matriz de gestão napoleónica, baseada numa forte regulamentação, hierarquização e subordinação ao poder executivo, tendo como objeto leis e regulamentos para reger a atividade de serviços públicos no geral, existindo ausência de regulamentação relativa à sua articulação com os serviços sociais e económicos.

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