Doenças mentais ascendem a 22,5% nas patologias incapacitantes
DATA
15/09/2021 16:57:41
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Jornal Médico
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Doenças mentais ascendem a 22,5% nas patologias incapacitantes

Nos anos vividos com incapacidade, considerando todas as patologias, as doenças mentais representam já 22,5%, adianta a Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP), em documento que faz um retrato da saúde do País, a partir do título “Desenvolvimento sustentável e sustentabilidade dos cuidados de saúde primários”.

A OPP adverte que vários são os sinais da crise atual que indiciam um agravamento das dificuldades e problemas de saúde psicológica e, por consequência, uma diminuição do bem-estar da população.  “Na realidade, vários estudos reportam um aumento dos problemas de saúde psicológica (nomeadamente de ansiedade e depressão) entre os jovens e os adultos (sobretudo aqueles que ficaram desempregados, os pais e mães que tiveram de conciliar o cuidado de menores com a vida profissional, os profissionais de saúde, e pessoas com vulnerabilidades psicológicas prévias)”, pode ler-se naquele documento.

Lembrando o Perfil da Saúde do País, o mesmo trabalho assinala que, habitualmente, “mais de um terço de todas as mortes podiam ser atribuídas a riscos comportamentais (por exemplo, hábitos alimentares, tabagismo, consumo problemático de álcool, obesidade, sedentarismo ou acidentes)”, pelo que “a pandemia veio agravar a situação”.

De acordo com o novo retrato traçado pelo trabalho da OPP, os números falam por si: quatro em cada dez portugueses mudaram os seus hábitos alimentares para pior; a percentagem de população com atividade física insuficiente quase duplicou e as dificuldades de conciliação da vida profissional e pessoal – acrescida dos desafios do teletrabalho – agravaram alguns fatores de risco psicossocial no contexto laboral.

Este cenário traz à evidência “o imperativo de promover a saúde e prevenir a doença para responder ativamente à evolução das necessidades de saúde (física e psicológica) dos portugueses, bem como (…) garantir a sustentabilidade dos sistemas de saúde e de proteção social”, sustenta a OPP.

E reforça os seus argumentos com a circunstância de o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) já destacar o fraco investimento na prevenção e no diagnóstico precoce, assim como a fragmentação dos cuidados de saúde prestados, com elevada predominância de intervenções episódicas, descontinuadas, reativas e centradas meramente no tratamento da doença.

Investir na Saúde é também investir na Formação
Editorial | Carlos Mestre
Investir na Saúde é também investir na Formação

Em março de 2021 existia em Portugal continental um total de 898.240 pessoas sem Médico de Família (MF) atribuído, ou seja, 8,7% da população não tem um acompanhamento regular com todas as medidas preventivas e curativas inerentes ao papel do especialista em Medicina Geral e Familiar (MGF).

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