Cancro da cabeça e pescoço: o tempo voa

A 9.ª semana de Sensibilização para o Cancro da Cabeça e Pescoço – Make Sense Campaign é ponto de partida para várias reflexões. Essa é a leitura do Grupo de Estudos do Cancro da Cabeça e Pescoço (GECCP), ao promover uma sessão online, a 22 de setembro, com início às 18 horas, num encontro aberto a médicos de família, médicos dos serviços de urgência e médicos dentistas, convocando-os a abordar, nesta vertente oncológica, a importância do diagnóstico precoce.

A presidente do GECCP, Ana Joaquim, dá nota de que o diagnóstico da maior parte dos casos de cancro de cabeça e pescoço continua a suceder em fase avançada da doença, o que amplia a necessidade de “sensibilizarmos a população e informarmos os profissionais de saúde” para, sublinha a oncologista, “inverter esta tendência”, desejavelmente, num horizonte de 1-2 anos.

Atualmente, avança a responsável, a relação percentual entre casos diagnosticados em fase adiantada vs. fase precoce situa-se nos 60-40%. Ora, se os próximos tempos significarem uma inversão destes registos (40-60%) “já seria muito bom”. Ana Joaquim vai ao detalhe desse objetivo. Se, dos 3.000 novos casos por ano, os pouco mais de 1.000 [diagnosticados em fase precoce] duplicarem, “estaremos a contribuir para uma população de sobreviventes com menos consequências danosas da doença e tratamento” e, além disso, para “uma redução franca da probabilidade de recorrência” da patologia nos anos mais próximos.

A especialista reforça, ainda, que este tipo de cancro, quando diagnosticado inicialmente, tem uma probabilidade de cura de 80 a 90%. Já em fase tardia, a percentagem baixa para cerca de 50% — com mais sequelas terapêuticas, que afetam funções vitais, como a fala, a respiração (por vezes com necessidade de traqueostomias) e a deglutição (aqui, poderá ser necessário recorrer a sondas para alimentação).

Este evento, moderado por Jorge Rosa Santos, cirurgião de cabeça e pescoço, do Instituto Português de Oncologia de Lisboa Francisco Gentil (IPO Lisboa), abre com a abordagem da questão “O porquê do diagnóstico precoce?”, com Teresa André, oncologista do Hospital Central do Funchal. Depois, o testemunho é passado a Pedro Montalvão, otorrinolaringologista do IPO Lisboa, cuja intervenção surge como resposta à pergunta “Como é feito o diagnóstico precoce?”. Por fim, Patrícia Santos, médica interna de cirurgia de cabeça e pescoço do IPO Lisboa, apresenta dois casos clínicos que pretendem demonstrar como, na prática, é importante o diagnóstico precoce.

A campanha Make Sense tem, desta vez, como patrocinador principal a Merck SA, estando a Merck Sharp and Dohme, a Bristol Myers Squibb e a Roche entre as entidades que apoiam a iniciativa.

Se os jovens Médicos de Família querem permanecer no SNS e se o SNS precisa deles, o que falta?
Editorial | António Luz Pereira
Se os jovens Médicos de Família querem permanecer no SNS e se o SNS precisa deles, o que falta?

Nestes últimos dias tem sido notícia o número de vagas que ficaram por preencher, o número de jovens Médicos de Família que não escolheram vaga e o número de utentes que vão permanecer sem médico de família. Há três grandes razões para isto acontecer e que carecem de correção urgente para conseguir cativar os jovens Médicos de Família.

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