Uma viagem pela história dos 40 anos de MGF
DATA
13/10/2021 09:40:35
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Jornal Médico
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Uma viagem pela história dos 40 anos de MGF

“A história de 40 anos de MGF” foi o tema da conferência que, no dia 08 de outubro, juntou um painel composto pelos especialistas em Medicina Geral e Familiar (MGF) Rui Cernadas e José Carlos Marinho. Conduzida pelo presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), Nuno Jacinto, esta sessão teve lugar no âmbito das 25.ª Jornadas Nacionais Patient Care, que decorreram entre 07 e 08 de outubro, no Centro de Congressos de Lisboa.

Nuno Jacinto, em entrevista ao Jornal Médico, começou por dizer que “os pontos mais marcantes foram perceber a ligação que existe da MGF em Portugal com a criação do Serviço Nacional de Saúde [SNS], com a própria Associação [APMGF] e depois ao longo das várias décadas, momentos de charneira e de viragem que foram ocorrendo”.

“A criação destas entidades (...), a publicação do livro azul, o aparecimento de reuniões, o papel de agregar os colegas e de trabalharem para algo conjunto, a criação dos fundamentos do que vem a ser a reforma já deste século e, agora, a continuação da inquietação, da necessidade de continuarmos a evoluir e o melhorar a nossa prática. Isso envolve a Associação, mas também todos os médicos de família (MF)”, salientou como sendo outros dos pontos fulcrais que marcaram os 40 anos da especialidade.

Para o futuro, espera ter “a MGF e os Cuidados de Saúde Primários [CSP] no centro do sistema”.  “Isto não é sermos só chamados à porta de entrada porque a porta é quase um sítio de passagem, mas (…) sermos a sala de espera do sistema”, frisou, sublinhando que para o sistema ser “eficiente, bem gerido e efetivo”, é necessário “abandonar a visão centrada no hospital e focar nos cuidados primários e isso só se consegue com melhores condições de trabalho, com profissionais qualificados e satisfeitos”.

“Foi muito relevante para a MGF (…) a criação da especialidade na OM”

Na opinião de Rui Cernadas “a criação do cartão do SNS, o chamado cartão de utente, foi muito importante”. “Este cartão foi distintivo para os cidadãos portugueses e permitiu-lhes perceber que, finalmente, havia uma perspetiva de terem um médico que era o seu médico, independente do nome e da categoria profissional”, destacou.

Sublinhou, também, que “foi muito relevante para a MGF (…) a criação da especialidade na Ordem dos Médicos (OM)”, uma vez que “foi determinante para a satisfação profissional dos médicos de clínica geral, que na altura eram vistos como médicos de segunda pelos colegas hospitalares”.

Pensando mais à frente, o especialista teme “que estas alterações sejam muito condicionadas pelo panorama financeiro do País”.

“Para o futuro, as alterações são incertas, tudo o que podemos dizer é especulativo”

Já José Carlos Marinho reconheceu que o momento mais marcante na história destes 40 anos foi “sem dúvida o começo”. Posteriormente, acrescentou que “os momentos da consolidação da formação e do conhecimento da especialidade, foram uma luta difícil” e que a “reforma de 2007” foi mais “um momento marcante”.

“Para o futuro, as alterações são incertas, tudo o que podemos dizer é especulativo, mas a experiência ensina-nos que alguma coisa vai mudar e se os MF portugueses estiverem distraídos, alguém vai decidir por eles”, contou ao Jornal Médico, relevando que, enquanto “velhote que está a terminar a sua carreira”, espera ainda conseguir transmitir aos jovens a mensagem com quem lida diariamente. É que esta é, de facto, “a nova oportunidade de serem [eles] os atores da mudança e não estarem numa situação expectante” de que alguém fará o trabalho por si, finaliza o especialista, aludindo que é isso que o motiva, fazer com que “as pessoas percebam que têm de lutar pelo seu futuro”.

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