Pesquisas na Internet podem ajudar a prever hospitalizações por asma
DATA
14/10/2021 09:55:40
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Jornal Médico
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Pesquisas na Internet podem ajudar a prever hospitalizações por asma

Um estudo internacional, que envolveu investigadores portugueses, concluiu que as pesquisas efetuadas na Internet podem desempenhar um importante papel na saúde, ao ajudar a comunidade médica e científica a prever o número de hospitalizações provocadas por asma.

O estudo, já publicado no Journal of Medical Internet Research, refere que esta possibilidade “poderá permitir uma adequada preparação hospitalar face às necessidades futuras, tendo como objetivo principal uma melhor prestação dos cuidados de saúde aos doentes”, conforme noticia a agência Lusa.

A equipa, constituída por investigadores do CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde e da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), correlacionou os dados obtidos através do Google Trends, ferramenta utilizada para avaliar as tendências das pesquisas realizadas online, com o número de hospitalizações por asma verificadas ao longo de cinco anos em cinco países, designadamente Portugal, Brasil, Espanha, Finlândia e Noruega.

No caso de Portugal, o grupo de cientistas concluiu que as pesquisas realizadas relativas às constipações apresentaram uma “forte correlação” com o número de hospitalizações por asma ocorridas entre 2012 e 2016, segundo dados da Administração Central do Sistema de Saúde. Os dados provenientes da realidade brasileira e espanhola tiveram resultados idênticos.

Esta relação verificou-se de tal forma que os modelos desenvolvidos para prever hospitalizações por asma entre junho de 2015 e junho de 2016, nos países avaliados, levaram a resultados fortemente correlacionados com as hospitalizações por asma observadas nesse período, “o que permitiu a criação de modelos capazes de prever novas hospitalizações”.

“A asma representa um encargo substancial para os sistemas de saúde, sendo as hospitalizações um dos principais impulsionadores dos custos relacionados”, esclarece em comunicado o professor da FMUP e um dos autores do estudo Bernardo Sousa Pinto.

De acordo com o artigo, a previsão dos padrões de hospitalização pode ainda passar a incorporar outros fatores de risco para o agravamento da doença, como a poluição do ar ou a exposição ao pólen.

“Estes dois últimos fatores podem ser medidos, permitindo o desenvolvimento de sistemas de alerta, mas os dados sobre infeções do trato respiratório superior são um pouco mais difíceis de obter diretamente, pelo que a utilização de dados de pesquisas online se releva particularmente interessante enquanto forma indireta de obtenção dessa informação”, afirma Bernardo Sousa Pinto.

A restante equipa que esteve envolvida no estudo foi constituída pelos investigadores João Almeida Fonseca e Alberto Freitas (FMUP/CINTESIS), bem como pelos seus pares internacionais Jaana I. Halonen, Aram Antó, Vesa Jormanainen, Wienczyslawa Czarlewski, Anna Bedbrook, Nikolaos G. Papadopoulos, Tari Haahtela, Josep M. Antó e Jean Bousquet.

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