Excesso de peso e obesidade custam 1,2 mil milhões de euros por ano em Portugal

O custo direto do excesso de peso e obesidade foi estimado em cerca de 1,2 mil milhões de euros, aproximadamente 0,6% do PIB e 6% das despesas de saúde em Portugal.

Estas são as principais conclusões do estudo “O Custo e Carga do Excesso de Peso e da Obesidade em Portugal”, divulgado hoje e elaborado pelo Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência (CEMBE) e pela consultora Evigrade-IQVIA, com o patrocínio científico da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade (SPEO) e o apoio da Novo Nordisk Portugal.

Segundo o último Inquérito Nacional de Saúde com Exame Físico (INSEF) do Instituto Ricardo Jorge, quase dois terços da população adulta portuguesa (67,6%) vive com excesso de peso (Índice de Massa Corporal (IMC) ≥ 25) ou obesidade (IMC ≥ 30), sendo que a prevalência de obesidade é de 28,7%.

O estudo mostra que as doenças relacionadas com a obesidade que mais contribuem para os custos diretos em saúde são a diabetes, o acidente vascular cerebral (AVC), a doença cardíaca isquémica (DCI) e a doença renal crónica (DRC).

“Os números que obtivemos evidenciam que 46% das pessoas que morrem num ano, morrem com doenças relacionadas com a obesidade (…) Estes são números avassaladores, que retratam uma verdadeira pandemia não transmissível e sublinham a urgência de envolvermos ativamente a população na prevenção do excesso de peso e da obesidade e de assegurarmos um diagnóstico precoce e um tratamento adequado das pessoas que vivem com a doença”, explica a investigadora que liderou o estudo, Margarida Borges, em comunicado enviado.

Já Paula Freitas, endocrinologista e presidente da SPEO, Paula Freitas, sublinha que “a resposta eficaz na luta contra a obesidade depende efetivamente de todos nós. Sem tratamento, a evolução da obesidade em Portugal é uma barreira à equidade socioeconómica e ao progresso do país”.

Considerada a “pandemia do século XXI”, a obesidade é a segunda principal causa de morte no mundo e o maior desafio global na área das doenças crónicas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Governação Clínica
Editorial | Joana Romeira Torres
Governação Clínica

O Serviço Nacional de Saúde em Portugal foi criado e cresceu numa matriz de gestão napoleónica, baseada numa forte regulamentação, hierarquização e subordinação ao poder executivo, tendo como objeto leis e regulamentos para reger a atividade de serviços públicos no geral, existindo ausência de regulamentação relativa à sua articulação com os serviços sociais e económicos.

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