Técnicos insistem que INEM transporta muitos doentes não urgentes para urgências hospitalares
DATA
26/10/2021 12:21:51
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Jornal Médico
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Técnicos insistem que INEM transporta muitos doentes não urgentes para urgências hospitalares

Os técnicos de emergência pré-hospitalar reafirmam a necessidade de rever os fluxos de triagem dos doentes transportados pelo INEM para as urgências dos hospitais e reconhecem maior dificuldade na passagem do doente devido à elevada afluência.

O presidente do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH), Rui Lázaro, em declarações à agência Lusa, relembrou que “muitos dos doentes que o INEM transporta não são efetivamente urgentes”. Este tema volta a ser falado a propósito das dificuldades sentidas nas urgências do Hospital Beatriz Ângelo (Loures) na segunda-feira, que, segundo a SIC, obrigaram a transferir os doentes que chegaram de ambulância para o Hospital de Santa Maria.

“Na última vaga da pandemia, com as filas de ambulâncias à porta do Hospital de Santa Maria, um administrador hospitalar veio dizer que mais de 80% dos doentes transportados pelo INEM não eram urgentes e não deviam estar no hospital”, lembra Rui Lázaro.

Nessa altura, o INEM criou um sistema de retriagem dos doentes, acabando por enviar os não urgentes para os cuidados de saúde primários (CSP) ou para casa.

“A elevada afluência de doentes, por si só, causa rotura nas urgências e são cada vez mais os casos em que isso vem a público”. Resulta daí o atraso na resposta a estes doentes e a outras pessoas que podem precisar dos meios de socorro por serem casos “efetivamente urgentes e acabam por ter uma resposta mais demorada”, explica.

Segundo o responsável, é incompreensível e inaceitável que, deslocada uma equipa de emergência médica ao local da ocorrência, feita uma avaliação clínica do doente e passada a informação para os CODU [Centros de Orientação de Doentes Urgentes], “os médicos reguladores não decidam que nos casos não urgentes não devem ser transportados para o hospital”.

Rui Lázaro lembra ainda que os doentes transportados pelas ambulâncias do INEM ou dos parceiros – bombeiros e Cruz Vermelha —, quando são encaminhados pelo INEM, não pagam taxas moderadoras.

“Não pagando taxas moderadoras têm mais um incentivo para usar abusivamente o serviço de emergência ou o transporte de ambulância para uma unidade hospitalar”, considera.

Relativamente à percentagem de doentes não urgentes que acaba por ser transportada pelo INEM para as urgências dos hospitais, Rui Lázaro aponta para os 70%.

“É um número elevadíssimo e (…) um desperdício de recursos, com atrasos efetivos no socorro a quem, de facto, precisa de um meio de emergência”, acrescentou.

É urgente desburocratizar os Cuidados de Saúde Primários
Editorial | Jornal Médico
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Neste momento os CSP encontram-se sobrecarregados de processos burocráticos inúteis, duplicados, desnecessários, que comprometem a relação médico-doente e que retiram tempo para a atividade assistencial.