Bastonário da OM revela que quase metade dos médicos trabalha fora do SNS
DATA
29/10/2021 17:24:52
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Jornal Médico
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Bastonário da OM revela que quase metade dos médicos trabalha fora do SNS

O bastonário da Ordem dos Médicos (OM), Miguel Guimarães, adiantou que quase metade dos médicos do País trabalha fora do Estado. Defende, por isso, um Serviço Nacional de Saúde (SNS) mais moderno, atualizado e competitivo para captar profissionais.

“Optaram por sair (…) e ir trabalhar para os setores privado ou social ou ir trabalhar para outro País, nomeadamente da União Europeia [UE]”, disse Miguel Guimarães na IV Conferência da Convenção Nacional da Saúde “Recuperar a Saúde, Já!”.

A OM avança que tem inscritos cerca de 59 mil profissionais, dos quais cerca de 31 mil estão no SNS. Miguel Guimarães deu como exemplo os especialistas de Medicina Geral e Familiar (MGF), afirmando que há cerca de “1.600 médicos recém-licenciados” que não exercem no setor público.

O bastonário sublinha que, em fevereiro de 2019, 688 mil portugueses não tinham médico de família; em junho de 2020, o mesmo sucedia com 851 mil; e em julho de 2021, eram já um milhão e 156 mil . “Estes dados significam uma de duas coisas, ou a população portuguesa está a crescer a um ritmo muito elevado, o que todos sabemos que não é verdade, ou então não existem médicos de família suficientes no SNS para cada cidadão”.

Argumentou, ainda, que a falta de uma política estatal de contratação diferente, que “valorizasse a carreira dos profissionais”, e a inexistência de “um SNS moderno, atualizado, competitivo com o setor social e privado, [e] com os outros países da União Europeia”, impossibilitam contratar 1.600 médicos de família, que estão fora do sistema público, e que permitiram dar “cobertura a um milhão e 141 mil portugueses”.

Miguel Guimarães alertou também para a atividade assistencial que ficou por fazer devido à COVID-19, lembrando que houve uma redução de 4,5 milhões de contactos no primeiro ano de pandemia nos hospitais do SNS.

“Isto é o reflexo da referenciação para os hospitais que caiu em média entre 30% e 50% nas diversas especialidades, variando consoante a região do País, os centros de saúde e os próprios hospitais”, frisou.

No final da sua intervenção, o bastonário salientou que é preciso dispor de “serviços de saúde diferentes”. O SNS “não pode continuar a funcionar como funcionava há 42 anos (…) tem que evoluir, temos que ter esta ideia”, finalizou.

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