Estudo sinaliza mais de quatro mil doentes com cancro por diagnosticar em 2020
DATA
04/11/2021 12:35:35
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Jornal Médico
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Estudo sinaliza mais de quatro mil doentes com cancro por diagnosticar em 2020

Cerca de 4.450 doentes com cancro da mama, do colo do útero e colorretal ficaram por identificar no último ano devido à redução dos rastreios, segundo estimativas divulgadas pelo Movimento Saúde em Dia.

De acordo com a análise ao acesso aos cuidados de saúde no Serviço Nacional de Saúde (SNS), realizada pela Moai Consulting, baseada nos dados do Portal da Transparência do SNS e do BI dos Cuidados de Saúde Primários (CSP), reunidos entre 14 e 29 de outubro, foram feitos, comparativamente a 2020, “menos 18% de mamografias, menos 13% de rastreios ao cancro do colo do útero e menos 5% ao cancro do cólon e do reto”.

Para analisar o impacto da COVID-19 na prestação de cuidados de saúde em Portugal, foram comparados os indicadores disponíveis referentes aos anos de 2019, 2020 e 2021, com a estimativa dos dados para os últimos meses em falta.

As conclusões do estudo indicam que “a atividade em 2021 está a ser insuficiente para recuperar o que [entretanto] ficou por fazer”. “A incidência de neoplasias mantém a tendência decrescente de 2020, evidenciando que muitos casos de novos cancros ficaram por identificar durante [a] pandemia”, revelou à Lusa o bastonário da Ordem dos Médicos (OM), Miguel Guimarães.

Já a incidência do cancro da mama reduziu-se, entre 2021 e 2020, “em 2% (menos 19% entre 2020 e 2019), a do cancro do colo do útero em 15% (menos 25% entre 2020 e 2019) e a do cólon e reto em 9% (menos 22% entre 2020 e 2019)”.

Os dados estimam ainda que 148.845 mulheres não tenham feito mamografia nos últimos dois anos, sendo que 1.868 mulheres com cancro de mama terão ficado por identificar. Já 158.045 mulheres não realizaram colpocitologia, estimando-se que “399 com cancro do colo do útero tenham ficado por diagnosticar, e 83.779 utentes não fizeram rastreios do cancro do cólon e reto, prevendo-se que 2.155 doentes não tenham sido diagnosticados”.

O bastonário da OM elucidou que “isto significa que em sete pessoas há uma que tem cancro da mama e não sabe; em cinco pessoas, há uma que tem um cancro do colón e reto e não sabe; em seis pessoas, há uma que tem um cancro do colo uterino e não sabe”, considerando esta situação “particularmente grave”.

#sejamestrelas
Editorial | António Luz Pereira
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Ciclicamente as capas dos jornais são preenchidas com o número de novos médicos. Por instantes todos prestam atenção aos números. Sim, para muitos são apenas números. Para nós, são colegas que se decidiram pelo compromisso com os utentes nas mais diversas áreas. Por isso, queremos deixar a todos, mas especialmente aqueles que abraçaram este ano a melhor especialidade do Mundo uma mensagem: “Sejam Estrelas”.

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