Ordem dos Médicos lamenta demissões em Santa Maria
DATA
24/11/2021 09:42:10
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Jornal Médico
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Ordem dos Médicos lamenta demissões em Santa Maria

A Ordem dos Médicos (OM) lamentou a demissão de dez chefes de equipa do Hospital de Santa Maria e considerou que a situação é ainda mais preocupante por envolver uma unidade de fim de linha para situações mais graves.

“É lamentável que — ainda mais com tantos alertas — nem o conselho de administração do hospital nem o Ministério da Saúde tenham procurado uma solução rápida e eficaz para garantir que a urgência cirúrgica funciona de forma segura para todos, isto é, tanto para os médicos e outros profissionais que ali trabalham, como para os doentes que ali acorrem e que merecem um serviço de excelência”, reforçou Miguel Guimarães em comunicado a que a agência Lusa teve acesso.

Os dez chefes de equipa de urgência cirúrgica enviaram uma carta ao diretor clínico do CHULN a 10 de novembro, na qual apresentavam a sua demissão em bloco a partir do dia 22 de novembro, por considerarem que a escala de urgência de cirurgia geral não era exequível, segundo o regulamento de constituição das equipas de urgência.

Na sequência da concretização da demissão, na segunda-feira, o CHULN assegurou que “tudo fará” para manter o normal funcionamento da urgência.

A direção clínica realizou nas últimas duas semanas cinco reuniões, envolvendo os chefes da equipa cirúrgica do Serviço de Urgência Central, assim como os assistentes hospitalares de Cirurgia Geral, com o objetivo de resolver as questões levantadas pelos médicos, explicou o centro hospitalar em comunicado.

Adiantou igualmente que, resultante destes encontros, a direção clínica “consensualizou alterações em protocolos de resposta do serviço de urgência, indo ao encontro das reivindicações apresentadas, mudanças assumidas por escrito em documentos enviados pelo diretor clínico a elencar as principais medidas a serem implementadas e a sublinhar disponibilidade para aprofundamento de outras”.

“Ainda assim, os chefes da equipa cirúrgica do Serviço de Urgência Central do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte entendem que não foram resolvidas todas as questões identificadas”, salientou-se no comunicado do CHULN.

O presidente do Sindicato dos Médicos da Zona Sul, João Proença, em declarações à agência Lusa, disse que os chefes de equipa fizeram “uma proposta de linha vermelha” ao conselho de administração do CHULN, mas como este respondeu de “forma evasiva” decidiram que, a partir de dezembro, vão comunicar que "já não fazem urgência porque têm mais de 55 anos”, e, ao abrigo da lei, podem pedir dispensa do trabalho nas urgências. Além disso, vão também limitar as horas extraordinárias.

Assim, adiantou João Proença, “não só deixam de ser responsáveis de equipa, como deixam de fazer bancos de urgência”, o que “vai tornar insolúvel o problema do Serviço de Cirurgia do hospital central da área de Lisboa e ainda por cima universitário”.

Governação Clínica
Editorial | Joana Romeira Torres
Governação Clínica

O Serviço Nacional de Saúde em Portugal foi criado e cresceu numa matriz de gestão napoleónica, baseada numa forte regulamentação, hierarquização e subordinação ao poder executivo, tendo como objeto leis e regulamentos para reger a atividade de serviços públicos no geral, existindo ausência de regulamentação relativa à sua articulação com os serviços sociais e económicos.

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