Médicos de Família sublinham incoerências na luta contra a COVID-19
DATA
03/01/2022 09:35:57
AUTOR
Jornal Médico
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Médicos de Família sublinham incoerências na luta contra a COVID-19

A Direção Nacional da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF) devido à escalada de novos casos de COVID-19 sublinharam que a situação vivida nos centros de saúde está a deteriorar-se, colocando em risco a qualidade dos cuidados prestados aos utentes e indo para além dos limites de resistência dos profissionais que ali desenvolvem a sua atividade.

Neste contexto, a APMGF em comunicado apontou alguns aspetos “cruciais para evitar o descalabro no Serviço Nacional de Saúde e nos Cuidados de Saúde Primários (CSP)”. “Torna-se indispensável desenvolver uma campanha específica de informação e esclarecimento junto da população portuguesa, capaz de garantir que apenas os casos mais graves e a necessitar de cuidados são canalizados para os centros de saúde e urgências hospitalares”, começou por esclarecer.

Acrescentou que a tutela necessita “urgentemente de definir diretrizes sobre como pretende rentabilizar e distribuir os seus recursos humanos nos CSP, orientando-os com clareza para as prioridades em saúde que importa salvaguardar, comprometendo-se e responsabilizando-se por tais decisões”, sendo que a prioridade imposta aos médicos de família de acompanharem os indivíduos positivos assintomáticos ou com sintomas ligeiros impossibilita o seguimento de doentes com maiores necessidades.

No que diz respeito aos atos administrativos e burocráticos associados à COVID-19 impostos aos profissionais de saúde, a APMGF frisa que o “Ministério da Saúde deve refletir e implementar estratégias alternativas que possam libertá-los para funções clínicas, tão prementes”.

A Associação relembrou ainda para “a necessidade de reforço dos recursos humanos, nomeadamente nos CSP, de forma a dar resposta às necessidades da população”.

“É tempo de todos, de forma colaborativa, contribuirmos para manter a capacidade de resposta do SNS. É imperioso reforçar a importância da vacinação, dos cuidados de proteção individual como uso da máscara e a evicção de ajuntamentos”, finalizou.

Preparados para o Futuro? // Preparar o Futuro
Editorial | Conceição Outeirinho
Preparados para o Futuro? // Preparar o Futuro

O início da segunda década deste século, foram anos de testagem. Prova intensa, e avassaladora aos serviços de saúde e aos seus profissionais, determinada pelo contexto pandémico. As fragilidades do sistema de saúde revelaram-se de modo mais acentuado, mas por outro lado, deu a conhecer o nível de capacidade de resposta, nomeadamente dos seus profissionais.