Grupo de Apoio às Políticas de Saúde pede mudança “fundamental” para libertar médicos
DATA
06/01/2022 14:42:17
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Jornal Médico
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Grupo de Apoio às Políticas de Saúde pede mudança “fundamental” para libertar médicos

O coordenador do Grupo de Apoio técnico à implementação das Políticas de Saúde (GAPS) nos Cuidados de Saúde Primários, João Rodrigues, alerta para a importância de alterar a gestão da COVID-19 para libertar os médicos de família do trabalho burocrático.

O especialista, em declarações à Lusa, destacou o impacto que as medidas propostas no dia 30 de dezembro à Direção-Geral da Saúde (DGS) podem ter no acompanhamento da pandemia, enfatizando “a possibilidade de os médicos de família poderem libertar tempo burocrático para ocuparem a agenda com outras atividades fundamentais”, como vigiar diabéticos, hipertensos ou grávidas, e libertar pessoas vacinadas de isolamentos tidos desnecessários.

“Isso é fundamental, porque temos uma carga burocrática muito pesada, nomeadamente com os certificados de incapacidade para o trabalho e com a necessidade de telefonar a doentes assintomáticos, o que não faz qualquer tipo de sentido, roubando tempo a outras atividades”, esclareceu o coordenador do GAPS.

Em causa estão cinco propostas que o GAPS vê como estruturantes, das quais o fim das áreas dedicadas aos doentes respiratórios, o fim da vigilância da Medicina Geral e Familiar através da plataforma TraceCovid, a redução para cinco dias no tempo de confinamento dos doentes positivos e vacinados, o término do período de isolamento após contactos de alto risco para quem esteja vacinado e, finalmente, a introdução de um ‘simplex’ para as baixas por COVID-19.

“Algumas propostas já vêm de há algum tempo. Conhecendo em termos europeus e mundiais o que se passa com esta nova variante, temos hoje 147 doentes nos cuidados intensivos e há um ano tínhamos 720. O que é que aconteceu? Vacinação e mudança da estirpe; neste momento, temos uma estirpe muito mais transmissível, mas com menos capacidade para produzir doença”, salientou.

No que diz respeito à vertente tecnológica, o clínico da unidade de saúde familiar (USF) de Coimbra Celas, frisa que deve também ser aprofundada na gestão da pandemia, nomeadamente para as ‘baixas’.

“Se tivemos um simplex para o covid em relação aos certificados, porque é que também não se faz isso para as baixas? Quem tem um teste positivo, automaticamente tem na plataforma do SNS24 um certificado de incapacidade para o trabalho. Isso liberta trabalho burocrático do médico de família”, sustenta.

Defende ainda que a alta deve ser “dada automaticamente, desde que não tenha tido necessidade de recorrer ao médico em relação à descompensação”.

#sejamestrelas
Editorial | António Luz Pereira
#sejamestrelas

Ciclicamente as capas dos jornais são preenchidas com o número de novos médicos. Por instantes todos prestam atenção aos números. Sim, para muitos são apenas números. Para nós, são colegas que se decidiram pelo compromisso com os utentes nas mais diversas áreas. Por isso, queremos deixar a todos, mas especialmente aqueles que abraçaram este ano a melhor especialidade do Mundo uma mensagem: “Sejam Estrelas”.

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