Desvendado método que impede progressão do cancro do pâncreas
DATA
12/01/2022 10:39:20
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Jornal Médico
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Desvendado método que impede progressão do cancro do pâncreas

Investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto desvendaram um método que, ao travar a comunicação entre células estaminais cancerígenas e outras células do tumor, impede a progressão do cancro do pâncreas. O trabalho decorreu em parte no âmbito do Porto Comprehensive Cancer Center.

Em comunicado, o i3S revelou que o estudo, publicado na revista Gut, mostra novas possibilidades terapêuticas para o tratamento do cancro do pâncreas.

A equipa de investigadores, liderada por Sónia Melo, descobriu que em tumores pancreáticos as células estaminais cancerígenas comunicam com as outras células do tumor, “dando-lhes ordens para que o tumor cresça e resista à quimioterapia”.

Esclarecem ainda que “apesar de serem em muito menos número, são as células estaminais as que mais comunicam com as outras células. São elas, aliás, que comandam e transmitem as diretrizes para o tumor poder sobreviver”.

Os tumores pancreáticos são compostos por diferentes populações de células que comunicam entre si através da secreção de vesículas extracelulares. Os investigadores debruçaram-se sobre essa comunicação e verificaram que no interior das vesículas extracelulares existe uma proteína, designada 'Agrin', que, “quando enviada às outras células, impulsiona o tumor a crescer e a vencer as adversidades, nomeadamente, a quimioterapia”.

O estudo demonstra por isso que, impedindo esta comunicação entre células, “o tumor não cresce”.

Os investigadores chegaram a esta conclusão recorrendo a amostras de tumores pancreáticos de doentes do Centro Hospitalar Universitário de São João (CHUSJ), no Porto, que posteriormente, foram introduzidas em ratos. Com recurso a moléculas que inibem a comunicação entre células conseguiram “travar a progressão do tumor”.

Em colaboração com os hospitais da Luz e Beatriz Ângelo, os investigadores analisaram o sangue de doentes com cancro pancreático, tendo verificado que os que apresentam maior número de vesículas extracelulares positivas para a proteína Agrin em circulação no sangue “têm um risco três vezes maior de progressão da doença”, podendo representar “potenciais biomarcadores” para determinar a resposta à terapia e o risco de progressão do tumor.

#sejamestrelas
Editorial | António Luz Pereira
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