OMD lança campanha de alerta para os perigos de teleconsultas e aquisição de tratamentos online
DATA
19/01/2022 11:27:53
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Jornal Médico
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OMD lança campanha de alerta para os perigos de teleconsultas e aquisição de tratamentos online

A Ordem dos Médicos Dentistas (OMD) está preocupada com a crescente oferta de serviços médico-dentários à distância sem a intervenção do médico dentista, incluindo o autotratamento ortodôntico em que o doente coloca diretamente o aparelho. Esta preocupação já foi transmitida à Entidade Reguladora da Saúde, mas a OMD entende ser importante alertar também a opinião pública para estes casos. 

Nesta campanha a Ordem alerta os doentes para “as consequências graves destes procedimentos sem a presença física numa consulta de medicina dentária, sejam resultados de qualidade inferior, necessidade de tratamentos adicionais ou, nos casos mais graves, danos irreversíveis na saúde oral”, esclarece a OMD, em comunicado.

Miguel Pavão, bastonário da OMD, avisa que “na grande maioria das situações relacionadas com a medicina dentária, incluindo o tratamento ortodôntico, é necessária uma interação presencial para garantir a segurança do doente”.

“Por outro lado, e em conformidade com as boas práticas clínicas, a evidência científica e a atual formação do médico dentista na área da ortodontia, é fundamental que os julgamentos clínicos em que se baseia uma proposta de tratamento ortodôntico sejam fundamentados numa avaliação completa da saúde oral do doente. E, atualmente, não há substituto efetivo para um exame clínico físico como base para essa avaliação”, acrescentou.

Miguel Pavão exemplificou que existem casos em que é próprio doente que faz a autoavaliação, através de fotografias do tipo selfie obtidas por telemóvel. “Em certos casos é o doente que faz impressões [modelos de estudo] a si próprio, que faz o registo da arcada e da forma dos seus dentes, e isto tem realmente alguns riscos para o doente e põe em causa erros neste diagnóstico e obviamente em todo o plano de tratamento”, realçou.

Depois deste procedimento, os aparelhos (geralmente alinhadores) são enviados para o doente por correio mediante o pagamento de uma verba, sendo que a monitorização do progresso do tratamento ocorre, maioritariamente ou exclusivamente, sem contacto físico do dentista com o doente.

“Os tratamentos de teleconsultas estão previstos em muitos casos e agora com a pandemia verificaram-se bastantes e com razão. Contudo, não podemos nunca inverter aquilo que são as exigências do acompanhamento médico e das consultas com passos fundamentais para o diagnóstico e para o tratamento”, defendeu o bastonário da OMD.

A OMD salienta que é fundamental não só avaliar a evolução do tratamento, mas também detetar precocemente possíveis complicações, tal como movimentos dentários indesejáveis, reabsorção das raízes, problemas que afetam as gengivas e o suporte dos dentes ou outras patologias intraorais.

Miguel Pavão aconselha os doentes a conhecerem o nome do dentista responsável pelo tratamento e a garantir que têm contacto direto com o profissional, bem como a rejeitarem estes tratamentos, que só podem ser realizados por dentistas inscritos na Ordem.

Preparados para o Futuro? // Preparar o Futuro
Editorial | Conceição Outeirinho
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O início da segunda década deste século, foram anos de testagem. Prova intensa, e avassaladora aos serviços de saúde e aos seus profissionais, determinada pelo contexto pandémico. As fragilidades do sistema de saúde revelaram-se de modo mais acentuado, mas por outro lado, deu a conhecer o nível de capacidade de resposta, nomeadamente dos seus profissionais.