Maioria dos doentes prefere que seja o médico a tomar decisão sobre cuidados de saúde
DATA
20/01/2022 09:54:16
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Jornal Médico
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Maioria dos doentes prefere que seja o médico a tomar decisão sobre cuidados de saúde

A maioria dos doentes portugueses prefere um papel passivo na solução de problemas e na tomada de decisões relacionadas com os cuidados de saúde que lhes são prestados, sobretudo em situações em que existe ameaça de vida. A conclusão é de um estudo de investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) e CINTESIS, publicado no British Medical Journal Open.

Coordenada por Carlos Martins, a equipa ouviu 599 portugueses entre os 20 e os 99 anos de idade (média de 51,9 anos), numa amostra representativa da população nacional, sendo que o objetivo era compreender até que ponto os portugueses querem ser envolvidos no processo de decisão médica.

“A grande maioria dos doentes prefere que o médico assuma o controlo na solução de problemas e na tomada de decisão, quer em matéria de qualidade de vida, quer em doenças ou situações clínicas de ameaça de vida. Os doentes portugueses preferem um papel passivo e querem que seja o médico a decidir”, adiantam os autores do estudo.

Perante uma situação clínica de ameaça de vida, “66,1% dos inquiridos portugueses entendem que a decisão deverá ser do médico, assumindo os doentes um papel passivo”. Já numa situação de doença que não ameaça a vida, 64,4% consideram que a decisão deverá ser do médico, sendo que perante uma situação de qualidade de vida, 55,4% dos portugueses consideram que a decisão também deverá ser do médico.

Foi descoberto a ainda que a assunção de um papel ativo e a partilha das decisões com o médico era mais aceite em pessoas mais novas, com mais escolaridade e com emprego.

Segundo Carlos Martins, este é um sinal da evolução “na forma como são tomadas decisões durante a consulta médica. Tem-se vindo a investir cada vez mais, pedagógica e cientificamente, numa consulta centrada no paciente, com base num modelo de decisão médica partilhada, em vez do modelo de consulta paternalista em que o poder da decisão recaía totalmente sobre o médico”.

Para os autores, este estudo vem reforçar ainda mais a importância de “treinar os médicos para envolverem adequadamente os doentes na tomada de decisão, de forma partilhada”.

A investigação teve autoria de Micaela Gregório (primeira autora), Andreia Teixeira, Rosália Páscoa, Sofia Baptista, Rosa Carvalho e Carlos Martins.

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