Açúcares adicionados diminuem a capacidade antioxidante na diabetes
DATA
20/01/2022 12:28:13
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Jornal Médico
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Açúcares adicionados diminuem a capacidade antioxidante na diabetes

Um estudo coordenado por um investigador da Universidade de Coimbra (UC), Paulo Matafome, concluiu que os açúcares adicionados diminuem a capacidade antioxidante na diabetes tipo 2, comparativamente aos naturalmente presentes em sumos de fruta.

Para estudar o efeito dos açucares foram investigados diversos parâmetros, como o stress oxidativo, a glicação, o metabolismo da glicose e o balanço energético, processos que ocorrem naturalmente, mas que, quando desregulados, estão implicados no desenvolvimento da diabetes tipo 2, um tipo de diabetes normalmente associada a uma alimentação desequilibrada e/ou falta de exercício físico.

“Os alimentos com açúcares naturalmente presentes, têm outros compostos na sua constituição que, em muitos casos, regulam a digestão, absorção e captação celular dos açúcares; tal não se verifica no caso de matrizes simples com açúcares adicionados, como a que serviu de comparação com os sumos no presente estudo. Estes açúcares estão mais expostos a reações que os convertem em compostos tóxicos, alguns deles associados às complicações da diabetes”, esclareceu Paulo Matafome.

Uma das conclusões aponta para o facto de as soluções açucaradas causarem um maior aumento da glicémia e diminuírem a capacidade antioxidante total dos glóbulos vermelhos nesse período, quando comparado com sumos de fruta (que apenas contêm açucares naturalmente presentes), pode ler-se na nota enviada pela FMUC.

Outra das questões avaliadas foi o impacto do consumo crónico de sumos de fruta e de um volume equivalente de soluções açucaradas no metabolismo. Ao contrário dos sumos (sem adição de açúcares), as soluções açucaradas aumentaram a glicémia, mas tiveram um impacto moderado nos marcadores de stress oxidativo e glicação, marcadores usados para avaliar a lesão dos tecidos. 

A investigação demonstrou também que o consumo sem restrições de bebidas açucaradas levou “a uma desregulação do balanço energético, e a uma maior ingestão calórica em comparação com os sumos de fruta quando administrados também sem restrições”, sendo que se verificou ainda que os animais com acesso livre a bebidas açucaradas apresentavam “um aumento do peso corporal e glicémia em jejum, bem como um aumento do stress oxidativo e glicação em vários tecidos”. 

A Organização Mundial de Saúde definiu açúcares livres como aqueles que são adicionados ou estão naturalmente presentes em determinados alimentos, onde se incluem os sumos de fruta e estabeleceu o limite do seu consumo em crianças e adultos como 5-10% do consumo energético diário. 

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Editorial | Conceição Outeirinho
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