CHUC investiga a resposta imune celular e mediada por anticorpos à vacina em profissionais
DATA
01/02/2022 16:49:26
AUTOR
Jornal Médico
ETIQUETAS




CHUC investiga a resposta imune celular e mediada por anticorpos à vacina em profissionais

O Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) tem vindo a conduzir um estudo sobre a resposta imune celular e mediada por anticorpos à vacina contra a COVID-19, ao longo do tempo, em 100 dos seus funcionários, 50 naive (que nunca foram infetados por SARS-CoV-2) e 50 previamente infetados, mas que já recuperaram da doença.

De acordo com o investigador do Serviço de Patologia Clínica do CHUC, Artur Paiva, “os resultados obtidos neste estudo (…) revelaram que, seis meses após a infeção por SARS-CoV-2, 48 dos 50 participantes recuperados da infeção mantinham proteção contra o vírus, ou pela presença de anticorpos IgG, ou por linfócitos T específicos”.

“No entanto, 8 dos 50 participantes (16%), não apresentavam linfócitos T específicos para SARS-CoV-2. Este dado é relevante porque está demonstrado que, em outros coronavírus, são os linfócitos T que asseguram a imunidade a longo prazo, desconhecendo-se, ainda, se esta circunstância também é válida para o SARS-CoV-2”, acrescentou.

O investigador prossegue, referindo que “após a administração de uma dose da vacina aos indivíduos recuperados da infeção, verificou-se um aumento notável dos níveis de anticorpos IgG e IgA, e de linfócitos T específicos para SARS-CoV-2. Relativamente aos 8 indivíduos que não apresentavam linfócitos T específicos para o vírus, 7 deles desenvolveram-nos após a vacina”.

“No entanto, estes 8 indivíduos apresentaram uma resposta imune consideravelmente mais fraca do que os restantes. Estes dados levam-nos a colocar a hipótese de ser possível detetar precocemente indivíduos com fraca resposta à vacina e que, por isso, possam beneficiar de doses de reforço”, frisou.

Refere, também, que se verificou, ainda, que “a vacina consegue mobilizar e ativar uma subpopulação de linfócitos T, os linfócitos T helper foliculares (Tfh), que têm a função de promover e regular a produção de anticorpos. Alguns estudos mostram que, durante a infeção por SARS-CoV-2, há diminuição da produção de linfócitos Tfh, e que estas células não funcionam devidamente, o que compromete a produção de anticorpos e resulta numa resposta imune pouco eficaz contra o vírus”.

“Confirmou-se que a resposta imune é muito mais forte em indivíduos recuperados da infeção após uma dose de vacina, do que em indivíduos naive após a toma de duas doses. Também a análise do comportamento de outras células imunes, e o acompanhamento dos indivíduos vacinados durante os próximos meses, vai permitir novas conclusões importantes sobre a proteção a longo prazo conferida pela vacina contra a COVID-19”, conclui Artur Paiva. 

Urgências no SNS – só empurrar o problema não o resolve
Editorial | Gil Correia
Urgências no SNS – só empurrar o problema não o resolve

É quase esquizofrénico no mesmo mês em que se discute a carência de Médicos de Família no SNS empurrar, por decreto, os doentes que recorrem aos Serviços de Urgência (SU) hospitalares para os Centros de Saúde. A resolução do problema das urgências em Portugal passa necessariamente pelo repensar do sistema, do acesso e de formas inteligentes e eficientes de garantir os cuidados na medida e tempo de quem deles necessita. Os Cuidados de Saúde Primários têm aqui, naturalmente, um papel fundamental.