Atlas da mortalidade por cancro em Portugal e Espanha mostra padrões de risco semelhantes
DATA
04/02/2022 09:14:39
AUTOR
Jornal Médico
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Atlas da mortalidade por cancro em Portugal e Espanha mostra padrões de risco semelhantes

O Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) e o Instituto de Saúde Carlos III (ISCIII) desenvolveram um estudo com o objetivo de proceder à análise da distribuição geográfica, na Península Ibérica, da mortalidade por alguns dos principais cancros. Intitulado “Atlas of Cancer Mortality in Portugal and Spain 2003–2012”, a investigação mostra a presença de zonas de risco para alguns tumores em regiões dos dois países, o que remete para a presença de fatores de risco comuns.

“Os resultados sugerem ainda diferenças geográficas e por sexo e idade dos fatores de risco de alguns dos principais cancros na Península Ibérica, o que vai ao encontro de outros estudos já desenvolvidos sobre os fatores de risco destes cancros e reforça o papel de outros fatores menos conhecidos, como sejam os socioculturais”, revela o INSA.

Este Atlas pretende servir de apoio a profissionais de saúde, investigadores e responsáveis políticos afetos às questões de saúde pública de ambos os países, e facilitar um estudo mais profundo das causas associadas aos padrões de risco encontrados, sendo este “o primeiro a proporcionar imagens em alta resolução da distribuição espacial da mortalidade por regiões, em Portugal e Espanha (arquipélagos incluídos)”.

A publicação deste estudo constitui um dos objetivos fixados no projeto AMOCAPE, que pretende explorar a viabilidade da análise da mortalidade dos dois países de forma conjunta, e a exequibilidade na elaboração de mapas comuns que sirvam como instrumento de vigilância e gerador de hipóteses sobre fatores etiológicos.

Embora tenha sofrido atrasos na sua publicação devido, por um lado, à pandemia, e, por outro, à necessidade de ajuste da metodologia e da homogeneização de dados, a informação obtida “reveste-se de grande utilidade, apresentando conclusões ajustáveis à atualidade, na medida em que os indicadores de mortalidade não sofrem, habitualmente, alterações significativas no curto prazo”.

O “Atlas of Cancer Mortality in Portugal and Spain 2003–2012” é resultado da ação colaborativa internacional (AMOCAPE) liderada em Portugal pela investigadora Rita Roquette, e em Espanha por Pablo Fernández Navarro, investigador do Centro Nacional de Epidemiologia do ISCIII.

Internato centrado na grelha de avaliação curricular: defeito ou virtude?
Editorial | Denise Cunha Velho
Internato centrado na grelha de avaliação curricular: defeito ou virtude?

Sou do tempo em que, na Zona Centro, não se conhecia a grelha de avaliação curricular, do exame final da especialidade. Cada Interno fazia o melhor que sabia e podia, com os conselhos dos seus orientadores e de internos de anos anteriores. Tive a sorte de ter uma orientadora muito dinâmica e que me deu espaço para desenvolver projectos e actividades que me mantiveram motivada, mas o verdadeiro foco sempre foi o de aprender a comunicar o melhor possível com as pessoas que nos procuram e a abordar correctamente os seus problemas. Se me perguntarem se gostaria de ter sabido melhor o que se esperava que fizesse durante os meus três anos de especialidade, responderei afirmativamente, contudo acho que temos vindo a caminhar para o outro extremo.