Linhagem BA.2 da variante Ómicron pode tornar-se dominante em Portugal e razão de preocupação
DATA
02/03/2022 12:48:38
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Jornal Médico
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Linhagem BA.2 da variante Ómicron pode tornar-se dominante em Portugal e razão de preocupação

O investigador João Paulo Gomes, do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) é da opinião que a Organização Mundial de Saúde (OMS) deveria classificar a linhagem BA.2 da variante Ómicron do SARS-Cov-2 como preocupante, considerando o investigador que esta pode já ser dominante em Portugal.

A intervenção ocorreu durante as Jornadas de Atualização em Doenças Infecciosas do Hospital Curry Cabral.

João Paulo Gomes, coordenador do estudo sobre a diversidade genética do SARS-CoV-2 em Portugal afirma que “é difícil perceber como se pode considerar a BA.2 como uma irmã da BA.1, porque têm muitas diferenças”, acrescentando ainda que “a única grande semelhança que tem é um elevadíssimo número de mutações quando comparadas com todas as outras variantes”.

O microbiologista sublinha que “todos estamos a desconfinar, todos estamos a ser invadidos pela nova linhagem que é mais transmissível e nessa perspetiva os números, os gráficos vão ser sobrepostos”. Apoiando-se em dados científicos, João Gomes receia que exista 80% a 90% de infeções causadas por esta nova linhagem.

“Estamos a seguir o caminho que outros países seguiram”, frisa o investigador que recorda casos como a África do Sul e a Dinamarca que “atingiram quase 100% em algumas semanas”.

João Paulo Gomes destacou ainda dados de um estudo realizado por investigadores japoneses, cujos dados ainda estão em revisão por pares, mas até agora “não são muito animadores porque mostram que além de a BA.2 ser mais transmissível, mostrou uma maior patologia nos ratinhos infetados e que os anticorpos gerados pela infeção com a BA.1 não eram eficazes para evitar a infeção com a BA.2".

Perante este quadro epidemiológico, o investigador põe em causa a vacina monovalente a ser desenvolvida por algumas farmacêuticas contra a BA.1, sendo que esta poderá ser sobreposta pela BA.2.

As certezas enganadoras sobre os Outros
Editorial | Mário Santos, membro da Direção Nacional da APMGF
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No processo de reflexão da minha prática clínica, levo em conta para além do meu índice de desempenho geral (IDG) e da satisfação dos meus pacientes, a opinião dos Outros. Não deixo, por isso, de ler as entrevistas cujos destaques despertam em mim o interesse sobre o que pensam e o que esperam das minhas funções, como médico de família. Selecionei alguns títulos divulgados pelo Jornal Médico, que mereceram a minha atenção no último ano: