Obesidade foi relegada para segundo plano por ser considerada uma doença benigna
DATA
03/03/2022 12:35:46
AUTOR
Jornal Médico
ETIQUETAS



Obesidade foi relegada para segundo plano por ser considerada uma doença benigna

A pandemia teve impacto no tratamento da obesidade que, por ser considerada uma doença benigna, foi relegada para segundo plano, com impacto nas consultas, exames e cirurgias, mencionou o vice-presidente da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade (SPEO), António Albuquerque.

Embora a obesidade esteja na origem de doenças cardiovasculares, diabetes e cancro, António Albuquerque indicou que o seu tratamento teve “um problema acrescido” na pandemia por ser considerada uma “doença benigna”, sendo que, por esta razão, explicou que esta “acabou por ser relegada para segundo plano no que diz respeito ao tratamento da obesidade, nomeadamente no tratamento cirúrgico” que foi considerado não urgente.

De acordo com o especialista, não existem dados oficiais sobre quantas cirurgias ficaram por fazer, mas sublinhou que o acesso a consultas, exames e cirurgias “sofreram com a gestão da pandemia e com a organização dos serviços”.

Adiantou ainda que “houve dificuldades de acesso à realização da cirurgia de obesidade porque os blocos operatórios estiveram vocacionados para o tratamento de situações oncológicas, que é compreensível, mas feitas as contas, no final destes dois anos de pandemia houve um avolumar das listas de espera”.

Questionado se os hospitais já conseguiram recuperar as cirurgias que ficaram por fazer, o cirurgião do Hospital Curry Cabral, que integra o Centro Hospitalar Universitário Lisboa Central (CHULC), revelou que as “realidades são distintas” consoante os Centros de Responsabilidade Integrado de Obesidade (CRIO), unidades com autonomia funcional que estabelecem um compromisso de desempenho assistencial e económico-financeiro negociado para um período de três anos.

“Como no Curry Cabral só somos Centro de Responsabilidade desde junho do ano passado fomos ainda muito apanhados por estas decisões que são muito transversais ao serviço e ainda não conseguimos fazer a recuperação de listas de espera, nomeadamente em regime de SIGIC que faz com que estes doentes possam ser operados em regime adicional”, explicou.

No final de 2020, o hospital ainda tentou começar a recuperar algumas cirurgias, mas o evoluir da pandemia obrigou a parar.

Internato centrado na grelha de avaliação curricular: defeito ou virtude?
Editorial | Denise Cunha Velho
Internato centrado na grelha de avaliação curricular: defeito ou virtude?

Sou do tempo em que, na Zona Centro, não se conhecia a grelha de avaliação curricular, do exame final da especialidade. Cada Interno fazia o melhor que sabia e podia, com os conselhos dos seus orientadores e de internos de anos anteriores. Tive a sorte de ter uma orientadora muito dinâmica e que me deu espaço para desenvolver projectos e actividades que me mantiveram motivada, mas o verdadeiro foco sempre foi o de aprender a comunicar o melhor possível com as pessoas que nos procuram e a abordar correctamente os seus problemas. Se me perguntarem se gostaria de ter sabido melhor o que se esperava que fizesse durante os meus três anos de especialidade, responderei afirmativamente, contudo acho que temos vindo a caminhar para o outro extremo.