Investigação da UC contribui para o diagnóstico da Esclerose Múltipla
DATA
04/04/2022 11:17:10
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Jornal Médico
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Investigação da UC contribui para o diagnóstico da Esclerose Múltipla

Carlos Duarte, investigador do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) da Universidade de Coimbra (UC), mostra que é possível classificar um doente com Esclerose Múltipla (EM) com 80% de certeza, avaliando um conjunto de oito proteínas específicas. A conclusão provém de 15 anos de investigação na área dos biomarcadores.

A Esclerose Múltipla, uma doença inflamatória e degenerativa que afeta o sistema nervoso central (SNC), é difícil de diagnosticar, devido à diversidade de sintomas. Cerca de 2,5 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de EM, sendo que em Portugal estima-se que a doença afete mais de 8 mil pessoas.

 

O estudo que juntou o CNC, o Serviço de Neurologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), o departamento de Química da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e ainda o laboratório de Neurobiologia Molecular do I3S (Universidade do Porto) recorreu a “amostras de líquido cefalorraquidiano (LCR) de doentes com Esclerose Múltipla e de doentes com outras doenças inflamatórias do sistema nervoso central”.

 

O LCR é um líquido presente entre o crânio e o cérebro e também na medula espinhal, que atua como um amortecedor, servindo de proteção. Além disso, contém um grande número de moléculas produzidas, libertadas e processadas a partir do SNC, o que faz deste líquido uma janela única para o estudo de doenças do sistema nervoso.

 

Numa primeira fase da investigação, recorrendo a estas amostras biológicas, em contexto laboratorial, “foi identificado um grupo de proteínas que permitiu distinguir corretamente 80-90% das amostras de doentes com EM”, explicam Carlos Duarte, coordenador do estudo e professor catedrático da FCTUC, e Ivan Salazar, primeiro autor do estudo e investigador do CNC-UC.

 

“Posteriormente, após uma análise estatística exaustiva, oito proteínas obtiveram lugar de destaque, uma vez que, quando avaliadas em conjunto, permitiram classificar e categorizar com 80% de confiança os doentes com Esclerose Múltipla. Estas oito proteínas definem agora um novo painel de biomarcadores para a EM”, acrescentam.

 

Os resultados “constituem um avanço significativo para o desenvolvimento de novas estratégias de diagnóstico, ou prognóstico, para a Esclerose Múltipla. Além do mais, contribuem também para a avaliação de novas estratégias terapêuticas para esta doença”, lê-se ainda na revista Journal of Neuroinflammation.

As certezas enganadoras sobre os Outros
Editorial | Mário Santos, membro da Direção Nacional da APMGF
As certezas enganadoras sobre os Outros

No processo de reflexão da minha prática clínica, levo em conta para além do meu índice de desempenho geral (IDG) e da satisfação dos meus pacientes, a opinião dos Outros. Não deixo, por isso, de ler as entrevistas cujos destaques despertam em mim o interesse sobre o que pensam e o que esperam das minhas funções, como médico de família. Selecionei alguns títulos divulgados pelo Jornal Médico, que mereceram a minha atenção no último ano: