Ideia para melhorar cuidados em saúde mental vence prémio FLAD
DATA
26/04/2022 16:33:08
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Jornal Médico
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Ideia para melhorar cuidados em saúde mental vence prémio FLAD

Projeto que pretende acompanhar pessoas com problemas de saúde mental graves após alta do internamento é o vencedor do FLAD Science Award Mental Health 2022, com um prémio no valor de 300 mil euros.

 

Este é “um ensaio clínico que pretende avaliar os resultados de uma intervenção que se destina a melhorar a continuidade e a qualidade dos cuidados a pessoas com doença mental grave, que, infelizmente, muitas vezes têm uma grande descontinuidade nos cuidados que deveriam receber”, explicou Manuela Silva, responsável pelo projeto.

Para o ensaio, serão recrutados cerca de 300 doentes saídos de internamentos no Centro Universitário Hospitalar Lisboa Norte (Santa Maria e Pulido Valente), Centro Hospitalar Lisboa Ocidental (Egas Moniz e São Francisco Xavier) e Hospital Beatriz Ângelo, em Loures. Manuela Silva, refere que a verba ganha com este prémio servirá para contratar e formar as pessoas que durante nove meses vão acompanhar quem sai do internamento. Isto é, para cada um dos três serviços, quatro acompanhantes, formando dois pares. Em cada par, um dos elementos tem experiência em saúde mental, enquanto o outro receberá formação para prestar cuidados a pessoas com problemas de saúde mental grave.

Uma das inovações da intervenção proposta por Manuela Silva é o facto de um dos elementos acompanhantes ter ele próprio passado por doença mental grave, mas já recuperado ou estabilizado, tendo assim conhecimento dos recursos existentes. Metade dos doentes saídos do internamento serão acompanhados por estes elementos, que os ajudarão a retomar o dia a dia e a passar por esta fase de transição.

Podendo as doenças psicóticas levar a delírios e alucinações, há que “tratar os seus sintomas mais óbvios”, bem como redescobrir um sentido para a sua vida, mesmo com uma doença ou com limitações que tenham”, considerou a mentora do projeto. Para isso, acrescentou, "não basta ter consultas de vez em quando, é preciso apoio na gestão da medicação, de perceber quais as dificuldades que encontram na gestão da vida diária, na procura de emprego ou de uma outra ocupação”.

Os doentes que integrarem a amostra deste projeto serão avaliados, em diversos parâmetros e em três momentos: no início, nove meses depois e, “para perceber se os efeitos são sustentados”, aos 18 meses, realçou Manuela Silva. O projeto está estruturado “de forma a que haja uma intervenção muito intensiva nos primeiros três meses, sendo que depois, vai havendo uma identificação e uma ligação às estruturas que já existem na comunidade, exatamente para depois as pessoas não ficarem sem apoio e perder-se tudo”, explicou.

A transferência progressiva da prestação dos cuidados a pessoas com doença mental que residem em instituições dos hospitais psiquiátricos para estruturas na comunidade é uma das medidas do Programa Nacional para a Saúde Mental, que prevê a criação, até 2025/2026, de 40 equipas comunitárias.

Urgências no SNS – só empurrar o problema não o resolve
Editorial | Gil Correia
Urgências no SNS – só empurrar o problema não o resolve

É quase esquizofrénico no mesmo mês em que se discute a carência de Médicos de Família no SNS empurrar, por decreto, os doentes que recorrem aos Serviços de Urgência (SU) hospitalares para os Centros de Saúde. A resolução do problema das urgências em Portugal passa necessariamente pelo repensar do sistema, do acesso e de formas inteligentes e eficientes de garantir os cuidados na medida e tempo de quem deles necessita. Os Cuidados de Saúde Primários têm aqui, naturalmente, um papel fundamental.