Rui Nunes propõe criação de um conselho consultivo para aconselhamento ao bastonário
DATA
29/07/2022 09:10:33
AUTOR
Jornal Médico
Rui Nunes propõe criação de um conselho consultivo para aconselhamento ao bastonário

Rui Nunes, candidato a bastonário da Ordem dos Médicos, propõe-se criar um órgão superior, de cariz consultivo e coordenado pelo atual bastonário Miguel Guimarães, que já aceitou o convite. O principal objetivo deste conselho consultivo será o aconselhamento ao bastonário em funções, em temas mais polémicos e delicados para a Medicina em Portugal. “O conselho consultivo da Ordem dos Médicos será composto pelos anteriores bastonários, mais três figuras de relevo nacional da Sociedade Civil, ainda a identificar, e que terá como principal missão o aconselhamento ao bastonário”, salienta Rui Nunes.

No entender do candidato, este órgão irá desempenhar um papel fundamental na tomada de decisões por parte do bastonário. “Há temáticas muito sensíveis na área da Medicina e da Saúde que exigem especial cuidado na forma como são abordadas pela Ordem dos Médicos e pelas tomadas de posição”, sustenta Rui Nunes.

O candidato recorda que o próprio atual bastonário se fez rodear dos seus antecessores “quando a Ordem dos Médicos foi instada a tomar uma posição sobre a temática da eutanásia”. “Pela sua complexidade e polémica, até no seio dos médicos, é fundamental que o bastonário seja aconselhado por quem o antecedeu no cargo”, acrescenta. Também por isso, salienta Rui Nunes, “faz todo o sentido que o primeiro coordenador deste órgão consultivo seja o atual bastonário, Miguel Guimarães, desde logo por ter bem presentes todos os dossiers”.

A definição de novas estratégias na Medicina, de propostas de fundo para a área da Saúde e, em particular, para o Serviço Nacional de Saúde, são algumas das áreas fundamentais onde este conselho consultivo pode desempenhar um papel central. “Será uma espécie de conselho de Estado como aquele que aconselha o Presidente da República”, explica Rui Nunes.

O conselho consultivo da Ordem dos Médicos não terá qualquer poder executivo, mas “será absolutamente fundamental na tomada de decisões”. “Estamos a falar de pessoas, como os bastonários, que foram reconhecidas pelos médicos como os melhores dos melhores, e que por todo o seu estatuto, todo o seu conhecimento, são uma opinião muito importante e que deve sempre ser ouvida pelo bastonário em funções”, adianta Rui Nunes.

Além dos ex-bastonários, Rui Nunes pretende que também façam parte deste órgão consultor três figuras de relevo da Sociedade Civil, com vasta experiência na área da Saúde e com uma fundamentada opinião. “Não é vulgar a Ordem dos Médicos ouvir personalidades, que não sejam médicas, a opinar sobre temas mais delicados ou fraturantes na área da saúde, mas eu considero que a democracia se faz também com a transversalidade de opiniões, e estas serão certamente uma mais-valia na tomada de decisões”, conclui Rui Nunes.

Internato centrado na grelha de avaliação curricular: defeito ou virtude?
Editorial | Denise Cunha Velho
Internato centrado na grelha de avaliação curricular: defeito ou virtude?

Sou do tempo em que, na Zona Centro, não se conhecia a grelha de avaliação curricular, do exame final da especialidade. Cada Interno fazia o melhor que sabia e podia, com os conselhos dos seus orientadores e de internos de anos anteriores. Tive a sorte de ter uma orientadora muito dinâmica e que me deu espaço para desenvolver projectos e actividades que me mantiveram motivada, mas o verdadeiro foco sempre foi o de aprender a comunicar o melhor possível com as pessoas que nos procuram e a abordar correctamente os seus problemas. Se me perguntarem se gostaria de ter sabido melhor o que se esperava que fizesse durante os meus três anos de especialidade, responderei afirmativamente, contudo acho que temos vindo a caminhar para o outro extremo.