Médicos da CPLP querem “circulação rápida” na região para aperfeiçoar formação em estágios
DATA
09/09/2022 09:30:43
AUTOR
Jornal Médico
Médicos da CPLP querem “circulação rápida” na região para aperfeiçoar formação em estágios

A Comunidade Médica de Língua Portuguesa (CMLP) defende melhorias na mobilidade dos médicos dos estados-membros, sobretudo entre os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e Portugal, para que os profissionais possam “circular de forma mais rápida e aperfeiçoar a formação”.

Francisco Pavão, secretário permanente da CMLP, órgão especializado da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), referiu ser importante que sejam permitidos estágios com maior facilidade a nível do bloco regional. “E, obviamente, a mobilidade de profissionais de saúde, particularmente médicos, entre esses países e sobretudo entre os PALOP com Portugal, é uma preocupação que a comunidade médica, há muitos, anos tem vindo a demonstrar aos nossos governantes”, apontou.

Seja em Portugal ou nos países de expressão portuguesa, frisou que tem tentado arranjar articulação “de forma a que os médicos possam fazer estágios de pequeno tempo, entre três e seis meses, para melhorar a sua capacitação e formação em áreas muito específicas”.

Estágios profissionais entre médicos da CPLP deve melhorar a capacitação destes, sobretudo nas áreas de dermatologia, oftalmologia, cirurgia, medicina interna e infecciologia, salientou. “Da mesma forma que há uma enorme vontade de que os portugueses também possam ir até estes países fazer formação e dar formação, e é um pouco isso que a bastonária da Ordem dos Médicos de Angola pretende expressar”, referiu Francisco Pavão.

A bastonária da Ordem dos Médicos de Angola, Elisa Gaspar, e também a vice-presidente da CMLP manifestaram-se recentemente acerca da necessidade desta mobilidade dos profissionais.

Para o médico Francisco Pavão, os acordos de mobilidade da CPLP, já ratificados pelos Estados membros, deve concorrer para a regularização dos vistos que serão de grande ajuda. Porque tanto de Angola para Portugal e vice-versa, justificou, “ainda é necessário uma grande articulação e burocracia na emissão de visto para uma estadia mais prolongada”.

“E a verdade é que nós profissionais da saúde, sobretudo médicos, temos esta enorme particularidade profissional de que é melhorar constantemente a nossa profissão, daí a nossa preocupação de demonstrarmos que há muita melhoria a fazer no sentido de uma circulação mais rápida e consistente”, defendeu.

Para “que possam melhorar a sua formação, porque nós ao fazermos isso estamos a melhorar a vida de todos e a vida das populações, possibilitando que haja maior formação médica, maior articulação entre serviços e maior aprendizagem”, rematou o secretário permanente da CMLP.

Urgências no SNS – só empurrar o problema não o resolve
Editorial | Gil Correia
Urgências no SNS – só empurrar o problema não o resolve

É quase esquizofrénico no mesmo mês em que se discute a carência de Médicos de Família no SNS empurrar, por decreto, os doentes que recorrem aos Serviços de Urgência (SU) hospitalares para os Centros de Saúde. A resolução do problema das urgências em Portugal passa necessariamente pelo repensar do sistema, do acesso e de formas inteligentes e eficientes de garantir os cuidados na medida e tempo de quem deles necessita. Os Cuidados de Saúde Primários têm aqui, naturalmente, um papel fundamental.