Jaime Branco: “Se vier a ser eleito, em conjunto com a Ordem dos Médicos, vamos encontrar uma solução com os organismos representativos dos jovens médicos”
DATA
16/09/2022 10:20:04
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Jornal Médico
Jaime Branco: “Se vier a ser eleito, em conjunto com a Ordem dos Médicos, vamos encontrar uma solução com os organismos representativos dos jovens médicos”

Jaime Branco apresentou os motivos e as principais linhas programáticas da candidatura a bastonário, a 14 de setembro, véspera da comemoração dos 43 anos do Serviço Nacional de Saúde (SNS), de que é profissional desde o primeiro dia. A cerimónia de apresentação, que decorreu em Lisboa, sob o mote “Devolver a liderança aos Médicos”, contou ainda com a intervenção de Germano de Sousa, mandatário nacional da candidatura. 

Os jovens médicos são uma das principais preocupações da candidatura, porque “existem neste momento alguns milhares de jovens médicos sem formação específica e isso é um problema”. Por isso, uma das propostas passa por realizar “cursos de formação específica em algumas áreas que identifiquemos com os colégios de especialidade e que possamos identificar como importantes”.

Criar consulta de Agudos, nos Cuidados de Saúde Primários, é apresentada como uma solução para libertar as urgências hospitalares, pois “o doente fica mais assegurado”. Porém, para que isso seja exequível, defende: “É preciso que sejam retiradas dos médicos de família todas as tarefas burocráticas, se não, estamos a colocar-lhes mais uma tarefa em cima do trabalho que já fazem, que é muito. É preciso ter este cuidado.” 

No entender do candidato, esta é, ainda, uma altura com particular interesse para se ouvir a opinião dos profissionais que conhecem os serviços e a gestão do Sistema de Saúde, debater o estado do SNS, o papel da Ordem dos Médicos e dos médicos, na urgente reforma da Saúde em Portugal. Nesse sentido, acredita que “muito daquilo que se está a passar de negativo no SNS se deve à liderança ter deixado de ser médica”.

“Uma figura que possa liderar os médicos na sua necessidade absoluta de dignificar a sua profissão e de manter os níveis de profissionalismo e de humanização na prática da Medicina”, é assim que Jaime Branco se propõe, enquanto candidato e naquele que poderá vir a ser o seu papel enquanto bastonário. 

Robustecer o SNS, normalizando o reconhecimento da importância complementar entre a Medicina privada, social e pública é um dos pontos da sua candidatura. “Estas atividades são absolutamente complementares e se nós soubermos qual o papel de cada destes setores e soubermos balizar convenientemente e se houver, num determinado momento, dificuldade nas tarefas, o outro setor pode e deve ajudar, mediante contratos que devem ser respeitados.”

Jaime Branco é atualmente diretor do Serviço de Reumatologia no Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental e Professor Catedrático da NOVA Medical School | FCM/UNL – escola médica a que presidiu entre 2013 e 2021.

 

 

 

Fotografia: Paulo Lopes

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Editorial | Gil Correia
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É quase esquizofrénico no mesmo mês em que se discute a carência de Médicos de Família no SNS empurrar, por decreto, os doentes que recorrem aos Serviços de Urgência (SU) hospitalares para os Centros de Saúde. A resolução do problema das urgências em Portugal passa necessariamente pelo repensar do sistema, do acesso e de formas inteligentes e eficientes de garantir os cuidados na medida e tempo de quem deles necessita. Os Cuidados de Saúde Primários têm aqui, naturalmente, um papel fundamental.