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Células estaminais mostram resultados positivos em pessoas transplantadas com sangue do cordão umbilical
DATA
21/09/2022 09:22:26
AUTOR
Jornal Médico
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Células estaminais mostram resultados positivos em pessoas transplantadas com sangue do cordão umbilical

Artigo científico reporta a utilização de um produto de terapia celular constituído por células estaminais, em combinação com um transplante de sangue do cordão umbilical. Os resultados do ensaio clínico são favoráveis relativamente à segurança e tempo de recuperação hematológica após transplante.

Nas últimas décadas, os transplantes hematopoiéticos têm vindo a aumentar significativamente, permitindo salvar a vida de milhares de pessoas. A identificação de dadores compatíveis continua a representar um desafio na área da transplantação, colocando em relevo o papel que o sangue do cordão umbilical desempenha como fonte alternativa de células estaminais, ao permitir que mais doentes possam ser tratados recorrendo a um transplante hematopoiético.

Um artigo científico, publicado recentemente, revelou que um produto de terapia celular constituído por células estaminais funciona como um complemento que permite ajudar a acelerar a recuperação hematológica após um transplante de sangue do cordão umbilical, apresentando-se como uma mais-valia neste tipo de transplantes. O sangue do cordão umbilical constitui uma importante fonte de células estaminais para transplante, tanto em doentes pediátricos, como em adultos, pela facilidade de colheita, disponibilidade imediata para transplante e menor exigência nos fatores de compatibilidade.

Para poder ser usado por qualquer pessoa, sem ser necessário um teste de compatibilidade, este produto inovador passa por várias etapas de fabrico até estar pronto para utilização. As células estaminais hematopoiéticas selecionadas, a partir de uma amostra de sangue do cordão umbilical, são expandidas (multiplicadas) em laboratório, durante cerca de 2 semanas, sendo que as outras células presentes no sangue são descartadas de modo a reduzir o risco de uma reação de rejeição. Por último, as células estaminais selecionadas passam por um rigoroso controlo de qualidade e são criopreservadas, até serem necessárias.

O produto foi testado num ensaio clínico, onde participaram 15 doentes, com idades compreendidas entre os 5 e os 45 anos, com uma de três doenças hemato-oncológicas: leucemia mielóide aguda, leucemia linfóide aguda e síndrome mielodisplásica. Os participantes receberam um transplante de sangue do cordão umbilical e, quatro horas após o transplante, receberam o produto de terapia celular coadjuvante. Os doentes que fizeram parte deste estudo foram acompanhados durante um período de 5 a 11 anos. 

Não foram observadas reações adversas sérias relacionadas com a administração do produto de terapia celular em estudo, durante todo o período de acompanhamento, o que comprova a sua segurança. A recuperação hematológica também foi rápida, tendo a recuperação das contagens de neutrófilos demorado em média 19 dias, e a de plaquetas, 35 dias. 

O artigo concluiu que a transplantação de sangue do cordão umbilical com o auxílio do produto de terapia celular constituído por células estaminais do sangue do cordão umbilical alcançou resultados positivos relativamente à segurança e ao tempo de recuperação hematológica após transplante. 

Segundo Bruna Moreira, investigadora do Departamento de I&D da Crioestaminal, estes resultados apresentam um importante avanço, visto estarmos a falar de uma “área em constante evolução, em que ainda há margem para melhorar. Garantir que todos os doentes que necessitem de um transplante têm acesso a esta opção de tratamento é um dos aspetos mais importantes, mas há outros que também podem ser melhorados, como o sucesso do transplante, a taxa de recaída e a qualidade de vida do doente após o transplante, o que só pode ser feito se houver uma constante aposta em investigação”.  

Para aceder aos estudos científicos mais recentes sobre os resultados promissores da aplicação de células estaminais, visite o Blogue de Células Estaminais. 

 

 

Referência:

Milano F, et al. Infusion of Non-HLA-Matched Off-the-Shelf Ex Vivo Expanded Cord Blood Progenitors in Patients Undergoing Cord Blood Transplantation: Result of a Phase II Clinical Trial. Front Cell Dev Biol. 2022. 10:835793. 

Urgências no SNS – só empurrar o problema não o resolve
Editorial | Gil Correia
Urgências no SNS – só empurrar o problema não o resolve

É quase esquizofrénico no mesmo mês em que se discute a carência de Médicos de Família no SNS empurrar, por decreto, os doentes que recorrem aos Serviços de Urgência (SU) hospitalares para os Centros de Saúde. A resolução do problema das urgências em Portugal passa necessariamente pelo repensar do sistema, do acesso e de formas inteligentes e eficientes de garantir os cuidados na medida e tempo de quem deles necessita. Os Cuidados de Saúde Primários têm aqui, naturalmente, um papel fundamental.