OMS alerta que doenças não transmissíveis superam as infecciosas e são as que mais matam
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23/09/2022 09:19:44
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Jornal Médico
OMS alerta que doenças não transmissíveis superam as infecciosas e são as que mais matam

A Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou a 21 de setembro um novo relatório e um portal com dados de 194 países sobre doenças não transmissíveis e respetivos fatores de risco: tabagismo, alimentação não saudável, uso nocivo de álcool, falta de atividade física e poluição do ar. “A eliminação desses fatores poderia prevenir ou retardar problemas de saúde significativos e muitas mortes prematuras” por estas doenças, de acordo com os peritos.

Para a OMS, que lançou a iniciativa durante a assembleia geral da ONU, este é um dos maiores desafios do século na saúde e no desenvolvimento. As doenças cardiovasculares, o cancro, a diabetes e as patologias respiratórias crónicas, a par da Saúde Mental, causam quase três quartos das mortes a nível mundial e matam 41 milhões de pessoas por ano.
 
O relatório “Números invisíveis: a verdadeira extensão das doenças não transmissíveis e o que fazer com elas” dá visibilidade a estas patologias e lembra “a verdadeira escala” desta ameaça e dos fatores de risco, considera a OMS em comunicado. “Também mostra o custo-benefício de intervenções económicas aplicáveis globalmente que podem mudar esses números e salvar vidas e dinheiro”, avança a organização.
 
O portal contém os dados mais recentes de cada país, fatores de risco e adoção de políticas: “Torna visíveis os padrões e tendências nos países e permite a comparação entre países ou dentro de regiões geográficas”.
 
Segundo a OMS, a cada dois segundos, uma pessoa com menos de 70 anos morre de uma doença não transmissível e 86 % dessas mortes ocorrem em países de baixo e médio rendimento. “Essa grande mudança na saúde pública nas últimas décadas passou amplamente despercebida”, considera a organização.
 
“O relatório e o portal chegam num momento crítico para a Saúde Pública: em 2022, apenas alguns países estavam a caminho de cumprir a meta do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) de reduzir em um terço as mortes precoces por doenças não transmissíveis até 2030”, sustenta a OMS.
 
Os especialistas alegam que a prevenção e tratamento são uma “excelente oportunidade de investimento, que terá inúmeros impactos no crescimento económico, superando em muito o dinheiro gasto”.
Urgências no SNS – só empurrar o problema não o resolve
Editorial | Gil Correia
Urgências no SNS – só empurrar o problema não o resolve

É quase esquizofrénico no mesmo mês em que se discute a carência de Médicos de Família no SNS empurrar, por decreto, os doentes que recorrem aos Serviços de Urgência (SU) hospitalares para os Centros de Saúde. A resolução do problema das urgências em Portugal passa necessariamente pelo repensar do sistema, do acesso e de formas inteligentes e eficientes de garantir os cuidados na medida e tempo de quem deles necessita. Os Cuidados de Saúde Primários têm aqui, naturalmente, um papel fundamental.