Ana Joaquim: “Quando diagnosticado e tratado precocemente, o cancro da cabeça e pescoço pode ter um bom prognóstico”
DATA
23/09/2022 09:43:28
AUTOR
Sofia Pinheiro
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Ana Joaquim: “Quando diagnosticado e tratado precocemente, o cancro da cabeça e pescoço pode ter um bom prognóstico”

A 10.ª Semana de sensibilização para o cancro da cabeça e pescoço, inserida na campanha “Make Sense”, irá promover rastreios hospitalares e ações de sensibilização nas escolas, junto dos adolescentes em idades onde é frequente a iniciação no consumo de álcool e tabaco. A iniciativa, realizada anualmente, é liderada, a nível internacional, pela Sociedade Europeia de Cabeça e Pescoço (EHNS) e, a nível nacional, pelo Grupo de Estudos do Cancro da Cabeça e Pescoço (GECCP).  Esta campanha pretende promover a compreensão dos sinais e sintomas, deste tipo de cancro, encorajando o diagnóstico precoce e estimulando a troca de conhecimento entre especialistas e o público em geral.

“Quando diagnosticado e tratado precocemente, o cancro da cabeça e pescoço pode ter um bom prognóstico, mas muitas pessoas continuam a sofrer as terríveis consequências desta doença por não compreenderem os sinais e sintomas que o corpo lhes dá. E não só os doentes, ou sobreviventes, sofrem com a doença, mas também todos os seus familiares e amigos. É para alertar a população para os sinais e sintomas desta doença que trabalhamos a campanha em Portugal.  Só assim os números podem tornar-se mais animadores” explica Ana Joaquim, médica oncologista, em representação do Grupo de Estudos do Cancro da Cabeça e Pescoço (GECCP). 

O desconhecimento sobre o cancro da cabeça e pescoço, aliado aos seus principais fatores de risco são os grandes responsáveis pelas estimativas mais recentes, que apontam que o número de novos casos deverá aumentar em mais de 200 mil em todo o mundo, nos próximos 10 anos. Este aumento traduz-se em cerca de 587 mil pessoas a perder a vida para a doença até 2030, um aumento de 120 mil em relação a 2020.

Os rastreios hospitalares serão feitos a nível nacional, no Instituto Português de Oncologia de Coimbra Francisco Gentil, no Centro Hospitalar e Universitário do Algarve, EPE - Unidade de Portimão, no Instituto Português de Oncologia de Lisboa Francisco Gentil, no Centro Hospitalar de Lisboa Central e na CUF Tejo.

“Queremos explicar aos mais jovens qual o impacto do consumo excessivo de álcool. Os dados mostram-nos que o consumo de mais de três unidades de álcool por dia entre os homens e mais de duas entre as mulheres faz aumentar o risco de desenvolver este tipo de cancro. Em relação ao tabaco, acredita-se que quem fuma tem 15 vezes mais probabilidade de desenvolver cancro da cabeça e pescoço”, refere a especialista.

Este ano, a campanha “Make Sense” tem como patrocinador principal a Merck S.A. Também a Merck Sharp and Dohme e a Bristol Myers Squibb apoiam a iniciativa.  

Urgências no SNS – só empurrar o problema não o resolve
Editorial | Gil Correia
Urgências no SNS – só empurrar o problema não o resolve

É quase esquizofrénico no mesmo mês em que se discute a carência de Médicos de Família no SNS empurrar, por decreto, os doentes que recorrem aos Serviços de Urgência (SU) hospitalares para os Centros de Saúde. A resolução do problema das urgências em Portugal passa necessariamente pelo repensar do sistema, do acesso e de formas inteligentes e eficientes de garantir os cuidados na medida e tempo de quem deles necessita. Os Cuidados de Saúde Primários têm aqui, naturalmente, um papel fundamental.