Estudo prevê aumento do número de pessoas com diabetes tipo 1 no espaço de duas décadas
DATA
26/09/2022 10:56:49
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Jornal Médico
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Estudo prevê aumento do número de pessoas com diabetes tipo 1 no espaço de duas décadas

Segundo os cálculos de um estudo, recentemente publicado no Lancet Diabetes & Endocrinology, em 2021, estima-se que, a nível global, existiam 8,4 milhões de pessoas com diabetes tipo 1 (DT1). Este estudo, que partiu de um modelo estatístico, calcula que em 2040 haverá uma duplicação do número de pessoas com DT1 em todo o mundo (13,5 a 17,4 milhões). 

Em 2021, estimava-se um total de 8,4 milhões de pessoas com diabetes tipo 1 em todo o mundo. O estudo, que partiu de um modelo estatístico, prevê que, em 2040, este número duplique, estimando-se que, dentro de duas décadas, ronde os 13,5-17,4 milhões. “Atendendo às previsões de que em 2040 haverá um aumento da prevalência de pessoas com DT1 em todo o mundo, estes resultados servem de alerta para as implicações negativas destas projeções. Há uma oportunidade para salvar milhões de vidas nas próximas décadas, investindo-se não só em melhores estratégias de prestação de cuidados na DT1 (incluindo o acesso universal à insulina, por exemplo), como na maior sensibilização para os sinais e sintomas da DT1, permitindo que assim se atinja uma taxa de diagnóstico de 100% em todos os países”, afirmou Graham Ogle, um dos autores do estudo.

Em 2021, o modelo estimava um total de 8,4 milhões de indivíduos com DT1 em todo o mundo. Destes, 18% tinham idade inferior a 20 anos, 64% entre 20-59 anos e 19% com idade superior a 60 anos. Embora os sintomas de DT1 surjam tipicamente na infância, os resultados revelam que há um número crescente de adultos e crianças diagnosticados anualmente (316 mil versus 194 mil casos incidentais em todo o mundo), com uma média de idades ao diagnóstico de 32 anos.

“Estes achados têm importantes implicações no diagnóstico, modelo de tratamento e programa de apoio. Estes programas, em países em que estão disponíveis, foram exclusivamente desenhados para crianças e jovens com DT1. Adicionalmente, estes dados enfatizam a necessidade urgente de melhorar a vigilância e a recolha de dados de incidência, prevalência e mortalidade relacionada com a DT1 na população adulta – uma população em que os dados são especialmente escassos”, referiu Dianna Magliano, uma das autoras do estudo.

A Índia, o Brasil, a China, a Alemanha, o Reino Unido, o Canadá, a Rússia, a Arabia Saudita e Espanha são os países com as prevalências mais elevadas de DT1, contabilizando mais de 5 milhões (60%) de casos a nível global. As estimativas indicam que 175 mil mortes em 2021 são atribuídas à diabetes tipo 1. Destas, 35 mil ou 20% foram atribuíveis ao não-diagnóstico: 14 500 em África Subsariana e 8700 no Sul da Ásia. Os investigadores estimam que, em 2021, mais de três milhões de mortes prematuras teriam sido evitadas, caso tivesse havido uma abordagem de tratamento ótima da DT1, e 700 mil pessoas não teriam morridos prematuramente devido ao não-diagnóstico. 

You've got mail! - quando um aumento da acessibilidade não significa melhoria da acessibilidade
Editorial | António Luz Pereira, Direção da APMGF
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