Inaugurado Banco de Leite Humano no CHSJ
DATA
28/09/2022 10:19:40
AUTOR
Sofia Pinheiro
Inaugurado Banco de Leite Humano no CHSJ

Inaugurado no dia 22 de setembro, no Porto, o novo Banco de Leite Humano irá beneficiar toda a região norte começando numa primeira fase por ajudar os bebés internados no CHUSJ e do Centro Materno Infantil do Norte. O objetivo será beneficiar a longo prazo a saúde infantil.

“Este é um investimento que vai, sem dúvida alguma, ter impacto em termos de indicadores de saúde perinatal e saúde infantil. E acreditamos que, a longo prazo, surgirão, também, melhores indicadores de saúde de forma geral”, avançou a diretora clínica do Centro Hospitalar e Universitário São João (CHUSJ), Maria João Baptista.

O Banco de Leite Humano do Norte, localizado na nova Ala Pediátrica do CHUSJ, já se encontra em funcionamento e conta já com mães dadoras inscritas e nasceu por iniciativa do centro hospital e fruto de um investimento de meio milhão de euros.

O leite humano é doado por mães saudáveis com bebés até seis meses que tenham excedente de leite materno passível de alimentar bebés prematuros, assim como bebés internados por doenças graves. Este é extraído, armazenado em casa e depois recolhido por uma equipa de profissionais que vai ao domicílio esclarecer dúvidas e garantir que este processo é realizado com toda a segurança e higiene.

As mães que declarem vontade de ser dadoras são submetidas a análises, sendo o leite posteriormente recolhido conservado em máquinas de frio no CHUSJ. Depois de testado e pasteurizado, é distribuído aos serviços de neonatologia que dele necessitem.

Maria João Baptista sublinhou que “este leite humano, apesar de não ser o leite da sua mãe, é um leite que confere imunidade ao bebé, que o protege de problemas gastrointestinais. Os bebés prematuros estão sujeitos a ter problemas gastrointestinais muito graves, que às vezes implicam até a morte do bebé”.

Também o diretor do serviço de Neonatologia do CHUSJ, Henrique Soares, recordou que está provado que os bebés de alto risco, nomeadamente na prematuridade, mas também outros bebés com outras doenças, beneficiam muito se alimentados com leite da dadora ao invés da habitual fórmula comercial e que “os riscos baixam muito consideravelmente na enterocolite necrosante, por exemplo, uma patologia muito conhecida entre pediatras. O leite de dadora vai fazer toda a diferença na diminuição dessa situação clínica”, acrescentou.

 O diretor salvaguardou que o leite de dadora não substitui nunca a primazia do leite da própria mãe, mas que o leite humano tem características imunológicas que se mantêm mesmo depois da pasteurização. “Existem estudos que apontam para melhores resultados no neuro desenvolvimento aos 2 anos quando comparamos com bebés que são alimentados com fórmula”, referiu.

Maria João Baptista esclareceu, que a longo prazo, os bebés alimentados com leite humano “são bebés que têm um desenvolvimento biológico mais adequado e um QI mais elevado” e “mesmo na adolescência, as pessoas alimentadas com leite humano, são pessoas que têm um perfil lipídico e um risco cardiovascular melhor”, considerando que este leite “é mais do que um alimento" e "é quase um medicamento”, rematou.

Já, num apelo à dádiva, fazendo até um paralelismo com a dádiva de sangue, o provedor do utente do CHUSJ, Américo Aguiar, aplaudiu o “gesto nobre” das mães que doam o seu leite para “melhorar a qualidade de vida de bebés que precisam”.

“A generosidade das mães portuguesas não é surpresa, mas é de realçar”, disse o também bispo auxiliar de Lisboa.

Em Portugal existe apenas um projeto semelhante em Lisboa, na Maternidade Alfredo da Costa (MAC).

You've got mail! - quando um aumento da acessibilidade não significa melhoria da acessibilidade
Editorial | António Luz Pereira, Direção da APMGF
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