Equipa portuguesa desenvolve aplicação para ajudar pacientes com doença arterial periférica. A prescrição é uma caminhada
DATA
30/09/2022 10:36:19
AUTOR
Sofia Pinheiro
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Equipa portuguesa desenvolve aplicação para ajudar pacientes com doença arterial periférica. A prescrição é uma caminhada

Há uma nova solução tecnológica que quer colocar os portadores da doença arterial periférica a caminhar nas suas áreas de residência. WalkingPad é a nova ferramenta de literacia em saúde, que permite importar prescrições e monitorizar caminhadas dos pacientes. Mais comodidade e redução de custos são algumas das vantagens.  

A WalkingPAD é uma app para telemóvel e foi desenvolvida por uma equipa do Hospital de Santo António, no Porto. Os percursos são definidos através de receita médica.

A tecnologia integra um programa de exercício físico que pode ser realizado em domicílio (Home Based Exercise Therapy — HBET) baseado em percursos pensados que ocorrem no ambiente pessoal do doente e não num ambiente clínico.

Esta aplicação é uma ferramenta que ultrapassa limitações ao ser um programa participativo de exercício físico, realizado num ambiente familiar. “É por isso mais atrativo, personalizado, eficaz e de muito baixo custo e risco quando comparado com um programa de reabilitação realizado no hospital”, explica Ivone Silva, cirurgiã vascular do Hospital de Santo António e membro do Conselho Científico da Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde (SPLS).

A aplicação inclui um programa personalizado e supervisionado por profissionais de saúde, que prescrevem um regime de exercícios idêntico ao dos programas realizados em ambiente clínico. Este plano leva em consideração quatro importantes fatores: o tipo de exercício (como caminhadas), a intensidade, a frequência e a distância.  

“A sua fácil monitorização, o necessário feedback e a intervenção motivacional para a mudança comportamental fazem desta ferramenta um verdadeiro recurso de literacia em saúde. Esta tecnologia permite agir na prevenção dos efeitos da doença e a promover a saúde”, esclareceu a presidente da Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde, Cristina Vaz de Almeida.   

 A prescrição médica contempla o número expectável de caminhadas semanais, um limite mínimo de tempo de caminhada e a opção de caminhada livre.

 Segundo a coordenadora do projeto, Ivone Silva, existem várias vantagens para o paciente: desde logo a comodidade, porque permite a autogestão da sua caminhada respeitando o horário laboral; a adoção de hábitos mais saudáveis, através da redução do absentismo e a redução da despesa com os custos associados à deslocação para a instituição hospitalar.  

“Trata-se de uma abordagem inovadora para redução de internamentos, cirurgias e sobretudo de amputações, que tem grande impacto negativo nos doentes, nas suas famílias, cuidadores e a sociedade como um todo”, conclui a médica.

No futuro, a equipa ambiciona desenvolver a aplicação para um dispositivo médico capaz de analisar padrões de caminhadas recorrendo a algoritmos de inteligência artificial.

A app pode ser instalada através deste link.

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