APMGF sabe o que levará internos e jovens médicos de família a ficar no SNS
DATA
07/10/2022 12:23:20
AUTOR
Jornal Médico
APMGF sabe o que levará internos e jovens médicos de família a ficar no SNS

Tempo para fazer outras coisas, proximidade da família, remuneração atrativa, bom ambiente laboral, condições de trabalho adequadas e valorização profissional. Tudo isto entra em equação para fixar os novos especialistas de Medicina Geral e Familiar (MGF) no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

“Fixação de Recém-Especialistas no SNS” constituiu o tema do questionário promovido pela Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), junto do universo de médicos de família em formação de internato e de novos especialistas de MGF. Os resultados foram anunciados, a 29 de setembro, em sessão dedicada no 20.º Encontro Nacional dos Internos e Jovens Médicos de Família.

Neste fórum de debate, o objetivo da APMGF foi suscitar a reflexão sobre os dados apurados no referido questionário, concretamente as razões de fundo que determinam a fixação ou o abandono do SNS, e a partir daí perceber qual a abordagem estratégica que poderá acomodar as expectativas das novas gerações de médicos de família. O encontro, moderado por Joana Romeira Torres, médica interna de MGF da USF UarcoS e dirigente da APMGF, reuniu como oradores a médica interna Diana Gonçalves, da Ars Médica, e dois médicos de família: Eunice Carrapiço, diretora executiva do ACES Lisboa Norte, e Gonçalo Envia, diretor executivo do ACES Sintra. Os comentários finais couberam ao presidente da APMG, Nuno Jacinto.

À pergunta “Quando terminar o internato gostaria de continuar no seu ACES de formação como especialista?”, 61% das respostas dizem que sim. E continuar tem a ver com a localização do trabalho (72%), a proximidade da família (65%), o bom ambiente laboral (58%) e a tipologia da unidade de saúde (34%). Em contraponto, quando questionados se “Não gostaria de continuar no seu ACES de formação como especialista?”, 39% das respostas referem ser essa a vontade. Os argumentos para não ficar prendem-se com o afastamento da família (63%), o desejo de exercer no setor privado (35%), o objetivo de emigrar (17%) e a tipologia da unidade de saúde – tanto em USF modelo A (10%) como em UCSP (5%). Acresce que a empatia com os doentes e o espírito de missão, por si só, não são tidos por suficientes se não houver expectativas de melhor remuneração e de progressão (neste caso, se a USF de formação não tiver perspetiva de evolução para modelo B).

No que reporta aos jovens médicos de família, 67,4% responderam sim à pergunta “Realizou a formação especializada de MGF no seu ACES atual?”. Concretizando as razões que os levaram a ficar, é referida a localização do trabalho (68%), a proximidade da família (58%), o bom ambiente laboral (32%) e a tipologia da unidade de saúde (32%). No sentido inverso, em resposta à pergunta “Não realizou a formação especializada de MGF no seu ACES atual?”, 32,6% dizem que não. As razões apontadas são a inexistência de vaga (63%), o distanciamento da família (31%), o desejo de exercer no setor privado (9%) e o objetivo de emigrar (6%).

Nas suas observações supletivas, os resultados desta auscultação permitem resumir como fatores determinantes para a fixação das novas gerações de especialistas em MGF o tempo para fazer outras coisas, a proximidade da família, a remuneração atrativa, o bom ambiente laboral, as condições de trabalho adequadas (incluindo infraestruturas e equipamentos), o reconhecimento e a valorização profissional.

Este questionário da APGF recolheu, no total, 302 respostas: 210 (69,5% do total) por parte de internos de MGF e 92 de especialistas de MGF (30,5%). Percorrendo as diferentes geografias do País, as respostas distribuíram-se percentualmente por Lisboa e Vale do Tejo (42,1%), Centro (31,1%), Norte (10,3%), Alentejo (9,6%), com o remanescente (6,9%) a envolver o Algarve, os Açores e a Madeira. 720 435

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You've got mail! - quando um aumento da acessibilidade não significa melhoria da acessibilidade
Editorial | António Luz Pereira, Direção da APMGF
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No ano de 2021, foram realizadas 36 milhões de consultas médicas nos cuidados de saúde primários, mais 10,7% do que em 2020 e mais 14,2% do que em 2019. Ou seja, aproximadamente, a cada segundo foi realizada uma consulta médica.