Ministro da Saúde diz que recurso a privados é "indesejável", mas possível, e que os CSP devem ser uma das formas de acesso aos serviços de saúde
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02/12/2022 11:31:59
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Jornal Médico
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Ministro da Saúde diz que recurso a privados é "indesejável", mas possível, e que os CSP devem ser uma das formas de acesso aos serviços de saúde

O ministro da Saúde, Manuel Pizarro, afirmou na passada quarta-feira, 30 de novembro, que o recurso a privados é “absolutamente indesejável”, mas admitiu que nalguns casos pode mesmo ter de acontecer para aliviar as urgências hospitalares.

“Eu não estou a relativizar o problema, mas acho que estamos a tomar as medidas que são possíveis para diminuir o fluxo na urgência, procurando outros pontos de contacto no sistema de saúde”, afirmou.

Aconselhou que o primeiro recurso aos serviços de saúde seja via SNS 24, seguido dos Cuidados de Saúde Primários, e lembrou que vai haver equipas nas unidades de internamento de pessoas idosas, assim como o recurso destas equipas à telemedicina.

“O eventual recurso a serviços privados, a aquisição de serviços privados, é neste contexto absolutamente indesejável e é por isso que se chama recurso, é mesmo uma medida de recurso, mas nalguns casos pode ter mesmo de ser”, disse Manuel Pizarro em resposta a uma questão levantada pela deputada do Bloco de Esquerda Joana Mortágua na audição regimental na Comissão da Saúde.

Na sua intervenção, Joana Mortágua questionou o ministro sobre se “vai tomar finalmente a opção ideológica, que nem o PSD teve a coragem de tomar durante a ‘troika’, que é avançar para os cuidados de saúde primários privatizados”, nomeadamente com a criação da USF Modelo C.

Reiterando que se deve tentar evitar esse recurso, o ministro exemplificou que se forem precisos 80 ou 90 lugares de internamento no Hospital Garcia de Orta, em Almada, para aliviar a urgência, não vê outra alternativa.

“Se precisamos de lugares de internamento hoje, nesta semana, para a próxima semana, eu não vejo nenhuma alternativa que não seja encontrar parceiros que nos ajudem a resolver o assunto neste horizonte”, sublinhou.

Insistindo que “é melhor não o fazer”, o ministro avisou que “pior, pior é deixar as pessoas sem atendimento”. “Aliás, por alguma razão, durante todo este tempo nenhum governo socialista regulamentou as USF Modelo C, porque só admitimos regulamentá-lo e só poderemos implementá-lo de forma supletiva, temporária, transitória, localmente estabelecida”, sustentou Manuel Pizarro.

“Eu fico muito preocupado por haver problemas sérios em três ou quatro ou cinco urgências, mas não deixo de registar que isso significa que funcionam de forma regular 80 e tal urgências em cada momento”, afirmou, ressalvando que não está a relativizar o problema.

O ministro sublinhou que a preocupação do Ministério da Saúde é concentrar a sua ação nas urgências que estão a funcionar de “forma difícil” e perceber por que é que estão nessa situação.

“A situação em cada hospital não é exatamente igual, embora eu entenda que o plano que nós apresentámos responde às principais determinantes, que depois tem de ser localmente e em cada momento avaliado, porque a situação não é igual todos os dias”, referiu Manuel Pizarro.

Joana Mortágua indicou que nessa manhã o tempo médio de espera para doentes com pulseira amarela (urgentes) no Hospital de Santa Maria era de nove horas e 30 minutos, o que quer dizer que “o problema não foi resolvido nos últimos dias”. Em resposta, Manuel Pizarro reconheceu que a situação estava mais difícil do que na terça-feira de manhã.

É urgente desburocratizar os Cuidados de Saúde Primários
Editorial | Jornal Médico
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