Vasco Cremon de Lemos: “Aumentar o número de estudantes de Medicina em nada resolve os atuais problemas do SNS”
DATA
20/01/2023 10:09:02
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Jornal Médico
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Vasco Cremon de Lemos: “Aumentar o número de estudantes de Medicina em nada resolve os atuais problemas do SNS”

A Associação Nacional de Estudantes de Medicina (ANEM) manifesta o seu desagrado com a acreditação do Mestrado Integrado em Medicina na Faculdade de Ciências da Saúde, da Universidade Fernando Pessoa, no Porto, por parte da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES). Para Vasco Cremon de Lemos, presidente da ANEM, aumentar o número de estudantes de Medicina não resolve os atuais problemas no Sistema, “uma vez que este crescimento, que assenta essencialmente na atração de estudantes internacionais (80%), não se vai traduzir num maior número de profissionais de Saúde no SNS”.  

Os estudantes de Medicina reivindicam ainda que o Inventário Nacional de Profissionais de Saúde continua por realizar desde 2015 - apesar do apoio de 300 milhões de euros, contemplado no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), para a sua execução -, comprovando-se que estas decisões são tomadas sem que haja previamente um diagnóstico efetivo da Saúde em Portugal e um planeamento racional, no curto, médio e longo-prazo, dos recursos humanos e financeiros. 

Para Vasco Cremon de Lemos, “as decisões políticas tomadas sucessivamente, sem qualquer sustentação objetiva e racional, contribuem para a deterioração da qualidade da formação médica e do atendimento aos doentes” e remata “ao aumentar o número de estudantes de Medicina, vamos assistir a uma degradação da formação médica dos futuros profissionais de Saúde que vão ter menos oportunidades para a prática clínica, menos contacto com os doentes e realizar um menor número de técnicas e procedimentos durante a sua formação”.  

A ANEM alerta ainda que o problema é mais grave na área geográfica do novo curso uma vez que esta alberga já outras três faculdades de Medicina: a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto; o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto e a Escola de Medicina da Universidade do Minho, como indicado pela Comissão de Avaliação Externa da A3ES. As três instituições recebem mais de 500 novos estudantes por ano e colocam mais de 1700 em ensino clínico nas Unidades de Saúde da região.  

Para os futuros médicos, a estratégia política de aumento de vagas em Medicina nas universidades públicas ou privadas, não encontra fundamento científico, não tem em conta as necessidades futuras do setor e não considera os recursos formativos atualmente existentes, tal como ficou expresso na última revisão internacional do sistema de Saúde efetuada pelo Observatório Europeu de Sistemas e de Políticas de Saúde. 

O Presidente da ANEM explica que não existem motivos racionais para a abertura de novos ciclos de estudo, no público ou no privado, e que os argumentos apresentados constituem um engodo, promovendo ideias erróneas de que se estão a resolver problemas estruturais da Saúde. “Enquanto membros da sociedade, estudantes do ensino superior e futuros profissionais de Saúde apelamos que se pare de utilizar a desinformação como arma política e que se acabem com as políticas de Saúde e ensino superior baseadas em subjetivismo e conveniência”, conclui Vasco Cremon de Lemos.  

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