Silva, José Manuel 2
O bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, garantiu no último dia 23 de dezembro que a escala de urgência de neurocirurgia vascular “não foi suspensa nos hospitais por causa dos médicos”, mas de outros profissionais, escusando-se a especificar quais.

Segundo o Centro Hospitalar de Lisboa Central, que engloba o Hospital de São José, a prevenção aos fins de semana da Neurocirurgia-Vascular está suspensa desde abril de 2014 e da Neuroradiologia de Intervenção desde 2013.

“Sendo a prevenção de regime voluntário, existiu indisponibilidade por parte de alguns profissionais para a fazer, o que se deve às alterações dos regimes remuneratórios. Alguns daqueles profissionais rejeitaram os valores atualmente propostos para o pagamento dessas horas de prevenção, o que inviabiliza o indispensável trabalho da equipa”, afirma o CHLC em comunicado.

Segundo José Manuel Silva, “o problema não esteve primariamente nos médicos”, porque “o problema não é de pagamento aos médicos é de pagamento às equipas”.

“Posso garantir que a escala não foi suspensa por causa dos médicos. A escala de prevenção tem valores muito baixos e os profissionais que recebem menos do que os médicos recebem valores ainda mais baixos, por isso o problema não foi primariamente os médicos, mas os médicos precisam de equipa para trabalhar”, afirmou o bastonário.

Esta informação vai ao encontro da prestada pelo CHLC, segundo a qual existem dois neurocirurgiões em permanência no hospital de São José, só que “a cirurgia de urgência dos aneurismas, que é altamente especializada, carece de bloco operatório e de uma equipa de cirurgiões, anestesista, enfermeiros e assistentes operacionais especificamente habilitados para a realizar, não sendo possível efetuá-la com resultados satisfatórios sem as referidas condições técnicas, logísticas e de recursos humanos”.

Os esclarecimentos foram dados na sequência do caso de um jovem, David Duarte, de 29 anos, que foi internado no Hospital de São José no dia 11 de dezembro, tendo-lhe sido diagnosticado uma hemorragia cerebral provocada por um aneurisma e a precisar de uma intervenção cirúrgica rápida.

No entanto, uma vez que nesta instituição não existe ao fim de semana equipas completas de neurocirurgia vascular nem de neurorradiologia de intervenção para que as operações se possam realizar, tal como acontece no Hospital de Santa Maria, o jovem acabou por morrer sem a intervenção recomendada para o seu caso.

José Manuel Silva salvaguardou que nenhum dos dois neurocirurgiões de serviço em São José realizava neurocirurgia vascular, uma técnica muito específica.

Questionado sobre a possibilidade de o hospital tentar contactar para casa um destes especialistas para socorrer o jovem, o bastonário respondeu que o hospital pode tomar essa iniciativa, mas sublinhou que é muito difícil por essa via reunir toda uma equipa complexa, que ainda por cima não está de prevenção e pode não estar disponível.

“Se [o hospital] tivesse contactado, não há nenhum médico que não se disponibilizasse [para socorrer o jovem], mas isso não chega. Já aconteceu no passado, mas é preciso a equipa toda. É um bloco específico, não é o central, e é preciso uma série de profissionais. Há pessoas que não estão imediatamente disponíveis”, explicou.

David Duarte deu primeiramente entrada no Hospital de Santarém paralisado do lado direito, tendo sido observado e posteriormente transferido para o Hospital de São José com a indicação de uma hemorragia cerebral e um hematoma.

Segundo a diretora clínica, Maria Lopes, o Hospital de Santarém seguiu os procedimentos normais, tendo contactado o Hospital de São José – Hospital com urgência polivalente que dá apoio ao de Santarém – e informado do estado clínico do doente.

“O doente foi observado e foi feito o diagnóstico, havendo indicação para ser transferido para urgência de nível superior. Quando o doente é transferido, o hospital [que o vai receber] é informado do seu estado clínico e ou aceita ou não aceita e explica por que não aceita. Neste caso, São José aceitou-o e ele foi transferido”, contou.

Lusa/Jornal Médico

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hospitalsjosé
Os presidentes da ARSLVT, do centro Hospitalar de Lisboa Central e do Centro Hospitalar Lisboa Norte demitiram-se ontem (22 de dezembro), na sequência da morte de um homem no Hospital de São José, em Lisboa, por falta de um neurocirurgião.

A demissão dos responsáveis da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT), Luís Cunha Ribeiro, do Centro Hospitalar Lisboa Central, Teresa Sustelo, e do Centro Hospitalar de Lisboa Norte, Carlos Martins, foi anunciada ontem ao princípio da noite, no Ministério da Saúde, numa comunicação dos três responsáveis sem direito a perguntas dos jornalistas.

O jornal Correio da Manhã noticiou ontem que David Duarte, de 29 anos, foi transferido de urgência para o Hospital de São José, devido a uma hemorragia cerebral resultante de um aneurisma, com indicação para ser operado de imediato, mas não o foi porque aquela unidade hospitalar não tinha um neurocirurgião disponível.

Na comunicação, Luís Cunha Ribeiro adiantou que "foram tomadas medidas" para que situações análogas não voltem a acontecer.

"A partir de agora, foi autorizado que passe a haver resposta para situações deste género. Hoje, doentes em situações semelhantes não terão o mesmo destino do que ocorreu há uma semana", declarou.

Luís Cunha Ribeiro, que lamentou o ocorrido e endereçou condolências à família do jovem que morreu, disse que a ARSLVT solicitou ao conselho de administração do Centro Hospitalar Lisboa Central a instauração de um inquérito, o mesmo fazendo junto da Inspeção-Geral da Saúde.

"Enquanto presidente da ARS e com responsabilidade em todos os hospitais [da ARS de Lisboa e Vale do Tejo] acabei de apresentar a minha demissão ao ministro da Saúde", disse a seguir, na curta declaração, explicando que não responderia a perguntas dos jornalistas por o caso estar a ser alvo de um inquérito.

Os presidentes dos centros hospitalares Lisboa Central e Lisboa Norte, que também se demitiram e estavam presentes, não fizeram qualquer declaração.

Cunha Ribeiro lamentou que, "nos últimos anos", não tivesse havido recursos humanos de forma a impedir a morte de pessoas por falta de assistência.

Lusa/Jornal Médico

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quinta-feira, 01 outubro 2015 11:03

Cinco CH aprovados como referência em seis áreas

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Cinco centros hospitalares foram aprovados como referência nas áreas de epilepsia refratária, Onco-oftalmologia, paramiloidose familiar, transplantes pulmonares, do pâncreas e hepáticos, revelou à Lusa o presidente da Comissão Nacional para os Centros de Referência.

De acordo com o neurocirurgião João Lobo Antunes, está elaborada a lista das instituições que, a partir de agora, são os centros de referência para estas doenças.

Para a epilepsia refratária, foram aceites como centros de referência o Centro Hospitalar do Porto (CH Porto), o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) e os Centros Hospitalares de Lisboa Ocidental (CHLO), Lisboa Central (CHLC) e Lisboa Norte (CHLN).

O CHUC é, a partir de agora, o centro de referência para a área de Onco-oftalmologia.

Para a paramiloidose familiar, as unidades eleitas foram o CH Porto e o CHLN.

O centro de referência para o transplante pulmonar é o CHLC, enquanto que para o transplante de pâncreas o CH Porto e o CHLC foram as unidades de saúde com condições para este reconhecimento.

Os centros de referência para o transplante hepático são o Centro Hospitalar do Porto, o CHUC (Coimbra) e o CHLC (Lisboa).

Segundo João Lobo Antunes, candidataram-se a centros de referência para as áreas dos cancros raros, da transplantação de órgãos e de doenças genéticas 116 instituições.

No entanto, numa primeira fase, apenas foram analisadas as 18 candidaturas às áreas de epilepsia refratária, onco-oftalmologia, paramiloidose familiar, transplantes pulmonares, do pâncreas e hepáticos.

A segunda fase incluirá as 32 candidaturas recebidas para centros de referência para as áreas de oncologia de adultos (cancro do testículo e sarcomas das partes moles e ósseos), transplante do coração, transplantação cardíaca pediátrica, renal em adultos e renal pediátrica.

Para a terceira fase, oncologia de adultos – cancro do esófago, do reto e hepatobiliopancrerático, foram recebidas 66 candidaturas.

Fonte do gabinete do ministro da Saúde disse à Lusa que é objetivo de Paulo Macedo aprovar esta primeira lista antes do final do mandato.

Segundo João Lobo Antunes, a análise das candidaturas, que respondem a exaustivos critérios, exige da comissão um árduo trabalho, pelo que este está a ser realizado por fases.

Contudo, o neurocirurgião congratula-se com o facto de, a partir de agora, os portugueses saberem “onde estão os centros de excelência” em áreas complexas.

Um centro de referência é um serviço, departamento ou unidade de saúde, reconhecido como o expoente máximo de competências na prestação de cuidados de saúde de elevada qualidade.

Lusa/Jornal Médico

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maternidadealfredodacosta
A falta de médicos e enfermeiros está a provocar “o caos” na Maternidade Alfredo da Costa (MAC), em Lisboa, situação que obriga algumas puérperas a recuperar do parto nas urgências, segundo fontes desta unidade.

“Não nos fecham por fora, mas estão a fechar-nos por dentro”, disse Ana Cristina Ranha, enfermeira e dirigente sindical na MAC, referindo-se à falta de profissionais que se acentuou nos últimos tempos e que deverá piorar no próximo mês de outubro.

Em declarações à agência Lusa, Ana Cristina Ranha disse que a situação na MAC está “caótica”: “Estamos a entrar em momento caos, com muita gente cheia de vontade de sair”.

A enfermeira explicou que a falta de pessoal não é de hoje, mas agravou-se com a transferência de profissionais dos hospitais para os centros de saúde, mediante os concursos internos entretanto abertos.

“O concurso mais recente na Administração Regional de Saúde (ARS) de Lisboa e Vale do Tejo deverá levar da MAC cerca de 30 enfermeiros, profissionais que concorrem porque lhe oferecem outro tipo de condições”, disse.

Esta transferência “vai agravar ainda mais a situação. Alguns [enfermeiros] já estão ausentes”.

Ana Cristina Ranha, que trabalha na neonatalogia – o maior serviço da MAC – acrescentou que nesta unidade vão sair 10 enfermeiros e que, atualmente, as equipas que permanentemente deveriam ter 12 profissionais, só têm 10.

A enfermeira tem receio do impacto desta redução que se aproxima: “Ou vamos assumir os cuidados com elementos a menos, correndo mais riscos, ou temos de fazer turnos extraordinários com maior frequência”.

Em qualquer das soluções, sublinhou, os profissionais irão sujeitar-se a mais situações de stress.

A falta de enfermeiros na MAC também tem obrigado a que algumas puérperas recuperem do parto no espaço das urgências, onde não usufruem da devida privacidade, além de contribuírem para entupir este serviço.

Isto porque atualmente apenas está aberta uma das duas salas de puerpério que já estiveram a funcionar em simultâneo. Nos dias em que a única sala, com capacidade para 30 mulheres e respetivos filhos, está cheia, as puérperas são encaminhadas para as urgências.

No caso dos médicos, o panorama também não é animador. Uma fonte da MAC disse à Lusa que é elevado o número de médicos com mais de 50 anos a fazer urgência, quando a lei os dispensa da urgência noturna a partir desta idade.

A mesma fonte lamentou que os internos que ali são formados não tenham depois a possibilidade de continuar a trabalhar na MAC, impedindo a resolução, em parte, do problema de falta de pessoal clínico.

De acordo com a edição de hoje do Correio da Manhã, a MAC recusou na noite passada receber grávidas de risco “devido a falta de pessoal médico”.

Questionado pela Lusa, o Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC) confirmou que, “na noite passada, por doença súbita de um especialista que integrava a equipa de urgência na MAC foi pedido ao Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) o não encaminhamento de doentes de risco para aquela unidade”.

“O atendimento normal da urgência nunca esteve em causa e não houve necessidade de transferir utentes para qualquer outra unidade hospitalar. A situação encontra-se resolvida”, lê-se no esclarecimento do CHLC.

Cunha Ribeiro, presidente da ARS de Lisboa e Vale do Tejo, disse à Lusa desconhecer a falta de médicos e enfermeiros na MAC.

Centro Hospitalar da MAC garante que ARS de Lisboa sabe que faltam profissionais

O Centro Hospitalar de Lisboa Central, a que pertence a Maternidade Alfredo da Costa (MAC), garantiu hoje que a Administração Regional de Saúde (ARS) de Lisboa e Vale do Tejo tem conhecimento das necessidades de recursos humanos do CHLC.

O CHLC esclareceu que “estão previstas saídas e entradas de enfermeiros em todo o centro hospitalar, em virtude dos concursos de admissão abertos pela ARS de Lisboa e Vale do Tejo e dos pedidos de contratação realizados”.

“As necessidades de recursos humanos do CHLC estão identificadas e são do conhecimento da ARSLVT, tendo sido promovidas as competentes diligências para obter as respetivas autorizações para a contratação de médicos e enfermeiros”, lê-se na nota do CHLC.

Lusa/Jornal Médico

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medicos

Os médicos do Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC) decidiram começar a usar os descansos compensatórios por trabalho nocturno, apesar de a administração ter emitido uma circular a suspender a aplicação desta lei.

Esta tomada de posição dos médicos foi sugerida pelo Sindicato Independente dos Médicos (SIM), que tem vindo a alertar para os riscos que correm os médicos e os doentes sempre que os clínicos não podem usufruir do descanso compensatório.

Este descanso, previsto na lei, tem de ser gozado pelos médicos sempre que estes trabalhem em período nocturno, domingos e dias de feriado.

No entanto, uma circular da administração do CHLC, a que a Lusa teve acesso, refere que “não terão aplicação concreta” as circulares da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) que determinam o cumprimento da lei dos descansos compensatórios.

No seguimento desta atitude do CHLC, o SIM reuniu-se com a administração da instituição, no passado dia 23 de Abril, tendo esta avançado que iria apresentar várias hipóteses de solução para o problema.

De acordo com o secretário-geral do SIM, Jorge Roque da Cunha, a situação no CHLC é de “calamidade anunciada” por causa da falta de pessoal.

Sobre esta situação, o dirigente sindical lamentou que o conselho de administração do CHLC tenha “assistido impávido e sereno à saída de médicos para a pré-reforma e para o privado”.

“Foi a época dos Contratos Individuais de Trabalho (CIT) milionários, numa altura em que não existiam concursos”, lembrou.

Jorge Roque da Cunha critica, contudo, que a administração do CHLC tente resolver o problema da falta de pessoal violando a lei e impedindo os médicos de usufruírem do descanso compensatório, o que “põe em risco os médicos e os doentes”.

“A atitude [da administração] tem sido de muita incompreensão em relação às necessidades dos médicos, nomeadamente em relação ao descanso compensatório”.

Segundo Jorge Roque da Cunha, o SIM ainda não recebeu as propostas de resolução do problema por parte do CHLC.

A proposta que o SIM apresentou aos médicos foi para que, a partir da próxima semana, estes comuniquem que vão usufruir dos descansos compensatórios, para que as direcções não os escalem no período normal de trabalho semanal.

Além de exigir “responsabilidade” da parte do conselho de administração do CHLC, o SIM apelou “vivamente aos directores de serviço para que exerçam os seus poderes”.

“É fundamental que os directores de serviço exerçam as suas competências de direcção e as questões éticas e deontológicas, ao invés de aparentarem subserviência que pode pôr em causa a segurança dos doentes e dos médicos”, disse.

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Greve
O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses decidiu hoje avançar para uma greve dos profissionais do Centro Hospitalar de Lisboa Central, no dia 26 deste mês, segundo declarações de uma dirigente sindical à Lusa.

Guadalupe Simões indicou que esta foi a decisão tomada no plenário de trabalhadores que se realizou hoje, no Hospital de São José, em Lisboa, embora ainda falte emitir o pré-aviso de greve.

De acordo com a sindicalista, na base da decisão para avançar para a greve está a saída de muitos enfermeiros do Centro Hospitalar de Lisboa Central, sem que tenha havido reposição de profissionais.

O Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC) engloba os hospitais de São José, Capuchos, Santa Marta, Curry Cabral, Maternidade Alfredo da Costa e D. Estefânia.

“Há uma desregulamentação total dos horários dos enfermeiros, que se encontram exaustos e a fazer turnos seguidos sem folgas”, explicou.

Esta semana o Sindicato já realizou plenários de trabalhadores em três unidades hospitalares do CHLC, tendo hoje ficado decidido avançar para a greve no dia 26 de Agosto.

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paulomacedo1O ministro da Saúde negou hoje que os hospitais centrais recusem doentes fora da sua área de referenciação, lembrando que o Serviço Nacional de Saúde "caminha" para a "liberdade de escolha".

Em Braga, à margem de uma conferência na Universidade do Minho, Paulo Macedo defendeu a existência de unidades de proximidade e a necessidade de "afinar as redes de referenciação".

O titular da pasta da Saúde alertou ainda que se a população recorrer toda a um hospital central o financiamento "vai cada vez mais" para os grandes hospitais, ficando as unidades de proximidade sem financiamento.

"Não há recusa de um hospital em receber doentes. Os hospitais recebem doentes de acordo com as regras de referenciação. O caso de consultas tem uma referenciação predominantemente do conjunto dos seus centros de saúde, no caso de certas patologias ou áreas diferenciadas, um hospital, designadamente o central, recebe referenciações de toda uma área enorme", disse.

Segundo o ministro, que reafirmou a utilidade de unidades hospitalares de proximidade, a liberdade de escolha é o caminho mas tem que ser feita com reservas.

"Temos que manter, afinar as redes de referenciação, caminhar no sentido de liberdade de escolha, fazer tudo de forma muito ponderada para não enchermos os hospitais mais diferenciados com casos que podem ser tratados nos hospitais de maior proximidade, e todos defendemos a existência de unidades de maior proximidade", disse.

Até porque, alertou, "se as pessoas quiserem todas ocorrer a um hospital central, o mais diferenciado", para tratar patologias que possam ser tratadas na sua área de referenciação, "o financiamento vai cada vez mais para os hospitais grandes e os de proximidade ficam sem financiamento".

Paulo Macedo esclareceu, assim, que se pode recorrer aos hospitais centrais mas não em qualquer situação. "Devem ir para aquilo que é necessário", disse.

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[caption id="attachment_5477" align="alignleft" width="300"]hospital de d. estefania "Não tendo a Ordem dos Médicos (OM) competências em matéria de fiscalização de blocos operatórios não pode realizar quaisquer actividades inspectivas", refere a administração do Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC)[/caption]

O Centro Hospitalar de Lisboa Central considera que a Ordem dos Médicos não tem competências para fiscalizar blocos operatórios nem para realizar acções inspectivas, justificando assim a recusa de uma avaliação técnica aos blocos do hospital D. Estefânia (Lisboa),

"Não tendo a Ordem dos Médicos (OM) competências em matéria de fiscalização de blocos operatórios não pode realizar quaisquer actividades inspectivas", refere a administração do Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC), em resposta à Lusa.

A Ordem dos Médicos manifestou, em comunicado, “profunda estranheza” com a proibição da administração do Centro Hospitalar de Lisboa Central a uma avaliação técnica aos blocos cirúrgicos do Hospital D. Estefânia, e solicitou a intervenção do ministro da Saúde.

Na resposta enviada à Lusa, o Centro Hospitalar alega ainda que "não existem quaisquer razões de facto e de direito que justifiquem qualquer visita".

Para a administração, o CHLC não pode permitir que uma entidade, por iniciativa própria, "prosseguindo fins que lhe são estranhos, realize actividades nas instalações hospitalares".

Na nota divulgada no site, a Ordem comunica à população que “desconhece, pelo que não garante, a qualidade das instalações e do potencial de funcionamento dos blocos cirúrgicos do Hospital D. Estefânia”.

O comunicado recorda que estes blocos cirúrgicos, que seriam destinados à actividade da Maternidade Alfredo da Costa (MAC) se para aí tivesse sido deslocalizada, estão encerrados por razões organizativas e de gestão.

A pedido de um grupo de clínicos da MAC, a Ordem solicitou, a 08 de Novembro, ao conselho de administração do Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC), autorização para realizar uma visita de avaliação técnica das condições de funcionamento dos blocos cirúrgicos, que seria realizada a 14 de Novembro.

Segundo a Ordem, esta “avaliação independente” justificava-se na sequência de uma acção inspectiva da Direcção-Geral da Saúde, em Julho, que concluía que a manutenção de alguns equipamentos não apresentava os níveis habituais de um bloco em pleno funcionamento, mas sem colocar em causa a saúde pública.

Contudo, nos dias 12 e 13 de Novembro, a administração do Centro Hospitalar responsável pelo Estefânia enviou dois faxes à Ordem dos Médicos, o primeiro a questionar a legalidade e finalidade da visita e o outro a proibir a visita.

Na nota, a Ordem explica que, “por justificadas razões”, os faxes não chegaram a ser vistos atempadamente, e, no dia 14 de Novembro, os representantes de vários colégios de especialidade deslocaram-se à Estefânia, sendo então informados da não autorização da visita.

"A Ordem dos Médicos não pode deixar de manifestar a sua profunda estranheza pelo facto de o CA do CHLC recear e proibir uma visita técnica e independente da Ordem dos Médicos aos blocos cirúrgicos do Hospital Dona Estefânia”, acrescenta.

Alegando desconhecer a qualidade daquelas instalações, a Ordem “solicita autorização pública” ao ministro da Saúde para a realização da visita.

JM/Lusa

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800 milhões de euros para o Serviço Nacional de Saúde
Editorial | Jornal Médico
800 milhões de euros para o Serviço Nacional de Saúde

Se não os tivéssemos seria bem pior! O reforço do Programa Operacional da Saúde com 800 milhões de euros pode ser entendido como sinal político de valorização do setor da saúde. Será uma viragem na política restritiva? O Serviço Nacional de Saúde (SNS) de 40 anos precisa de cuidados intensivos! Há novos enquadramentos, novas responsabilidades, novas ideias e novas soluções. É urgente pensarmos na nova década com rigor e disponibilidade sincera.

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