[caption id="attachment_5034" align="alignleft" width="300"]silvajosemanuel1 Em declarações à comunicação social, José Manuel Silva disse que existem problemas nos serviços de saúde de todo o país por via dos cortes impostos “além do que foi preconizado pela ‘Troika’” mas que no caso do Algarve verifica-se “uma agudização de todos os problemas e uma péssima gestão dos recursos humanos”[/caption]

Uma inspecção à gestão do Centro Hospitalar do Algarve (CHA) e um inquérito sobre as afirmações do presidente do Conselho de Administração sobre a actuação dos médicos daquela entidade foram solicitadas pela Ordem dos Médicos, revelou o Bastonário.

“Achamos absolutamente essencial que o ministro da Saúde tire as suas conclusões e tome providências mas que também a Inspecção Geral das Actividades em Saúde faça o seu papel e tal como já foi solicitado por escrito pela Ordem dos Médicos faça uma inspecção ao CHA, disse o bastonário José Manuel Silva, após uma reunião com vários médicos no Algarve, na passada sexta-feira.

Em causa estão um abaixo-assinado que reúne as assinaturas de 182 médicos do Centro Hospitalar do Algarve a denunciar a falta de condições nos hospitais que integram o CHA e queixas de doentes que se deparam com faltas de material.

[caption id="attachment_1312" align="alignleft" width="300"]NunesPedro.jpg O ambiente no CHA adensou-se mais desde que foram conhecidas as afirmações à comunicação social do presidente do Conselho de Administração do CHA, e ex-bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes (na imagem), apelidando de “burros” e “tontos” os médicos do serviço de cardiologia que informaram um doente que não poderiam realizar um exame por falta de material[/caption]

O ambiente naquele CHA adensou-se mais desde que foram conhecidas as afirmações à comunicação social do presidente do Conselho de Administração do CHA, e ex-bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes, apelidando de “burros” e “tontos” os médicos do serviço de cardiologia que informaram um doente que não poderiam realizar um exame por falta de material.

Em declarações à comunicação social, José Manuel Silva disse que existem problemas nos serviços de saúde de todo o país por via dos cortes impostos “além do que foi preconizado pela ‘Troika’” mas que no caso do Algarve verifica-se “uma agudização de todos os problemas e uma péssima gestão dos recursos humanos”.

O bastonário lamentou a situação vivida no Centro Hospitalar Algarvio e comentou que estes episódios são prejudiciais ao propósito de atrair para o Algarve mais médicos especialistas.

Sobre os comentários de Pedro Nunes relativamente aos médicos de cardiologia, o presidente do Conselho Distrital do Algarve da Ordem dos Médicos, Ulisses Brito, considerou em comunicado que Pedro Nunes “ao recorrer ao insulto dos médicos que cumprem o seu dever (…) só revela que não preza os profissionais da sua Instituição”.

Caso as afirmações de Pedro Nunes sejam consideradas uma violação de preceitos éticos do Código Deontológico, José Manuel Silva diz que as consequências poderão variar entre uma repreensão ou uma censura.

“Não me parece que se chegasse a uma situação de suspensão e certamente nunca a uma situação de expulsão”, acrescentou.

As condições de atendimento do CHA e as polémicas com o presidente do Conselho de Administração foram motivo para que a Comunidade Intermunicipal do Algarve e o ministro da Saúde se reunissem hoje.

Segundo o presidente da Comunidade Intermunicipal do Algarve, Jorge Botelho, considerou que Pedro Nunes está numa “posição insustentável” e sem condições para continuar a gerir aquele Centro Hospitalar.

Published in Atualidade

[caption id="attachment_5787" align="alignleft" width="300"]pedronunes “Os autarcas do Algarve têm a percepção que o Dr. Pedro Nunes se colocou, ele próprio, numa posição insustentável para gerir o centro hospitalar. Agora cabe ao senhor ministro tomar as decisões”, afirmou o presidente da Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL), Jorge Botelho, referindo-se ao presidente do conselho de administração do CHA[/caption]

Os autarcas algarvios transmitiram ao Ministro da Saúde que o presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar do Algarve está numa “posição insustentável” para gerir os hospitais de Faro, Portimão e Lagos, afirmou o presidente da Comunidade Intermunicipal.

A posição foi manifestada pelos autarcas algarvios a Paulo Macedo durante uma reunião realizada no Ministério da Saúde para debater a situação da sector na região, depois de um grupo de 180 médicos ter feito um abaixo-assinado a denunciar a falta de condições dos hospitais que integram o Centro Hospitalar do Algarve (CHA) e de queixas de doentes que se deparam com faltas várias.

“Os autarcas do Algarve têm a percepção que o Dr. Pedro Nunes se colocou, ele próprio, numa posição insustentável para gerir o centro hospitalar. Agora cabe ao senhor ministro tomar as decisões”, afirmou o presidente da Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL), Jorge Botelho, referindo-se ao presidente do conselho de administração do CHA.

Jorge Botelho frisou que os autarcas entendem que Pedro Nunes, antigo bastonário da Ordem dos Médicos, se colocou nessa “posição insustentável” pelas “posições que recentemente tem tomado de confronto com toda a gente” e transmitiram essa ideia a Paulo Macedo, que “registou” mas disse que só em “casos excepcionais é que procede a alguma substituição” nas administrações.

Jorge Botelho, que preside também à Câmara de Tavira, disse que no Algarve há uma “percepção de falta de confiança e clima instalado entre a classe médica, a classe do centro hospitalar, entre os profissionais do sector e que se está a transmitir à população com faltas várias, de medicamentos, de consumíveis, adiamento de consultas, meios complementares de diagnóstico ou de cirurgias, que obviamente têm muito também a ver com a falta de médicos”.

A falta de clínicos e de atractividade da região para os médicos foi outro dos assuntos debatidos na reunião de mais de duas horas, assim como o Centro de Medicina Física e Reabilitação do Sul, em São Brás de Alportel, que Paulo Macedo garantiu que “iria continuar e com o padrão de qualidade que teve até aqui, segundo Jorge Botelho.

“Houve um conjunto de compromissos, falámos do número de médicos, ou da falta deles, que era a nossa percepção que faltam médicos, faltava um corpo de enfermagem, e o senhor ministro para isso disse-nos que estava prevista a abertura de um concurso para reforço de médicos e que estava muito preocupado com a situação, por causa da questão de o Algarve ter muita gente ao longo do ano e especialmente no verão”, contou ainda Jorge Botelho.

Foi ainda dada a garantia pelo ministro, segundo o autarca, de que se iriam “manter-se os centros hospitalares existentes” e de “de que se iriam manter [os hospitais] de Faro, Portimão e Lagos, obviamente com a preocupação do reforço dos médicos e as questões da logística a ela associada, para que haja prestação de cuidados eficazes à população”.

Jorge Botelho concluiu que o objectivo da AMAL é que o Algarve tenha “acesso a cuidados de saúde eficazes e sem faltas”, preocupação que é partilhada pelo ministro da Saúde.

Published in Atualidade

[caption id="attachment_5787" align="alignleft" width="300"]pedronunes “É absolutamente ridículo e uma deslealdade dizer que faltam medicamentos oncológicos ou que faltam medicamentos do HIV”, declarou o presidente do Centro Hospitalar do Algarve (CHA), Pedro Nunes, admitindo, todavia, que há dificuldades, mas não têm a “dimensão que as pessoas quiseram colocar”[/caption]

O presidente da administração do Centro Hospitalar do Algarve classificou de “ridículo” e “desleal” alguns médicos andarem a dizer que há falta de medicamentos em Faro e Portimão e que as cirurgias são adiadas por falta de material.

“É absolutamente ridículo e uma deslealdade dizer que faltam medicamentos oncológicos ou que faltam medicamentos do HIV”, declarou o presidente do Centro Hospitalar do Algarve (CHA), Pedro Nunes, admitindo, todavia, que há dificuldades, mas não têm a “dimensão que as pessoas quiseram colocar”.

Um abaixo-assinado subscrito por 182 médicos denunciou a existência de adiamentos de cirurgias programadas no CHA, por falta de material, e que havia falta de medicamentos.

Segundo Pedro Nunes, quando havia muito dinheiro, normalmente comprava-se no mês de Novembro para o mês de Janeiro e Fevereiro e depois faziam-se as contas tranquilamente.

Agora “há uma coisa inventada pela ‘troika’ chamada Lei dos Compromissos em que não pode haver qualquer tipo de derrapagem financeira. Em Dezembro a dificuldade é comprar para Dezembro e está fora de causa comprar para Janeiro sem violação da lei”, explicou.

Pedro Nunes admitiu a existência pontual de falta de um medicamento, mas assegurou que o problema foi resolvido a tempo.

“Acho lamentável que haja aproveitamento político destas situações, porque o Algarve precisa de tranquilidade e realmente não serve de nada as pessoas do turismo andarem pelo mundo inteiro a tentar vender a ideia de que Portugal é um sítio óptimo para as pessoas virem de férias ou estar e depois (…) lerem que os hospitais do Algarve estão em ruptura disto ou daquilo, quando na realidade se faz um esforço tremendo (…), até ao esgotamento, para que não falhe nada neste contexto muito difícil que o país atravessa”, afirmou.

“O doente, se por qualquer motivo chegou e não existia um medicamento, esse medicamento é pedido emprestado, é imediatamente desencadeado o processo para pagar o empréstimo e portanto não houve até agora nenhuma falha significativa nos hospitais, tanto de Faro, como Portimão e portanto estar a levantar essa insegurança é inaceitável”.

Sobre a acusação de alguns médicos andarem a dizer que houve cirurgias adiadas por falta de material, Pedro Nunes recordou que já há mais de um ano que as cirurgias programadas são feitas com pelo menos 15 dias de antecedência, só que continuam muItas vezes a ser feitas de véspera.

“Há uns anos, cada um fazia o que lhe apetecia e comprava o que queria e não havia nenhum controlo e por isso é que este hospital de Faro tinha 70 milhões de dívida”, mas agora as coisas começaram a ser controladas e programadas com antecedência, porque a lei obriga”, referiu o médico e administrador.

Pedro Nunes relembrou aos médicos que é necessário colaborar e informar com antecedência os serviços de aprovisionamento daquilo que vão necessitar, porque “hoje em dia o procedimento burocrático é mais lento”.

O facto dos dois hospitais [Faro e Portimão] se terem juntado e se ter criado o CHA também trouxe dificuldades, porque os sistemas informáticos e as aplicações são diferentes e todo o plano informático foi modificado este ano, estando a falar-se de mais cinco mil produtos e mais de 1.500 medicamentos.

Os 16 presidentes de câmara do Algarve vão reunir-se hoje para discutirem o abaixo-assinado subscrito por 182 médicos do CHA.

Published in Medicamento

[caption id="attachment_5759" align="alignleft" width="300"]hospitaldefaro Os médicos queixam-se da degradação dos cuidados de saúde prestados à população algarvia, exemplificando com os frequentes adiamentos de cirurgias programadas, por falta de material, os atrasos na realização de exames e a falta de medicamentos[/caption]

Os 16 presidentes de câmara do Algarve reunem-se hoje para discutirem um abaixo-assinado subscrito por 182 médicos do Centro Hospitalar do Algarve (CHA), informou o presidente da Comunidade Intermunicipal (AMAL).

Em declarações à Lusa, Jorge Botelho considerou "grave" o conteúdo do documento, que disse ter recebido na sexta-feira, acrescentando que os autarcas algarvios vão avaliá-lo na segunda-feira para emitirem uma tomada de posição.

O abaixo-assinado, que denúncia as más condições dos hospitais de Faro e Portimão, é subscrito por 182 de um universo de 230 médicos especialistas efectivos daquelas duas unidades, ou seja, aproximadamente 80%.

Os médicos queixam-se da degradação dos cuidados de saúde prestados à população algarvia, exemplificando com os frequentes adiamentos de cirurgias programadas, por falta de material, os atrasos na realização de exames e a falta de medicamentos.

De acordo com o documento, a que a Lusa teve acesso, não houve, desde a criação do centro, no verão passado, "qualquer melhoria" na qualidade da Urgência, nomeadamente em Portimão, "que passa frequentemente por situações ridículas, ao melhor estilo dos países em vias de desenvolvimento".

Os médicos acusam ainda a administração do CHA de falta de diálogo para com os profissionais de saúde, o que "muito prejudica os doentes", uma vez que não são ouvidas as opiniões técnicas dos médicos especialistas.

"Está em curso todo um processo que leva ao descrédito dos serviços hospitalares, por parte de quem os utiliza", resumem.

O documento foi enviado à administração do CHA, presidida pelo ex-bastonário da Ordem dos Médicos Pedro Nunes, mas também ao ministro da Saúde, actual bastonário, presidente da ARS/Algarve, Comissão Parlamentar de Saúde e AMAL.

Published in Atualidade
Pág. 5 de 5
COVID e não-COVID: Investimentos para resolver novos e velhos problemas
Editorial | Rui Nogueira, Médico de Família e presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar
COVID e não-COVID: Investimentos para resolver novos e velhos problemas

Acertar procedimentos e aperfeiçoar métodos de trabalho. O estado de emergência terminou e o estado de calamidade passou, mas o problema de saúde mantem-se ativo. É urgente encontrar uma visão inovadora e adotar uma nova estratégia. As unidades de saúde precisam de encontrar respostas adequadas e seguras.

Mais lidas