hospitaldesaojoao
O Hospital de São João, Porto, acusou hoje o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) de “violar todas as regras da ética profissional” ao anunciar ter realizado, em outubro, o primeiro transplante de tecido ovárico em Portugal.

Numa exposição enviada ao presidente do Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida, Eurico Reis, a administração do Centro Hospitalar de São João reivindica para si esse feito, afirmando ter efetuado a 8 de janeiro deste ano o primeiro transplante de tecido ovário em Portugal.

“Tratou-se de uma jovem a quem tinham sido retirados os ovários aos 18 anos de idade e a quem 10 anos depois este transplante permitiu restabelecer a função ovárica e inclusive a criopreservação de um blastocisto após a realização de um ciclo de fertilização 'in vitro'. O caso clínico foi recentemente aceite para publicação na prestigiada revista da especialidade Reproductive Biomedicine Online”, afirmam os responsáveis do Hospital de São João.

O texto é assinado pelo presidente do Conselho de Administração, António Ferreira, pelo diretor do Serviço Ginecologia e Obstetrícia, Nuno Montenegro, e pela responsável da Unidade de Medicina de Reprodução, Sónia Sousa, do Centro Hospitalar de São João.

“O procedimento efetuado constituiu um motivo de orgulho não apenas para a equipa da Unidade de Medicina da Reprodução que o levou a cabo mas também para a própria instituição Centro Hospitalar de São João. Orgulha-nos o serviço prestado à paciente bem como o impacto clínico do mesmo uma vez que, como anteriormente referido, foi efetuado pela primeira vez em Portugal”, lê-se na exposição.

Acrescenta que na devida altura este facto “foi devidamente divulgado pelos meios de comunicação social para além de ter sido igualmente comunicado publicamente em reuniões científicas perante colegas dedicados ao estudo e tratamento da infertilidade”.

“Apesar disso, em abril de 2015 foi divulgado pela diretora do Serviço de Medicina da Reprodução do Centro Hospitalar de Coimbra, Teresa Almeida Santos, através dos meios de comunicação social, a intenção de proceder a um suposto primeiro transplante de tecido ovárico em Portugal”, salientam os responsáveis do São João.

Sublinham que Teresa Almeida Santos, até porque é presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução, foi “publicamente e reiteradamente” informada do facto de nessa data já ter sido efetuado um transplante desse tipo no Porto.

“Para nosso espanto fomos esta semana confrontados com a notícia de que os responsáveis do Centro Hospital da Universidade de Coimbra, nomeadamente a diretora do Serviço de Medicina da Reprodução, divulgaram a realização de um suposto primeiro transplante de tecido ovárico em Portugal em outubro de 2015”, referem.

António Ferreira, Nuno Montenegro e Sónia Sousa consideram, por isso, que a atitude dos responsáveis pelo Centro Hospitalar de Coimbra “constitui um desrespeito para com os profissionais envolvidos na realização do primeiro transplante de tecido ovárico em Portugal, mas também para com todos os restantes profissionais aos quais, direta ou indiretamente o assunto diz respeito”.

“Perante os factos, o Centro Hospitalar de São João enviou uma exposição ao Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida para que possa proceder da forma que entenda adequada”, acrescentam.

A 23 de novembro, uma equipa do CHUC anunciou ter realizado, com êxito, o primeiro transplante em Portugal de tecido ovárico congelado, devolvendo a capacidade reprodutiva a uma doente oncológica.

“Trata-se de um grande avanço, que dá uma nova esperança aos nossos doentes oncológicos que ainda não têm o seu projeto familiar concluído e onde o nosso hospital dá um real contributo ao nosso país”, disse, na ocasião, o presidente do CHUC, José Martins Nunes, em conferência de imprensa.

O transplante numa doente de 28 anos foi efetuado no serviço de Medicina de Reprodução Humana do CHUC, dirigido pela professora Teresa Almeida Santos.

Em outubro, perante a “ausência de função ovárica”, sendo os valores hormonais de menopausa, o serviço e a doente tomaram a decisão de realizar transplante “com fragmentos do seu tecido ovárico que se encontrava crioconservado” no Centro de Preservação da Fertilidade do CHUC, disse, então, Teresa Almeida Santos aos jornalistas.

Para a chefe da equipa de médicos e biólogos que efetuou o transplante, este método, “utilizado pela primeira fez em Portugal, é uma nova esperança para os doentes oncológicos que ainda não têm o seu projeto familiar concluído”.

De acordo com uma nota distribuída na altura aos jornalistas, o Centro de Preservação da Fertilidade, inaugurado em 2014, é “o único centro nacional dotado de instalações próprias e equipa multidisciplinar dedicada”, promovendo as diferentes técnicas de preservação da fertilidade em homens e mulheres.

O CHUC realçava que a atividade clínica deste centro tem vindo a aumentar “graças à referenciação crescente, tendo sido preservado até ao momento tecido ovárico de 37 doentes e ovócitos de 81”.

Hospital de Coimbra nega ter violado ética profissional ao anunciar transplante

Por sua vez o CHUC negou ter violado regras da ética profissional na realização do transplante, refutando as acusações do Hospital de São João.

“O que nós fizemos foi a realização de um transplante de tecido ovárico criopreservado de uma doente oncológica antes de se submeter a um tratamento de quimioterapia”, disse à agência Lusa a diretora do serviço de Medicina de Reprodução Humana do CHUC, Teresa Almeida Santos.

Essa intervenção numa doente, de 28 anos, visou “preservar a sua fertilidade futura” e foi realizada, no início de novembro, no âmbito do programa de preservação da fertilidade iniciado, em 2010, naquele serviço do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, acrescentou.

“Trata-se de um mal-entendido”, disse Teresa Almeida Santos, que é também presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução. “Tanto quanto sei, o transplante realizado no Hospital de São João não foi realizado numa doente oncológica, nem no âmbito de um programa de preservação da fertilidade”, afirmou hoje à Lusa.

Tendo tomado conhecimento da posição assumida pelo hospital do Porto junto do Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida, Teresa Almeida Santos revelou ter enviado de imediato o seu esclarecimento ao presidente do organismo, Eurico Reis.

Lusa/Jornal Médico

Published in Mundo

gravidez e tabaco
Dados do Perinatal Health Report de 2010, realizado no âmbito do projeto EURO-PERISTAT estimam que a prevalência de tabagismo durante a gravidez seja de 10%, variando entre os 5 e os 20% consoante os países. No estudo europeu, cerca de 90% das mulheres fumadoras deixaram o tabaco durante a gravidez. No braço português do estudo, verificou-se que essa percentagem foi de apenas 47%.

Estes dados preocupam a comunidade médica, que mantém o tema do tabagismo na agenda de eventos científicos ano após ano.

Para Ana Figueiredo, coordenadora da Comissão de Tabagismo da SPP, “o tabagismo é algo que deve ser combatido independentemente da idade e da condição física. Conhecidos os riscos do tabaco na gravidez, é fundamental promover uma maior consciência de grupos sensíveis como as grávidas e, à semelhança do álcool, dever-se-ia incutir a total proibição do seu consumo, sem qualquer exceção”.

“É um erro manter os hábitos tabágicos durante a gravidez, ainda que reduzidos. Apesar de muitos médicos defenderem o limite de cinco cigarros/dia como forma de combater a tensão gerada pela privação de nicotina, a verdade é que existem inúmeras formas seguras de combater os sintomas associados à privação de tabaco”, acrescenta Joana Abreu Lopes, Psiquiatra do Hospital de Vila Franca de Xira.

Para Carlos Robalo Cordeiro, pneumologista do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, “a luta contra o tabagismo tem sido uma das grandes preocupações da sociedade que tem mobilizado todos os meios para levar a cabo as mais eficazes políticas de prevenção das doenças respiratórias. Apesar de em Portugal existir um esforço importante no sentido de aumentar o número de consultas de Cessação Tabágica, quer a nível hospitalar, quer dos centros de saúde, a maior dificuldade reside na própria consciência da sociedade”.

Nicotina, monóxido de carbono, amónia, óxido de azoto e chumbo são algumas das mais prejudiciais substâncias que afetam todos os que se encontram expostos, direta ou indiretamente ao tabagismo. Os efeitos adversos do fumo nos mais variados grupos têm sido amplamente estudados, dando a conhecer estudos que mostram por exemplo que, no caso das grávidas, a nicotina passa de forma rápida a placenta, atingindo concentrações no feto 15% superiores às do sangue materno.

Exposição passiva a fumo atinge 8,6% da população

8,6% da população com 15 ou mais anos esteve exposta a fumo passivo, designação habitual para a exposição ambiental ao fumo do tabaco, durante o ano passado. Os dados são do Inquérito Nacional de Saúde (INS) 2014, divulgados há dias que referem que da população exposta a fumo passivo, 38,3% referiu ter estado exposta diariamente em locais de lazer, 31% na sua própria casa e 20,5% no local de trabalho.

Para a coordenadora do INS, Mariana Neto, estes “resultados são sugestivos de que a aplicação da lei não tem sido muito rigorosa, sete anos após a sua publicação, sobretudo nas componentes de lazer e do local de trabalho. Um aspeto que deverá ser tido em consideração pelas autoridades de saúde, autoridades com responsabilidade na área da cultura e também na administração do trabalho”, alerta a especialista do Instituto Ricardo Jorge, citada em comunicado divulgado na página do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA).

Outro dos dados apurados pelo INS 2014 é o de que 16,8% da população com 15 ou mais anos mantinha hábitos tabágicos diários. Verificou-se ainda haver uma maior prevalência no género masculino (23,5%) comparativamente ao feminino (10,9%).

A exposição involuntária ao fumo do tabaco foi regulamentada em 2007 com a publicação da Lei n.º 37/2007, de 14 de Agosto, a qual proíbe o consumo de tabaco nas salas e recintos de espetáculos, recintos de diversão, zonas fechadas das instalações desportivas e nos locais de trabalho, entre outros.

O fumo do tabaco liberta no ambiente uma combinação de mais de 7.000 compostos químicos, sendo um número substancial conhecido pelos seus efeitos tóxicos ou cancerígenos. A eliminação da exposição ao fumo do tabaco constitui uma forma eficaz de diminuir o número de mortes evitáveis e doenças crónicas, especialmente do foro respiratório e cardiovascular.

O INS 2014 foi realizado em conjunto pelo INSA, em todo o território nacional. O principal objetivo deste Inquérito é caracterizar a população em três grandes domínios: estado de saúde, cuidados de saúde, incluindo os cuidados preventivos, e os determinantes de saúde, em especial os que estão relacionados com estilos de vida.

Published in Mundo

Urgencia
A Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM) afirmou estar contra "a forma encapotada" de como o anterior Governo quis encerrar as urgências do Hospital dos Covões, em Coimbra, e apelou a que o novo ministro da Saúde reveja a situação.

Num despacho, o anterior Governo optou por encerrar o serviço de urgência do Hospital dos Covões, do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), sendo que o Ministério acabou por recuar e publicou posteriormente novo despacho em que validava as urgências dos Covões.

No entanto, este novo despacho determina que passa a ser a Administração Regional de Saúde do Centro (ARSC) a definir os horários e a tipologia do serviço, sublinhou o presidente da SRCOM, Carlos Cortes, considerando que esta medida é uma "forma encapotada" de fechar esse mesmo serviço.

O presidente da Ordem dos Médicos do Centro fala em desonestidade e cobardia na decisão da tutela, sublinhando que a medida é "irresponsável".

Carlos Cortes recorda que o serviço de urgências do Hospital Universitário é tutelado pelo conselho de administração do CHUC, sendo que o dos Covões também deveria ser tutelado pelo mesmo órgão.

No seu entender, "o serviço de urgência dos Covões não poderá ser encerrado enquanto não houver um estudo atual, depois da fusão" que ocorreu entre os Hospitais da Universidade de Coimbra, o Centro Hospitalar Psiquiátrico de Coimbra e o Centro Hospitalar de Coimbra.

O responsável acrescentou ainda que as próprias urgências dos Hospitais da Universidade "têm dificuldades" em garantir "uma boa prestação de cuidados de saúde".

"Não faz sentido nenhum encerrar o serviço", frisou, sublinhando que só depois da avaliação dos serviços dos dois hospitais se poderá "pensar numa reestruturação das urgências do CHUC".

Carlos Cortes apelou ainda a que o novo ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, recue "na decisão tomada" pelo anterior executivo relativamente à urgência dos Covões, querendo que a definição da tipologia e horário deste serviço volte a ser da responsabilidade do conselho de administração do CHUC.

Lusa/Jornal Médico

Published in Mundo

CHUC
Uma equipa do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) realizou, com êxito, o primeiro transplante em Portugal de tecido ovárico congelado, devolvendo a capacidade reprodutiva a uma doente oncológica, anunciou hoje a instituição.

“Trata-se de um grande avanço, que dá uma nova esperança aos nossos doentes oncológicos que ainda não têm o seu projeto familiar concluído e onde o nosso hospital dá um real contributo ao nosso país”, disse o presidente do CHUC, José Martins Nunes, em conferência de imprensa.

O transplante numa doente de 28 anos foi efetuado, há três semanas, no serviço de Medicina de Reprodução Humana do CHUC, dirigido pela professora Teresa Almeida Santos.

Em outubro, perante a “ausência de função ovárica”, sendo os valores hormonais de menopausa, o serviço e a doente tomaram a decisão de realizar transplante “com fragmentos do seu tecido ovárico que se encontrava crioconservado” no Centro de Preservação da Fertilidade do CHUC, disse Teresa Almeida Santos aos jornalistas.

Na semana passada, foi confirmado “o sucesso do transplante, verificando-se a recuperação da função ovárica”.

Para a chefe da equipa de médicos e biólogos que efetuou o transplante, este método, utilizado pela primeira fez em Portugal, “é uma nova esperança para os doentes oncológicos que ainda não têm o seu projeto familiar concluído”.

Com este “avanço da medicina”, que inclui o prévio congelamento (crioconservação) de tecido ovárico e gametas, os doentes “poderão numa fase posterior recriar as condições” de fertilidade.

O CHUC utiliza a técnica de criopreservação de tecido ovárico em doentes oncológicas desde 2010.

O Centro de Preservação da Fertilidade, inaugurado em 2014, é “o único centro nacional dotado de instalações próprias e equipa multidisciplinar dedicada”, promovendo as diferentes técnicas de preservação da fertilidade em homens e mulheres.

Numa nota distribuída aos jornalistas, o CHUC realça que a atividade clínica deste centro tem vindo a aumentar “graças à referenciação crescente, tendo sido preservado até ao momento tecido ovárico de 37 doentes e ovócitos de 81”.

Lusa

Published in Mundo

CHUC
A unidade de transplantes hepáticos pediátricos e de adultos do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) anunciou que redobrou o recurso a soluções técnicas “mais complexas” para aumentar a resposta aos doentes em espera.

Estas técnicas permitem “maximizar o número de doentes transplantados”, disse o coordenador daquela unidade, Emanuel Furtado, numa conferência de imprensa em que também foi revelado que o CHUC “está preparado” para o programa de bipartição hepática, com um dador e dois recetores de fígado.

Na presença do presidente do conselho de administração do complexo hospitalar público de Coimbra, José Martins Nunes, o mesmo responsável frisou o dever da sua equipa de reforçar “a possibilidade de salvação de mais alguns doentes”, face a uma realidade do país e do mundo em que “não existem disponíveis órgãos suficientes” para todas as pessoas que deles necessitam.

Emanuel Furtado falava aos jornalistas, no CHUC, a propósito da reativação dos transplantes com dador vivo, programa que esteve interrompido alguns anos, e do reinício do transplante em dominó, que coincidem com a comemoração dos 20 anos do primeiro transplante sequencial em dominó feito no mundo, da responsabilidade do seu pai, Alexandre Linhares Furtado.

Em 26 de outubro de 1995, o cirurgião Linhares Furtado, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, efetuou “o primeiro transplante hepático sequencial a nível mundial”, utilizando “um fígado colhido inteiro de um dador vivo”, segundo uma nota distribuída aos jornalistas.

Esta e outras técnicas mais complexas “constituem forma de aumentar a capacidade de resposta, contribuindo para reduzir o crónico défice de órgãos para transplante, sempre insuficientes para fazer face ao aumento das necessidades”.

Idealizada e aplicada por Alexandre Linhares Furtado, a técnica de transplante hepático sequencial “permite que doentes que seriam preteridos, em relação a outros candidatos a receber um enxerto de dador cadáver, tenham a possibilidade de receber um fígado”.

Até 2013, foram registados no mundo 1.112 transplantes hepáticos sequenciais, realizados em 63 centros de 21 países, segundo dados do Familial Amyloidotic Polineurophathy World Transplant Registry.

Nos últimos anos, não foram realizadas no CHUC as modalidades técnicas “mais complexas” de transplante de fígado: transplante sequencial e dador vivo, desde 2008, e transplante hepático pediátrico, desde 2011.

“Os transplantes são uma área estratégica do CHUC”, disse José Martins Nunes, numa sessão em que também interveio Ana Calvão, coordenadora do Gabinete Coordenador de Colheita e Transplantação da unidade hospitalar de Coimbra.

Esta história “começou há 46 anos” com Linhares Furtado, a 20 de julho de 1969, “no mesmo dia em que o homem chegou à Lua”, enfatizou.

Nos próximos anos, o CHUC pretende “retomar e utilizar regularmente, sempre que a qualidade do enxerto e as características dos recetores o permitam”, a técnica de ‘split’, envolvendo o transplante de um enxerto em dois recetores, o que permitirá “maximizar o aproveitamento” dos enxertos.

Questionado pela agência Lusa sobre o tráfico de órgãos humanos, confirmado em vários países, Emanuel Furtado disse que não ter conhecimento de que este problema alguma vez se tenha verificado em Portugal.

“E não vejo grandes condições para venha a existir”, sublinhou o cirurgião.

Lusa/Jornal Médico

Published in Mundo

hospitaluniversidadedecoimbra1
O presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos avisou ontem que o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra pode perder a idoneidade formativa nalgumas especialidades, devido a alegadas irregularidades na colocação de médicos internos na urgência.

Em declarações à agência Lusa, Carlos Cortes referiu que “os hospitais, com muita facilidade e alguma leviandade, utilizam os médicos internos para responderem às dificuldades que têm em termos de recursos humanos, nomeadamente no serviço de urgência”.

Segundo o Diário de Notícias de ontem (4 de novembro), “dois médicos internos decidiram avançar com uma ação contra o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra [CHUC], por estarem a ser obrigados a fazer horas extraordinárias acima do que está previsto na lei”.

Carlos Cortes disse que “o facto de os internos terem apresentado uma queixa é inédito”, apesar de esta não ser uma novidade para a Ordem dos Médicos, que tem alertado o CHUC para a necessidade de pôr fim a “esta situação altamente irregular, não cumpridora das regras impostas para a formação dos médicos internos”.

“Normalmente os médicos internos têm medo de represálias. Estão a ser avaliados durante o período da sua formação e muitos deles acabam por não apresentar queixa”, contou.

Segundo o responsável, os médicos internos “ou são colocados indevidamente nas áreas mais indiferenciadas da urgência”, ou então “na Medicina Interna ou na Cirurgia, quando deveriam ser colocados a fazer urgência na sua especialidade”.

“Alertámos com vários ofícios o conselho de administração do CHUC, fizemos várias reuniões inconsequentes com a direção clínica e pedimos a todos os colégios das várias especialidades médicas para avaliarem a qualidade da formação neste hospital, nomeadamente no que toca ao serviço de urgência e à forma como pode prejudicar a formação dos médicos internos”, contou.

Na sequência desse pedido, alguns colégios “já indicaram que, se rapidamente não fosse reposta a normalidade na formação médica no CHUC, algumas especialidades podiam ver retirada a idoneidade formativa”, acrescentou.

Ou seja, “o CHUC poderia perder, nalgumas valências, a sua capacidade para formar médicos especialistas”, frisou.

Carlos Cortes considerou que “os programas de formação que estão publicados em Diário da República não estão a ser cumpridos”, o que “prejudica a sua formação médica”.

Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra avalia propostas de internos

O Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) admite que estão a ser avaliadas as propostas de alguns médicos internos para alteração do modo de funcionamento da urgência no sentido de lhes tentar dar “uma resposta positiva”.

“Atualmente existem propostas de alguns internos para alteração do modo de funcionamento da urgência, sendo que pretendem que as suas horas extraordinárias (remuneradas) não ultrapassem as 200 horas por ano”, refere o CHUC, numa resposta a um pedido de informação da agência Lusa.

Segundo o CHUC, “a interpretação da ACSS (Administração Central do Sistema de Saúde) é a de que o limite máximo das 200 horas/ano não se aplica aos serviços de urgência” mas, ainda assim, “o pedido destes internos está a ser objeto de avaliação pelos serviços clínicos, tentando-se dar resposta positiva às suas pretensões”.

O CHUC confirma ter sido “citado por uma ação em tribunal interposta em outubro por dois internos”, relativamente à qual apresentou “oposição”.

Relativamente à possibilidade de vir a perder a capacidade para formar médicos especialistas em alguma área, refere não ter qualquer comentário a fazer.

“Em todo o momento, o CHUC mantém toda a disponibilidade para monitorizar e rever a organização do trabalho com respeito pelo princípio fundamental de assegurar a capacidade de garantir cuidados de qualidade e de eficácia aos doentes que recorrem ao nosso hospital”, garante.

O CHUC lembra que, no final de outubro, foi publicado o novo Acordo Coletivo de Trabalho “que integra um capítulo sobre trabalho suplementar, organização e regimes de trabalho, que ao ser implementado irá estabelecer novas regras mais claras e permitir uma reorganização da urgência, não devendo a partir daí surgirem quaisquer dúvidas sobre este assunto”.

Lusa/Jornal Médico

Published in Mundo
segunda-feira, 12 outubro 2015 13:00

Portugal admitido na Aliança M8 - o G8 da Saúde

Portugal
Portugal, representado pelo consórcio Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) e Universidade de Coimbra (UC), foi ontem (11 de outubro) admitido na Aliança M8 – o G8 da Saúde -, disse fonte da candidatura à agência Lusa.

A candidatura de Portugal, que foi aceite por unanimidade e que tinha sido muito bem recebida pelos decisores a 16 de julho, aquando de uma visita à Alemanha de uma comitiva lusa e do ministro da Saúde português, Paulo Macedo, viu agora ser concluído todo o processo, no decorrer da Assembleia-Geral da Cimeira Mundial de Saúde, que se realiza em Berlim.

A Aliança M8 tem como missão principal a melhoria da saúde a nível global e tinha até hoje 17 membros de 13 países diferentes.

Promove a investigação translacional, bem como a inovação na abordagem da prestação de cuidados, almejando o desenvolvimento de sistemas de saúde eficazes na prevenção da doença.

Esta rede é a base académica de excelência e na qual está assente a organização da Cimeira Mundial de Saúde, um fórum anual para o diálogo sobre os cuidados de saúde.

A Cimeira Mundial de Saúde é a conferência anual da M8 Alliance de Centros Médicos de Saúde Académicos, Universidades e Academias Nacionais.

É organizada em colaboração com autoridades nacionais, academias de ciências em mais de 67 países e está sob o patrocínio do governo alemão.

A comitiva portuguesa é constituída por Martins Nunes, presidente do Conselho de Administração do CHUC, João Gabriel Silva, reitor da Universidade de Coimbra, Manuel J. Antunes, diretor do centro de cirurgia cardiotorácica do CHUC, Diana Breda, diretora do departamento de internacionalização do CHUC, Luis Fareleiro, consultor para a internacionalização e desenvolvimento internacional do CHUC, Alexandre Lourenço, coordenador da rede de referenciação do CHUC e das candidaturas horizonte 2020, e João Redondo, coordenador de programas de saúde mental e psiquiatria do CHUC.

A candidatura de Portugal, via Coimbra, foi organizada durante mais de um ano e submetida em julho, em Berlim, ao presidente da aliança, Detlev Ganten.

A proposta lusa contou com o patrocínio do Brasil e da Academia Portuguesa de Medicina e com o apoio do Charité, hospital universitário e universidade berlinense, e do ex-presidente da União Europeia Durão Barroso.

Uma escala para os projetos de investigação nacionais

A entrada de Portugal na Aliança M8, o G8 da Saúde, pode dar “escala aos projetos de investigação e inovação nacionais, contribuindo decisivamente para uma economia de saúde mais competitiva”, defendeu ontem o Governo.

“Ao fazer parte desta associação, onde têm assento as maiores academias do mundo e onde se gera pensamento em torno dos grandes temas e tendências deste setor, Portugal passa a participar em mais um importante fórum de debate e pensamento estratégico em torno da saúde mundial”, defendeu o ministro da Saúde, Paulo Macedo.

O governante sublinhou que Portugal pode, agora, contribuir com todo o seu saber em áreas específicas e de diferenciação num Fórum de excelência científica e pode dar escala aos projetos de investigação e inovação nacionais, contribuindo decisivamente para uma economia de saúde mais competitiva”.

“Através do consórcio da Universidade de Coimbra e do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, Portugal torna-se o 14.º país a integrar este fórum restrito. Realço o facto de a Assembleia Geral do M8 Alliance ter votado por unanimidade a admissão da candidatura de Coimbra. O M8 Alliance reúne 17 das mais prestigiadas universidades e centros hospitalares e académicos do mundo e é o mais importante patrocinador da Conferência Mundial de Saúde, que se realiza anualmente”, referiu ainda.

Paulo Macedo acrescentou que a admissão de Portugal é “um momento de excecional significado para a medicina portuguesa, pois representa o reconhecimento internacional de duas instituições seculares e altamente prestigiadas. Este passo da internacionalização de uma das unidades de excelência na área da saúde ocorre na mesma semana em que Portugal designou os seus primeiros centros de referência com critérios europeus. Estas realizações vêm evidenciar a vitalidade e a qualidade do SNS dos nossos dias”, concluiu.

Aliança M8 coloca Portugal no contexto internacional do setor

O Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) e a Universidade de Coimbra (UC) consideraram que a entrada do consórcio entre estas duas instituições na Aliança M8 – o G8 da Saúde -, posiciona Portugal no contexto internacional do setor.

Numa declaração à agência Lusa, Martins Nunes, presidente do conselho de administração do CHUC, disse que este “novo passo na internacionalização da saúde portuguesa, protagonizado pelo consórcio CHUC/UC, insere-se no esforço nacional de posicionar Portugal no contexto internacional, como já ocorre a nível europeu através da rede europeia de centros de referência”.

João Gabriel Silva, reitor da Universidade de Coimbra, disse também à Lusa que a “entrada do consórcio CHUC/UC na M8 Alliance resulta do reconhecimento de que em Coimbra se desenvolve uma atividade na área da Saúde com grande relevância internacional, nos cuidados de saúde, no ensino, na investigação e translação para o tecido económico”.

“É uma entrada que beneficia Portugal, pois através de Coimbra todo o país terá acesso a um dos mais importantes fóruns, ligado ao G8, onde a saúde global é discutida e onde são desenhadas muitas das iniciativas que são depois concretizadas em todo o mundo”, disse João Gabriel Silva.

Martins Nunes acrescentou que o consórcio das duas instituições “atingiu hoje um patamar relevante e histórico no seu posicionamento internacional, ao ver aceite por unanimidade a candidatura à mais exclusiva organização de centros universitários mundial: a M8 Alliance”.

“O CHUC é o único hospital português integrado nesta organização inovadora, resultante da iniciativa política dos líderes do G8. Esta consagração mundial traduz o elevado nível de diferenciação e o grande esforço e dedicação dos seus profissionais nas tarefas assistenciais, de ensino e de investigação - agora reconhecidos pela integração do consórcio CHUC/UC na M8 Alliance".

Lusa/Jornal Médico

Published in Mundo
quinta-feira, 01 outubro 2015 11:03

Cinco CH aprovados como referência em seis áreas

??????????????????????????????????????????????
Cinco centros hospitalares foram aprovados como referência nas áreas de epilepsia refratária, Onco-oftalmologia, paramiloidose familiar, transplantes pulmonares, do pâncreas e hepáticos, revelou à Lusa o presidente da Comissão Nacional para os Centros de Referência.

De acordo com o neurocirurgião João Lobo Antunes, está elaborada a lista das instituições que, a partir de agora, são os centros de referência para estas doenças.

Para a epilepsia refratária, foram aceites como centros de referência o Centro Hospitalar do Porto (CH Porto), o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) e os Centros Hospitalares de Lisboa Ocidental (CHLO), Lisboa Central (CHLC) e Lisboa Norte (CHLN).

O CHUC é, a partir de agora, o centro de referência para a área de Onco-oftalmologia.

Para a paramiloidose familiar, as unidades eleitas foram o CH Porto e o CHLN.

O centro de referência para o transplante pulmonar é o CHLC, enquanto que para o transplante de pâncreas o CH Porto e o CHLC foram as unidades de saúde com condições para este reconhecimento.

Os centros de referência para o transplante hepático são o Centro Hospitalar do Porto, o CHUC (Coimbra) e o CHLC (Lisboa).

Segundo João Lobo Antunes, candidataram-se a centros de referência para as áreas dos cancros raros, da transplantação de órgãos e de doenças genéticas 116 instituições.

No entanto, numa primeira fase, apenas foram analisadas as 18 candidaturas às áreas de epilepsia refratária, onco-oftalmologia, paramiloidose familiar, transplantes pulmonares, do pâncreas e hepáticos.

A segunda fase incluirá as 32 candidaturas recebidas para centros de referência para as áreas de oncologia de adultos (cancro do testículo e sarcomas das partes moles e ósseos), transplante do coração, transplantação cardíaca pediátrica, renal em adultos e renal pediátrica.

Para a terceira fase, oncologia de adultos – cancro do esófago, do reto e hepatobiliopancrerático, foram recebidas 66 candidaturas.

Fonte do gabinete do ministro da Saúde disse à Lusa que é objetivo de Paulo Macedo aprovar esta primeira lista antes do final do mandato.

Segundo João Lobo Antunes, a análise das candidaturas, que respondem a exaustivos critérios, exige da comissão um árduo trabalho, pelo que este está a ser realizado por fases.

Contudo, o neurocirurgião congratula-se com o facto de, a partir de agora, os portugueses saberem “onde estão os centros de excelência” em áreas complexas.

Um centro de referência é um serviço, departamento ou unidade de saúde, reconhecido como o expoente máximo de competências na prestação de cuidados de saúde de elevada qualidade.

Lusa/Jornal Médico

Published in Mundo
Pág. 5 de 7
O novo normal e a nova realidade – que alterações provocadas pela pandemia vieram para ficar?
Editorial | Jornal Médico
O novo normal e a nova realidade – que alterações provocadas pela pandemia vieram para ficar?
Acertar procedimentos e aperfeiçoar métodos de trabalho. Encontrar uma nova visão e adotar uma nova estratégia útil na nossa prática clínica quotidiana. Valorizar as unidades de saúde por estarem a dar as respostas adequadas e seguras é o mínimo que se exige, mas é urgente e inevitável um plano de investimento nos centros de saúde do Serviço Nacional de Saúde.

Mais lidas