segunda-feira, 11 fevereiro 2019 11:50

Fernando Macário nomeado diretor médico da Diaverum

O médico nefrologista Fernando Macário foi nomeado diretor médico do Grupo Diaverum, passando a ser responsável pelo desenvolvimento da estratégia clínica do mesmo. O especialista em Nefrologia exercia as funções de diretor médico para a Ibéria desde 1 de julho de 2018. Anteriormente já havia sido diretor médico para Portugal (desde 1 de dezembro de 2016).

Published in Atualidade

Melo_Prof_Joao_Queiroz(HospStaCruz)

O primeiro transplante cardíaco em Portugal, há 30 anos, colocou no estrelato a equipa do cirurgião Queiroz e Melo, mas também lhe valeu ameaças de morte, numa altura em que a colheita de órgãos ainda era controversa.

“A comunidade médica, quase toda, apoiou maciçamente e ficou entusiasmada. A sociedade civil também, mas nem todos. Recebi ameaças de morte em casa, cartas anónimas. Durante uns 15 dias, três semanas olhava para um lado e para o outro quando saia de minha casa para ver se havia algum suspeito”, disse o cirurgião à agência Lusa.

A propósito das três décadas da cirurgia, Queiroz e Melo, que se encontra aposentado e já não opera, recordou no Hospital de Santa Cruz, em Lisboa, os dias fantásticos que envolveram o transplante, que aconteceu nesta unidade de saúde a 18 de fevereiro de 1986, tinha ele 41 anos.

“Foi algo que no nosso país ainda é raro e que na altura era raríssimo: perceber que o progresso em medicina se faz com trabalho em equipa, não é one man show, é um trabalho de grupo e não de grupos na mesma especialidade”.

Esta equipa encontrava-se no estado da arte da altura e deu aquilo que era “um passo natural no tratamento de doentes que então, como agora, são os mesmos – com insuficiência cardíaca e que não têm outro tipo de tratamento”.

A cirurgia foi realizada sob secretismo, de tal maneira que a equipa definiu um código para a identificar: Teresa Costa, nome que começa com as iniciais das palavras transplantação cardíaca.

A doente Eva Pinto foi a escolhida e recebeu o coração de um dador de Coimbra, cujo órgão chegou de helicóptero. A doente viveu ainda mais dez anos. O sucesso da operação, que durou quatro horas, foi noticiado no telejornal da meia-noite e foi dessa forma que a tutela – a ministra da Saúde era Leonor Beleza – tomou conhecimento do feito.

Deslumbrado com o pioneirismo da cirurgia estava José Neves, atual diretor do serviço de cirurgia cardiotorácica do Santa Cruz e, em 1986, um interno de 32 anos que teve “a sorte de assistir e entrar como terceiro ou quarto ajudante na primeira cirurgia de transplantação no país”.

“Era o top da cirurgia cardíaca. Toda a gente queria transplantar. Eram os deuses. O cirurgião que transplantasse tinha a vida nas mãos”.

Desse dia, José Neves recorda o “deslumbramento”, mas também o facto de “tudo a acontecer ao mesmo tempo” numa “sala cheia de gente”.

José Neves fez o seu primeiro transplante cardíaco cinco ou seis anos depois e ainda hoje reconhece que este é “um ponto alto na carreira de um cirurgião”.

Para Maria José Rebocho, coordenadora de transplantação cardíaca e que foi responsável pelos doentes desde o início do projeto, recorda que foi contagiada pelo “entusiasmo” de Queiroz e Melo, que a dada altura terá afirmado: “Quem não vem comigo fica para trás”. E ela foi. Tinha 39 anos.

A médica sublinha que todo o hospital, e principalmente os doentes, beneficiou com a introdução desta técnica, pois os exames e cuidados que exigia passaram a ser aplicados a todos.

“Se o tabuleiro da comida vai tapado para os doentes transplantados, então passa a ir assim para os outros doentes também. Tudo modifica e melhora, como ao nível do controlo da infeção”.

Do dia da operação, Maria José Rebocho recorda como ponto alto o “momento emocionante” em que o coração é colocado no recetor e começa a bater de novo.

Em relação aos doentes – que durante muito tempo continuam a ser seguidos no hospital e mantêm, por isso, uma ligação longa e forte com a equipa que os operou – a médica refere que, tal como há 30 anos, acolhem bem a hipótese de serem transplantados.

“Eles querem [ser transplantados] porque percebem que é o fim da vida”, afirmou.

Queiroz e Melo tem a mesma opinião: “ Um doente que precisa de ser transplantado sente-o e não é preciso convencê-lo”.

“As pessoas sabem que vão morrer, sentem que vão morrer. Têm uma qualidade de vida péssima e, quando lhes é dada oportunidade, não hesitam”, adiantou.

O cirurgião recorda que “a doente em causa era uma senhora de fé, de grande misticismo, acreditava muito na vida. Esse foi um não problema”.

A propósito desta efeméride, que se assinala na quinta-feira, o presidente da Sociedade Portuguesa de Transplantação (SPT), Fernando Macário disse à Lusa que Portugal tem razões para comemorar o feito.

“Comemorar 30 anos de transplantação cardíaca é uma oportunidade para mostrar a nossa admiração pelo pioneirismo e a coragem da equipa de Queiroz e Melo, numa altura em que a medicina não estava de forma nenhuma tão desenvolvida como hoje”, afirmou.

Fernando Macário recorda “o caminho que a transplantação cardíaca fez nos últimos 30 anos e as elevadas centenas de pessoas que puderam beneficiar de um transplante cardíaco”.

O presidente da SPT considera que este aniversário é igualmente uma oportunidade para celebrar “a grande qualidade com que as unidades de transplantação cardíaca estão a trabalhar em Portugal: Santa Cruz, Santa Marta, São João e o Hospital da Universidade de Coimbra”.

“Podemos celebrar o primeiro transplante que permitiu o arranque, e que foi de uma coragem enorme, e celebrar a forma como trabalham as equipas de transplantação cardíaca, permitindo dar resposta à quase total das necessidades de transplante cardíaco em Portugal”, referiu.

O ano passado, 51 pessoas receberam um coração transplantado.

O presidente da Sociedade Portuguesa de Transplantação (SPT) enalteceu hoje “o pioneirismo e a coragem” da equipa liderada pelo cirurgião Queiroz e Melo que há 30 anos realizou o primeiro transplante cardíaco em Portugal.

A propósito desta efeméride, que se assinala na quinta-feira, Fernando Macário disse à Lusa que Portugal tem razões para comemorar o feito.

“Comemorar 30 anos de transplantação cardíaca é uma oportunidade para mostrar a nossa admiração pelo pioneirismo e a coragem da equipa de Queiroz e Melo, numa altura em que a medicina não estava de forma nenhuma tão desenvolvida como hoje”, afirmou.

Fernando Macário recorda “o caminho que a transplantação cardíaca fez nos últimos 30 anos e as elevadas centenas de pessoas que puderam beneficiar de um transplante cardíaco”.

“Aquele que necessita de um transplante cardíaco, se não o tiver, vai falecer”, adiantou.

O presidente da SPT considera que este aniversário é igualmente uma oportunidade para celebrar “a grande qualidade com que as unidades de transplantação cardíaca estão a trabalhar em Portugal: Santa Cruz, Santa Marta, São João e o Hospital da Universidade de Coimbra”.

“Podemos celebrar o primeiro transplante que permitiu o arranque, e que foi de uma coragem enorme, e celebrar a forma como trabalham as equipas de transplantação cardíaca, permitindo dar resposta à quase total das necessidades de transplante cardíaco em Portugal”, referiu.

O ano passado, 51 pessoas receberam um coração transplantado.

Published in Mundo

Nefrologia
O número de rins colhidos em dadores cadáver para transplantação está a aumentar, mas cerca de 30% não são aproveitados, por não estarem em condições, uma consequência da população estar cada vez mais doente e envelhecida.

Este dado foi revelado hoje pelo presidente da Sociedade Portuguesa de Transplantação, Fernando Macário, durante a abertura do 17.º Dia Europeu da Doação de Órgãos, uma iniciativa promovida anualmente pelo Conselho da Europa e que este ano se realiza em Lisboa.

Apesar do número de transplantes de rins ter estabilizado nos últimos anos – entre janeiro e julho de 2015 foram transplantados 305 rins -, a doação é um problema que preocupa os responsáveis, não só por não existirem tantos dadores vivos como seria desejável, mas também porque os rins provenientes de dadores cadáveres não estão muitas vezes em condições.

A agravar este quadro está a realidade da doença em Portugal, país com a maior taxa de insuficiência renal crónica de toda a Europa, explicou o responsável, acrescentando que só a Grécia e a Turquia se aproximam de Portugal, mas ainda assim com menos casos.

“Colhemos, analisamos e não aproveitamos muitos rins. Apesar do aumento da colheita, não se consegue o aumento do transplante de rim na mesma proporção, porque os dadores estão mais velhos e mais doentes”, disse.

"A taxa de dador cadáver de rim, em 2014, foi de 27,8 por milhão de habitantes, o que deveria dar à volta de 55 rins, mas a taxa de transplantação foi de 37,6, porque grande parte não está em condições, 20% a 30% não se aproveitam", acrescentou Fernando Macário.

Isto também se explica por haver hoje muito mais rigor e todos os rins serem sujeitos a biópsias. Deste modo, muitos rins não são aproveitados, mas, quando são, mais de 90% dos transplantes renais estão a funcionar perfeitamente ao fim de um ano, explicou, sublinhando que, neste aspeto, “os números melhoraram muito”.

Apesar de Portugal ocupar um lugar cimeiro em doação cadáver, o mesmo já não se verifica para as doações em vida.

Do total de transplantes renais registados este ano, apenas cerca de 10% foram de rins provenientes de dadores vivos (37 dadores).

A lista de espera para rim, em 31 de dezembro de 2014, era de 1.970 pessoas e, destas, 43 morreram à espera.

A incidência (novos casos) de doentes renais é de 230 novos casos por milhão de habitantes e a prevalência é superior a mil doentes por milhão de habitantes, só em diálise.

Lusa/Jornal Médico

Published in Mundo
segunda-feira, 20 julho 2015 13:08

Transplante de rim lidera largamente em Portugal

Cirurgia_geral
O presidente da Sociedade Portuguesa de Transplantação (SPT), Fernando Macário, disse à agência Lusa que o rim lidera largamente, em Portugal, o número de transplantes de órgãos, área em que o país está acima da média europeia.

No entanto, o médico reconhece que a principal dificuldade reside no número de órgãos insuficientes para os doentes necessitados, que têm uma espera em diálise entre quatro a cinco anos.

"A nossa taxa de recolha de órgãos por milhão de habitantes está nos 28, mas já esteve melhor, nos 31, em 2009, em que tínhamos o segundo lugar europeu na taxa de colheita e éramos os primeiros na transplantação", sublinhou Fernando Macário.

Segundo o presidente da SPT, o objetivo é passar para uma taxa de colheita de 30 órgãos por milhão de habitantes, que mesmo assim será inferior aos dos vizinhos espanhóis, com uma taxa de colheita de 34 por milhão.

Para aumentar o número de transplantes em Portugal, Fernando Macário defende que é necessário melhorar a estrutura organizacional de procura e colheita de órgãos, aumentar as camas nos cuidados intensivos para manter os dadores, desenvolver mais a colheita de rins a partir de dadores vivos, que representa apenas 11%, em contraste com os 30 a 40% do norte da Europa, e efetuar colheita em situações de paragem cardiorrespiratória, "que já está legislada".

A SPT assinala hoje o Dia do Transplante, em Coimbra, no Pavilhão Centro Portugal, que este ano é dedicado ao desporto e à demonstração de que o exercício físico contribui para melhorar o estado de saúde dos transplantados.

"A atividade física e o desporto permitem que o doente transplantado retorne quanto possível a uma vida ativa próxima da normalidade e preserva e aumenta a longevidade dos órgãos", salientou Fernando Macário.

No entanto, o especialista alerta que, os desportos violentos e que implicam contacto, "podem não ser aconselháveis e poderá haver cuidados especiais até ao retorno a um desporto de alta competição".

José Alberto Silva, de Ermesinde, que sofreu um transplante renal há dois anos, cujo dador foi a mulher, é um exemplo de que o desporto permite uma vida saudável e "quase normal" a um doente transplantado.

"A grande vantagem do desporto é o bem-estar que sinto e foi voltar a viver o que vivi há muitos anos e que durante muito tempo não pude fazer, devido à doença", disse à agência Lusa, salientando que, tirando as consultas regulares no hospital, "tenho uma vida muito próxima da normalidade".

Praticante de ciclismo, José Alberto Silva, de 39 anos, treina uma média de oito horas semanalmente e, entre 10 a 12 horas ao fim de semana, em bicicleta estática e de rua, e participa em provas oficiais: a última foi em junho, no Gerês Grandfondo Cycling Road.

Hoje, em Coimbra, é um dos oradores convidados para apresentar o seu processo de recuperação e, segundo disse, para "passar a mensagem às pessoas que se encontram em diálise que há vida para lá dos transplantes".

O Dia do Transplante comemora o primeiro transplante realizado em Portugal, que se realizou a 20 de julho de 1969, em Coimbra, pelas mãos do cirurgião Linhares Furtado.

Published in Mundo
800 milhões de euros para o Serviço Nacional de Saúde
Editorial | Jornal Médico
800 milhões de euros para o Serviço Nacional de Saúde

Se não os tivéssemos seria bem pior! O reforço do Programa Operacional da Saúde com 800 milhões de euros pode ser entendido como sinal político de valorização do setor da saúde. Será uma viragem na política restritiva? O Serviço Nacional de Saúde (SNS) de 40 anos precisa de cuidados intensivos! Há novos enquadramentos, novas responsabilidades, novas ideias e novas soluções. É urgente pensarmos na nova década com rigor e disponibilidade sincera.

Mais lidas