Hospitalsãojoao_alapediatricaO presidente da Associação Humanitária “Um Lugar para o Joãozinho”, oficialmente constituída a 13 de Janeiro, anunciou hoje que ainda este mês será lançado o concurso para a adjudicação da nova ala pediátrica do Hospital de S. João, Porto. “Os dois meses de trabalho que a associação já desenvolveu permitem-me alimentar a esperança de que, ainda antes do início do verão, estarei em condições de anunciar a data do início das obras, e que o lançamento da primeira pedra possa ainda ocorrer este ano”, afirmou Pedro Arroja, que falava na sessão de apresentação da associação.

Segundo o economista, “o plano de trabalho inclui várias dimensões e várias estratégias de acção, mas as principais são a contratualização da obra, a contratualização do financiamento e a contratualização do mecenato”.

“O Estado português encontra-se numa situação financeira que não lhe permite lançar novas obras e novos investimentos. Não é altura para comentar o processo que conduziu a esta situação. Mas a verdade é que todos nós, cidadãos adultos, somos responsáveis por ela, uns por acção, outros por omissão. Existe apenas um segmento da população que está isento de responsabilidades na situação financeira em que o país desde há anos se encontra – as crianças”, considerou.

Pedro Arroja referiu que a nova ala pediátrica do Hospital do São João custa 16 milhões de euros e demora um ano e meio a construir.

“Pode parecer um milagre reunir a partir de mecenas e de outras contribuições voluntárias 16 milhões de euros na situação presente em que Portugal se encontra (…). A nova ala pediátrica do Hospital de São João vai ser construída e oferecida pela comunidade de todos os portugueses ao hospital. É esta a missão desta associação e que, pela minha parte, prosseguirei com zelo religioso”, disse.

À associação compete “obter o financiamento, adjudicar a construção da obra e encontrar os meios de pagamento necessários. É uma oferta inteiramente gratuita da comunidade ao Hospital de São João”, sublinhou.

O projecto de solidariedade "Um lugar para o Joãozinho", criado em 2009, tem como objectivo a angariação de 16 milhões de euros para a construção da nova ala pediátrica do Centro Hospitalar de São João.

Desde o início do projecto realizaram-se várias iniciativas de angariação de verbas, mas “o montante financeiro que se conseguiu acumular é muito reduzido. A tarefa da associação é angariar praticamente a totalidade do financiamento e depois pagar o hospital, que em princípio será um pagamento a dez anos”, segundo Pedro Arroja.

Dos órgãos sociais da nova associação fazem também parte o director da Faculdade de Medicina do Porto, Agostinho Marques, presidente da Assembleia-geral, e Manuel Eanes, presidente do Conselho Fiscal.

A direcção, além de Pedro Arroja (presidente), inclui António Ferreira, presidente do Conselho de Administração do Hospital de São João, e Caldas Afonso, director do Serviço de Pediatria do mesmo hospital, entre outros.

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[caption id="attachment_5468" align="alignleft" width="300"]hospitaldesaojoão Para António Ferreira, o Hospital de S. João “navega em maré-vaza”, mas faz “muito mais e melhor” do que “os que “não têm maré”. “Navegamos em maré-vaza mas, a cada dia que passa, servimos mais e melhor os que de nós precisam. Não sabemos quando virá a maré-alta, mas sabemos, com absoluta certeza, que virá e que a sua chegada depende de nós”, sublinhou. O médico e também professor universitário salientou ainda que a mudança que se iniciou em 2006 “não parará, nem nos processos, nem na remodelação estrutural e infra-estrutural, nem nas pessoas”.[/caption]

O presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar S. João, no Porto, António Ferreira, criticou ontem a falta de equidade na distribuição de verbas aos hospitais.

“Tantas vezes injustiçados por os ventos da fortuna soprarem sempre no mesmo sentido – o sentido do sul, tantas vezes agastados por os rios do dinheiro desaguarem permanentemente no mesmo mar – o mar da indiferença, o mar onde não se distinguem as marés, porque se considera sempre em preia-mar, nós continuamos, com resiliente persistência, a cumprir a nossa missão”, afirmou António Ferreira, que ontem recebeu das mãos do ministro da Saúde a Comenda da Ordem de Mérito, atribuída pelo Presidente da República.

No seu discurso, António Ferreira afirmou que a distinção se deve “aos resultados do trabalho que, ao longo dos anos, tem sido colectivamente desenvolvido no hospital e não reflecte nenhum mérito pessoal”, e criticou modelo de financiamento do Serviço Nacional de Saúde.

“No dia em que a torrente meridional parar de correr – e inevitavelmente parará de correr, o nosso mar continuará a manter a preia-mar e a baixa-mar, e nós continuaremos a saber navegá-lo, enquanto o outro mar secará”, frisou o responsável.

Para António Ferreira, o Hospital de S. João “navega em maré-vaza”, mas faz “muito mais e melhor” do que “os que “não têm maré”.

“Navegamos em maré-vaza mas, a cada dia que passa, servimos mais e melhor os que de nós precisam. Não sabemos quando virá a maré-alta, mas sabemos, com absoluta certeza, que virá e que a sua chegada depende de nós”, sublinhou.

O médico e também professor universitário salientou ainda que a mudança que se iniciou em 2006 “não parará, nem nos processos, nem na remodelação estrutural e infra-estrutural, nem nas pessoas”.

“E saberemos lutar até ao limite das nossas forças por este direito – que consideramos inalienável”, concluiu.

Em declarações aos jornalistas, António Ferreira afirmou estar “preocupado com os dinheiros do Estado destinados ao financiamento dos cuidados de saúde”, designadamente que “sejam distribuídos com equidade pelas várias regiões do país, facto que não tem acontecido desde há muitos anos”.

Nesta cerimónia de atribuição da comenda, que contou com a presença do antigo Presidente da República General Ramalho Eanes, o director da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, Agostinho Marques, reivindicou apoios para a nova ala pediátrica do S. João

Segundo António Ferreira, “se o hospital de S. João puder receber o dinheiro que os seus devedores lhe devem, tem condições para continuar a renovação estrutural e infra-estrutural do edifício e tem condições para, juntamente com a sociedade civil, se lançar na construção do hospital pediátrico integrado”.

“Mais do que o financiamento, está em causa, é muito importante, a definição do conceito, que deve ser entendido como perfeitamente integrado na estratégia da área materno-infantil e pediátrica da toda a região Norte. Não é antagónico a nada, pelo contrário, é integrado e inclusivo”, vincou.

JM/Lusa

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O Novo Livro Azul tem um passado e um futuro a defender e a promover num novo ciclo
Editorial | Jornal Médico
O Novo Livro Azul tem um passado e um futuro a defender e a promover num novo ciclo

O Novo Livro Azul da APMGF é um desejo e uma necessidade. Volvidos 30 anos é fácil constatar que todos os princípios e valores defendidos no Livro Azul se mantêm incrivelmente atuais, apesar da pertinência do rejuvenescimento que a passagem dos anos aconselha. É necessário pensar, idealizar e projetar a visão sobre os novos centros de saúde, tendo em conta a realidade atual e as exigências e necessidades sentidas no futuro que é já hoje. Estamos a iniciar um novo ciclo!

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