terça-feira, 18 setembro 2018 10:42

Hospital de Santa Cruz inova no tratamento da IC

A Unidade de Aritmologia de Intervenção do Hospital de Santa Cruz colocou, pela primeira vez em Portugal, um dispositivo implantável para o tratamento da insuficiência cardíaca (IC).

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Um doente com insuficiência cardíaca recebeu, na passada quinta-feira, no Hospital de Santa Cruz, em Lisboa, um dispositivo de assistência circulatório interno, conhecido como “coração artificial”, três dias depois da primeira intervenção em Portugal, realizada no Hospital de Santa Marta.

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O Hospital de Santa Cruz anunciou ontem ter implantado, pela primeira vez em Portugal, o pacemaker mais pequeno do mundo, tornando-se “um dos centros pioneiros” a disponibilizar este equipamento aos doentes.

De acordo com o coordenador da Unidade de Arritmologia de Intervenção do Hospital de Santa Cruz, Pedro Adragão, este primeiro implante marca “uma nova etapa no tratamento das arritmias cardíacas”.

Em comunicado, o especialista explica que, ao contrário do pacemaker convencional, este dispositivo é implantado directamente no coração através de um procedimento “minimamente invasivo”, sem necessidade de colocação de cabos/eléctrodos, que são “os principais responsáveis” pelas complicações a longo prazo.

“Outra das vantagens desta cápsula cardíaca é o facto de não ser necessária uma incisão cirúrgica no peito, eliminando assim qualquer sinal visível do pacemaker e reduzindo o risco de infecções e tempo de recuperação dos doentes”, lê-se no documento.

A nova cápsula mede 2,5 centímetros (um décimo do tamanho de um dispositivo convencional) e é colocada no coração através de um cateter inserido na veia femoral.

“Uma vez colocado, fica preso à parede do coração, podendo ser reposicionado, caso seja necessário”, acrescenta-se na informação.

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Medicina & Justiça

Dois doentes morreram enquanto esperavam por uma intervenção no Hospital Santa Cruz, alegadamente por falta de dispositivos médicos devida a “limitações administrativas”, denunciou hoje a Ordem dos Médicos, com base na denúncia de clínicos da unidade de saúde.

Na conferência de imprensa que a Ordem realizou para denunciar casos graves relacionados com os constrangimentos financeiros, o presidente do conselho regional do Sul deste organismo, Jaime Teixeira Mendes, admitiu levar o caso aos tribunais.

Os dois doentes terão morrido enquanto se encontravam em lista de espera para receber dispositivos médicos para tratar por via percutânea uma estenose aórtica de alto risco.

Jaime Teixeira Mendes admitiu que a Ordem pode levar o caso aos tribunais, nomeadamente contra o conselho de administração da unidade hospitalar, que tem conhecimento da situação, e até o próprio ministro da Saúde, enquanto alegado responsável pelos constrangimentos financeiros que terão estado na base desta falta de material.

Além destas duas mortes, os médicos do Hospital de Santa Cruz que efectuaram a denúncia à Ordem garantem que a Unidade de Intervenção Cardiovascular “ficou sem capacidade de resposta desde o dia quatro de Julho por falta de manutenção e material”.

“Trata-se da unidade de hemodinâmica que realiza angioplastia coronária há mais tempo em Portugal e, desde essa altura, ambas as salas ficaram incapazes de funcionar em condições de segurança para os doentes por avaria no equipamento de angiologia”, prossegue a denúncia.

Os clínicos afirmam que “há mais de dois anos que não há manutenções preventivas destes equipamentos nem controlo da radiação por eles emitidas”.

“Num dos casos está inoperacional por aquecer excessivamente, pois desde há um mês que não há ar condicionado e a sala atinge temperaturas superiores a 30 graus centígrados, com prejuízo e risco dos doentes e profissionais, enquanto no outro caso trata-se de uma peça”.

Jaime Teixeira Mendes adiantou que a Ordem vai questionar o conselho de administração sobre esta situação, tendo já confirmado que as denúncias dos clínicos da unidade de saúde chegaram à administração deste hospital, que pertence ao Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental.

No encontro com os jornalistas, que contou com a presença de duas doentes que dizem ser “a prova” de legislação avulso e os constrangimentos que têm ocorrido no sector, conforme Jaime Teixeira Mendes referiu, foram igualmente denunciados casos de desvios de utentes do litoral alentejano de Setúbal, “para onde têm bons transportes”, para Évora, “onde chegam a ter de pernoitar por falta de soluções de transporte”.

“Além dos milhares de utentes que não têm médico de família – só no concelho de Sines estima-se que sejam à volta de 3.000 e no de Santiago de Cacém, um cifra que pode atingir os 10 mil – os médicos debatem-se com novidades absurdas na referenciação de doentes para especialidades que não existem no Hospital do Litoral Alentejano”.

Segundo a Ordem dos Médicos, a situação traduziu-se em casos como o de uma doente que padece de um problema neurológico grave e que vai esperar um ano por uma consulta.

Outro caso refere-se a uma utente de Sines – hoje presente na conferência de imprensa – cuja filha grávida e com uma complicação que precisava de seguimento, foi referenciada para consulta de obstetrícia, em Setúbal, onde já tinha estado.

O hospital terá recusado a consulta, alegando que a utente não era daquela área. Foi então referenciada para Évora, onde a resposta foi igual. Quando a marcação da consulta chegou, já a criança tinha nascido, denunciam.

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Deixar cair com violência o que é desnecessário e aproveitar a oportunidade
Editorial | Rui Nogueira, presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar
Deixar cair com violência o que é desnecessário e aproveitar a oportunidade

Assaltar o desnecessário. Rasgar a burocracia. Rejeitar o desperdício. Anular a perda de tempo. As aprendizagens da pandemia serão uma ótima oportunidade para acertar procedimentos e aperfeiçoar métodos de trabalho. O estado de emergência e o estado de calamidade ensinaram-nos muito! É necessário desconfinar o centro de saúde e reinventar o conceito com unidades de saúde aprendentes e inovadoras.

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