O ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, afirmou ontem que o Governo precisa do tempo que falta até ao final da legislatura para iniciar um processo de consolidação e sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

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O Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT) recomenda aos portugueses que pretendem viajar para o Brasil que se vacinem contra a febre-amarela devido ao surto que atinge o estado de Minas Gerais e já provocou oito mortes.

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A parasitologista portuguesa Maria Manuel Mota disse ontem à agência Lusa ser "maravilhosa" a atribuição do Prémio Nobel da Medicina a investigadores que descobriram novas terapias para combater "doenças negligenciadas" no ocidente.

Maria Manuel Mota, investigadora do Instituto de Medicina Molecular da Universidade de Medicina de Lisboa, salientou o facto de a academia sueca ter premiado investigação sobre doenças que, hoje em dia, não são muito valorizadas no mundo ocidental mas que nos países mais pobres provocam centenas de milhares de mortes.

A academia sueca distinguiu ontem os investigadores norte-americano William C. Campbell e japonês Satoshi Omura, pela descoberta de uma nova terapia para combater doenças parasitárias, e a chinesa Youyou Tu pela investigação sobre um novo fármaco, igualmente inovador, que permitirá, nos próximos anos, com bater eficazmente a malária.

"É um prémio maravilhoso para a investigação sobre estas doenças, que não afetam o dia-a-dia no Ocidente, que não são globais, mas que incidem fortemente nos países menos desenvolvidos", afirmou a parasitologista portuguesa, aludindo ao novo medicamento, Artemisinin (desenvolvido a partir de ingredientes usados na medicina tradicional chinesa), que tem reduzido significativamente a taxa de mortalidade em doentes com malária.

No entanto, lembrou, o novo fármaco "terá os dias contados", pois a resistência ao medicamento por parte dos portadores acabará por prevalecer daqui a alguns anos, razão pela qual se deve continuar a apoiar financeiramente as investigações futuras, sobretudo em "doenças negligenciadas", como é o caso.

"Não podemos esquecer, por exemplo, a questão das atuais migrações para a Europa, que podem trazer novos problemas sanitários. Nunca se sabe, pelo que será necessário haver a disponibilização de mais fundos para prosseguir com as investigações", frisou Maria Manuel Mota, alertando que há ainda muito a fazer para erradicar o mosquito transmissor da malária.

Mais de 3.400 milhões de pessoas que residem nas zonas mais vulneráveis são potenciais infetados com malária, que, todos os anos, mata mais de 450 mil pessoas, na sua maioria crianças.

Já sobre a distinção à dupla de cientistas norte-americano e japonês, a parasitologista portuguesa disse-se "pouco à vontade" - "não é a minha área" - para comentar, salientando, porém, que o novo tratamento para a cegueira dos rios e para a elefantíase, é também "maravilhoso" pelas mesmas razões.

A maioria dos parasitas, que se estima afetar um terço da população mundial, tem uma prevalência particular na África Subsaariana, sul da Ásia e nas Américas Central e do Sul.

Na pior das hipóteses, a Cegueira dos Rios (Onchocerciasis) leva a perda total da visão, devido à crónica inflamação da córnea. A Filariose Linfática (elefantíase), por sua vez, afeta mais de 100 milhões de pessoas e provoca inchaços crónicos e engrossamento da pele e de tecidos adjacentes.

Investigador português saúda atribuição do Nobel da Medicina a novas terapias contra parasitas 

O investigador Henrique Silveira também considerou "bem atribuído" o Prémio Nobel da Medicina.

Em declarações à agência Lusa, o professor do Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT) defendeu que a atribuição do Nobel da Medicina ao norte-americano William C. Campbell, ao japonês Satoshi Omura e à chinesa Youyou Tu tem a "grande vantagem de chamar a atenção para problemas bem reais".

"Estas descobertas estão a fazer a diferença e a grande vantagem (do prémio) é a de vir chamar a atenção para os problemas reais", ligados à malária, no caso de Youyou Tu, e à cegueira dos rios e à elefantíase, sublinhou Henrique Silveira, formado no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), no Porto, com pós-graduações no Imperial College e no London School, ambos em Londres.

Para Henrique Silveira, em relação à cegueira dos rios e à elefantíase, o prémio vem também chamar a atenção para o que considerou como "doenças negligenciadas" pelo Ocidente, tal como referiu Maria Manuel Mota.

"Estas doenças afetam sobretudo os países de baixos rendimentos e raramente chegam aos mais desenvolvidos, não afetando tanto como a malária", sublinhou, lembrando, porém, haver cerca de 100 milhões de casos anuais em todo o mundo.

Sobre a malária, Henrique Silveira destacou que o novo fármaco, a Artemisinina e respetivos derivados, tem levado à obtenção de resultados "muito positivos" no combate pela erradicação do paludismo, que afeta mais de 3.400 milhões de pessoas e provoca anualmente cerca de 450 mil mortes, grande parte delas crianças.

No entanto, defendeu que a investigação não pode parar, uma vez que o novo medicamento, eficaz em África, já está a ser alvo de algumas resistências no sudeste asiático, apelando, por isso, para mais fundos internacionais destinados à investigação.

Lusa/Jornal Médico

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A erradicação da malária no mundo nunca esteve tão perto como atualmente, mas o caminho a percorrer é “ainda imenso” e é preciso evitar que se cruzem os braços face ao sucesso já alcançado, afirmou um investigador português.

Numa entrevista à agência Lusa, Henrique Silveira, investigador do Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT) de Portugal, comentava os resultados do recente relatório conjunto da OMS e UNICEF, divulgado a 17 deste mês, que indicou que a taxa de mortalidade da malária baixou 60% desde 2000, embora existam ainda 3.000 milhões de pessoas em risco de contrair a doença.

Segundo o documento, a queda de mortalidade traduziu-se por 6,2 milhões de vidas poupadas nos últimos 15 anos, perto de seis milhões dos quais são crianças menores de cinco anos, o grupo mais vulnerável à malária, maioritariamente na África subsaariana.

"Nunca estivemos tão próximo (de acabar com a malária), mas o caminho a percorrer ainda é gigante. E a grande mensagem do relatório é essa. Nos últimos 15 anos tivemos um grande sucesso, mas não podemos agora cruzar os braços e deixar as coisas a rolar. Temos de continuar a manter o esforço para controlar a malária", disse.

"Há um grande caminho a percorrer, que é desigual. Onde existem recursos para combater a malária não há a doença e onde não existem recursos é onde a doença está concentrada", observou Henrique Silveira, 49 anos, natural de Ponta Delgada (Açores).

Segundo o investigador, formado no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), com pós-graduações no Imperial College e no London School, ambos em Londres, o combate à doença também conhecida por paludismo terá sempre de ser multidisciplinar, pelo que procurar uma vacina, por exemplo, não será suficiente.

"Uma vacina seria muito importante. Há uma vacina que está a ser testada em vários locais em África, que já teve um parecer positivo da Agência Europeia do Medicamento, que é um grande passo. Mas a vacina, por si só, não pode ser utilizada isoladamente. Temos de nos socorrer de tudo: tratamento, melhoria das condições sanitárias e luta antivetorial. A vacina será mais uma achega para isso", defendeu.

Nesse sentido, frisou Henrique Silveira, a malária vai continuar a ser endémica durante mais algum tempo, sobretudo na grande maioria dos países da África subsaariana, pois os riscos passam pela evolução ou mutação do parasita, em que a investigação não poderá dar tréguas, estando em curso, lembrou, o processo de esterilização do mosquito transmissor.

Angola e Moçambique, embora não sejam dos mais problemáticos - os maiores são a Nigéria e RDCongo -, estão no grupo de risco, enquanto os casos de Cabo Verde e de São Tomé e Príncipe são já considerados um "sucesso", pois os programas de controlo permitiram a diminuição significativa de casos autóctones.

"O esforço de controlo deve ser continuado. Se hoje ou amanhã se decidir que o programa da malária é demasiado caro e não se quer mais investir, de certeza que vamos ter de volta malária nos números pré-intervenção. Deixa de haver investimento, os números começam a subir e tornam-se catastróficos ao fim de poucos anos", insistiu.

"Se pensarmos na malária como uma doença complexa, que é causada por um parasita que tem um ciclo de vida que envolve a pessoa e o vetor, o mosquito, e em cada um desses hospedeiros ele tem de desenvolver o seu ciclo de vida, o controlo tem de ser com base em múltiplas fases.

Para Henrique Silveira, tem de se conseguir controlar a transmissão, impedir que o mosquito infetado chegue às pessoas e, ao mesmo tempo, controlar as pessoas, tratando e impedindo que sejam infetadas.

Lusa

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Um estudo que está a ser feito a nível europeu pode apresentar, até final do ano, resultados que levem a uma vacina contra a SIDA em menos de uma década, defendeu hoje o investigador José Marcelino.

Investigador auxiliar do Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT), José Marcelino é um dos organizadores de uma conferência (Global Health and Tropical Medicine: HIV Challenges) que, na sexta-feira, junta em Lisboa os maiores especialistas europeus sobre VIH/SIDA.

Em declarações à Lusa, o responsável salientou que se tudo “funcionar bem” no trabalho que está a ser feito, em menos de uma década poderá ter-se chegado a uma vacina, que proteja a progressão da infeção e evite novas infeções. “Se tudo ocorrer da maneira que estamos a pensar, ficamos um passo mais perto da vacina”, frisou.

O estudo que está a ser feito, há já vários anos, junta doentes de Portugal (cerca de mil), França e Alemanha, num total que oscila entre os quatro e os cinco mil. É da responsabilidade do consórcio europeu que está a estudar uma vacina e que funciona no âmbito da rede europeia ERA-Net HIVERA, dedicada à investigação em VIH/SIDA.

Com um extenso e complexo nome, o estudo está a ser dirigido por Patrice Debré (coordenador do consórcio), da Universidade Pierre e Marie Curie (França), que, em declarações à Lusa, diz que, apesar de todos os avanços, ainda não se conhecem “os determinantes da resposta imune que iria controlar o vírus”.

Salientando a importância dos estudos em pessoas que conseguem naturalmente controlar a doença, o especialista frisou que o vírus “apresenta uma grande variabilidade, o que lhe permite escapar de formas diferentes às respostas imunitárias”.

“Não sabemos induzir respostas imunitárias celulares ou por anticorpos específicos que sejam suficientemente protetoras do homem”, afirmou.

De acordo com Patrice Debré, os investigadores trabalham na busca de respostas através das células e de anticorpos, procuram novas metas, mas “é impossível fazer previsões”, porque se trata de um trabalho demorado e por etapas.

“Penso que estamos no caminho correto para uma solução, porque a pandemia não se controla com antirretrovirais”, referiu José Marcelino.

Já quanto ao investimento europeu na investigação, José Marcelino é menos otimista, diz que há menos apoios hoje e fala mesmo em “desinvestimento”, ao mesmo tempo que lamenta que, em Portugal, ao contrário de outros países, não haja apoios privados à investigação.

A especialista Perpétua Gomes, do Hospital Egas Moniz e que também vai participar na conferência, diz que os avanços no tratamento da doença levaram a essa noção de que a sida já não é o problema que era há umas décadas e, por isso, alguns grupos começaram a despreocupar-se.

Mas está errado, porque Portugal continua a ter um número de infetados muito elevado, 42 mil, e, se os jovens estão mais esclarecidos, há uma faixa etária entre os 30 e os 40 anos que parece estar a “facilitar”, assinala Perpétua Gomes.

“Quem está no meio sabe, continuam a existir novas infeções, a Sida continua a matar, não mata é tão cedo”. A especialista considera também que uma vacina, no conceito que se tem de vacina, não está para breve, admitindo mais rapidez numa cura, ainda que essa rapidez não deva ser a menos de dez anos.

Como José Marcelino, Perpétua Gomes salienta a importância da prevenção. E diz sobre isso Patrice Debré: “Mesmo que haja num certo número de países uma diminuição da epidemia ela está longe de estar controlada. É preciso não abrandar as medidas de prevenção e continuar a apoiar a investigação”.

A dar razão às cautelas dos investigadores estão os 30 milhões de infetados, só na África Subsaariana. Deles, dos avanços na busca de uma vacina, das estratégias mais recentes, ou da terapêutica antirretroviral se falará na sexta-feira, no Instituto de Higiene e Medicina Tropical.

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[caption id="attachment_5388" align="alignleft" width="300"]ihmt O IHMT esteve entre as cinco instituições premiadas, em todo o mundo, pela Fundação Elsevier em 2013, neste programa. Segundo o comunicado da Fundação, emitido ontem, foram seleccionados para financiamento projectos que sirvam como exemplo e que tenham impacto a longo prazo na capacitação da comunidade científica. O projecto do IHMT foi considerado “uma parceria única em saúde tropical entre mulheres cientistas de língua portuguesa em África e as suas homólogas em Portugal”.[/caption]

A Fundação Elsevier atribuiu uma bolsa no valor de 50 mil euros ao Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade Nova de Lisboa, no âmbito do programa “New Scholars”, para desenvolver uma rede de parceria com o objectivo de apoiar mulheres cientistas de África, em início de carreira, a tornarem-se cientistas de excelência, através da conciliação das carreiras profissionais com a vida familiar. A grande finalidade é, a médio-longo prazo, promover a qualidade e o aumento do número de mulheres cientistas nos Países Africanos de Língua Portuguesa.

O IHMT esteve entre as cinco instituições premiadas, em todo o mundo, pela Fundação Elsevier em 2013, neste programa. Segundo o comunicado da Fundação, emitido ontem, foram seleccionados para financiamento projectos que sirvam como exemplo e que tenham impacto a longo prazo na capacitação da comunidade científica. O projecto do IHMT foi considerado “uma parceria única em saúde tropical entre mulheres cientistas de língua portuguesa em África e as suas homólogas em Portugal”.

No âmbito do projecto, as investigadoras do IHMT vão colaborar na capacitação das homólogas dos PALOP, prestando apoio e aconselhamento. Para o efeito, será criado um site para ligar em rede as investigadoras, vão ser oferecidos cursos à distância em escrita e coordenação científica, bem como workshops locais com apoios para cientistas que são também mães.

A Fundação Elsevier foi fundada em 2002 e já atribuiu mais de 60 bolsas, no valor de milhões de dólares, a instituições sem fins lucrativos, que desenvolvem projectos nas áreas das bibliotecas, da enfermagem e das mulheres cientistas em início de carreira. A Fundação é financiada pela Elsevier, uma editora de referência de produtos e serviços técnicos, científicos e médicos, entre os quais as publicações científicas The Lancet e Cell.

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Serviço Nacional de Saúde – 40 Anos
Editorial | Jornal Médico
Serviço Nacional de Saúde – 40 Anos

Reler as origens do Serviço Nacional de Saúde ajuda a valorizar o presente e pode ser uma forma de aprender para investir no futuro com melhor fundamentação

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