Hospital_generico
A Plataforma Saúde em Diálogo alertou hoje para a “contínua degradação” do Serviço Nacional de Saúde e desafiou os políticos a criarem um “estratégia de longo prazo para a saúde”.

O alerta da plataforma, uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS), sem fins lucrativos, que congrega 43 associações de doentes, promotores e profissionais de saúde e de consumidores, surge na sequência de um encontro que realizou na terça-feira, em Lisboa, com representantes de partidos políticos.

No encontro, que contou com a presença deputados Carla Cruz (PCP), Carla Rodrigues (PSD), Teresa Caeiro (CDS-PP) e de Álvaro Beleza da Comissão Política do PS, a presidente da plataforma, Maria do Rosário Zincke, exprimiu “a preocupação das entidades que dão voz aos doentes para a contínua degradação que atualmente se assiste no Serviço Nacional de Saúde”, refere a Plataforma Saúde em Diálogo em comunicado hoje divulgado.

Desafiou também os deputados a criarem “uma estratégia de longo prazo para a Saúde”, que deve apostar na literacia, na prevenção e na promoção da saúde, com enfoque especial nas doenças crónicas, que representam atualmente “a maior percentagem dos encargos com a doença na Europa, sendo responsáveis por 86% de todas as mortes”.

Segundo a Plataforma Saúde em Diálogo, a deputada comunista Carla Cruz mostrou-se a favor da criação de um estatuto do doente crónico, defendeu a alocação de mais recursos financeiros e humanos à saúde e propôs a eliminação das taxas moderadoras.

Já a deputada do CDS Teresa Caeiro realçou os bons indicadores de satisfação dos utentes relativamente ao Serviço Nacional de Saúde, refere o comunicado.

A deputada do PSD Carla Rodrigues considera que mais importante do que o Estatuto do Doente Crónico é a criação de medidas concretas de apoio aos doentes.

Para Álvaro Beleza, da Comissão Política do PS, a estratégia de futuro passa por “apostar no que é público”, “gerir melhor o que é público”, melhorar a acessibilidade e promover a gestão integrada (hospitais, rede de cuidados primários e continuados), descentralizar e atribuir maior poder e responsabilidade aos utentes e às associações, adianta o comunicado.

No comunicado, a Plataforma Saúde em Diálogo sublinha que, na reunião, “ficaram claras algumas linhas de consenso” no que toca à importância do doente, à necessidade de respostas eficazes para o reconhecimento do papel do cuidador, a uma maior aposta na prevenção da doença e ao envolvimento ativo e efetivo do cidadão e das associações na criação, implementação e monitorização das políticas de saúde.

Published in Mundo

Macedo, Paulo 1

O Ministro da Saúde, Paulo Macedo, admitiu hoje recorrer de forma “residual e temporária” às Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) para dar resposta à falta de médicos de família.

“Há muitas coisas a fazer, quer em termos de optimização, quer em termos de, voluntariamente, os médicos terem um número adicional de utentes que acompanhem durante um período de tempo, quer através de convenções pontuais que se queiram fazer em determinadas áreas, designadamente com IPSS onde haja essas condições”, afirmou o ministro à margem da inauguração do novo Pavilhão de Ambulatório do Centro Hospitalar de Gaia/Espinho.

Para cumprir o objectivo de “ter todos os portugueses com um médico de família”, Paulo Macedo contou que há “múltiplas iniciativas” que têm sido analisadas e “uma delas passa por, durante um período transitório, extraordinário, e para zonas carenciadas, mais médicos poderem ver, de forma voluntária, um número maior de utentes”.

“Isso é totalmente pacífico, de forma transitória e extraordinária quer com a Ordem dos Médicos quer com os sindicatos”, frisou o governante, para quem “se o país fosse uma realidade equitativa, que não é, bastava cada médico ver mais 200 utentes”.

Paralelamente, o governo está a equacionar um recurso às IPSS. A ser efectuado, “será se houver acordo e será sempre de uma forma residual e temporária”.

“Não é daí com certeza que virá um grande contributo”, realçou Paulo Macedo, acrescentando estar “disponível para analisar essa possibilidade” em concelhos como a Amadora e na região de Lisboa, onde se verifica “uma grande falta de médicos de família” e onde a resposta pode ser dada pela Santa Casa da Misericórdia da Amadora ou pelos Serviços Sociais da Câmara de Lisboa.

Questionado sobre o número de utentes que podem ser abrangidos por esta medida respondeu: “estamos sempre a falar de 20 mil, 30 mil, 40 mil, 50 mil pessoas”.

“Será residual comparando com aquilo que é a cobertura de médicos de família (…), que deve vir pelos que são formados e contratados por tempo indeterminado pelo Estado”, assinalou o ministro, que lembrou os “mais de 300 médicos” que deverão acabar a sua especialização nos meses de Abril e Setembro.

O Ministério da Saúde confirmou quinta-feira a intenção de discutir o alargamento da lista de utentes por médico de família, mas sublinhou que ainda não está definido um limite máximo.

Numa resposta enviada à agência Lusa, o Ministério refere que o alargamento da lista de utentes, que ainda está em discussão com os sindicatos médicos, será transitório, voluntário, será apenas em zonas carenciadas como para os incentivos à mobilidade e terá a dimensão que os médicos estiverem dispostos a aceitar individualmente “até um limite a definir”.

Em reacção, a Ordem dos Médicos do Norte considerou que aumentar o número de utentes por médico de família "compromete a qualidade do acto médico", vendo a medida como "um sinal claro e inequívoco do desnorte da política de Saúde".

Published in Mundo

Cuidadoscontinuados3
O presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS), padre Lino Maia, disse ontem que estas entidades estão disponíveis para prestar cuidados de saúde primários, adiantando que decorrem negociações com o Governo neste sentido.

“Temos muitas IPSS [instituições particulares de solidariedade social] por todo o país que, muitas vezes, têm um médico, têm enfermeiros, têm pessoas habilitadas para prestar cuidados primários”, disse Lino Maia, em Fátima, à margem do encontro nacional “As IPSS e a Saúde – perspectivas para o século XXI”.

O responsável afirmou que foram disponibilizados estes “recursos humanos e logísticos para que haja um maior e um melhor atendimento, particularmente às zonas mais deprimidas”, considerando que, “onde não há resposta pública”, estas instituições podem dá-la.

Segundo o presidente da CNIS, com esta proposta, apresentada ao Governo, mas que carece ainda de resposta, “todos lucrariam”. “As instituições, porque tinham apoio para os seus recursos humanos, o Estado pouparia porque não precisava de ter recursos humanos em toda a parte e a comunidade lucraria porque tinha respostas de proximidade e não tinha que fazer grandes deslocações, muitas vezes sem meios”, considerou.

Questionado sobre se há custos muito elevados com esta proposta, o responsável negou. “É uma espécie de complementaridade, porque as instituições, em meios deprimidos, têm um lar, têm já um médico e têm enfermeiros. Portanto, era só disponibilizar algumas horas para o serviço à comunidade e ser apoiado por essas horas”, adiantou, explicando que esta proposta integra um protocolo que está a ser negociado com vários ministérios e o sector solidário.

O responsável esclareceu que neste protocolo e no âmbito da saúde está ainda em análise a transferência dos hospitais, os cuidados continuados e os casos de pessoas que são abandonadas em hospitais para as quais as IPSS vão procurar respostas.

Aos jornalistas, o ministro da Saúde, Paulo Macedo, reconheceu que, em termos de futuro, se pode construir com as IPSS “uma colaboração em novas áreas”, apontando a possibilidade “de algum tipo de acordo/convenção, na área de cuidados primários”, dado que são necessárias “várias iniciativas” para o país “ter um médico de família para todos os portugueses”.

“Temos um período excepcional de três, quatro anos, até podermos ter termos médicos suficientes contratados pelo Estado directamente”, explicou, defendendo a necessidade de “recorrer a várias outras formas durante um período transitório”.

Para Paulo Macedo, “aqui há claramente uma janela de oportunidade” de colaboração com as IPSS e também de desenvolvimento do trabalho em curso “nas unidades de média e longa duração na parte de cuidados continuados”.

Published in Mundo

pedrogaogrande

A Unidade de Cuidados Continuados da Misericórdia de Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, vai abrir em Outubro após um investimento de dois milhões de euros, disse hoje à agência Lusa o provedor da instituição.

“É o concretizar de um desejo”, afirmou João Marques, salientando a importância de mais esta valência da instituição, que vai aumentar a “oferta social” no concelho e permitir, também, a criação de 25 novos postos de trabalho.

A unidade, pronta desde o início de 2013, tem 32 camas, sendo que para 30 delas “há acordo de financiamento”, referiu o responsável.

“Quem coloca os utentes é o Ministério da Saúde, mas é desejável que sejam pessoas da região, não apenas por uma questão de comodidade para elas, como para as respectivas famílias”, adiantou João Marques.

A obra – instalações, equipamento e arranjos exteriores – teve um custo de cerca de dois milhões de euros, tendo obtido um financiamento do Ministério da Saúde de 630 mil euros.

“Mantemos uma dívida de um milhão de euros à banca e temos uma candidatura ao Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) que, se fosse aprovada, permitiria à misericórdia reduzir o endividamento”, continuou João Marques.

Segundo o provedor da Santa Casa da Misericórdia, “se houvesse apoio do QREN era uma garrafa de oxigénio para a tesouraria” da instituição que poderia equacionar “outro tipo de investimento virado para o seu público-alvo, a população envelhecida”, assim como para “os jovens que procuram emprego”.

Para amortizar a dívida, o provedor anunciou, em Março, que a misericórdia iria alienar quatro imóveis, tendo já concretizado a venda de um apartamento no concelho de Cascais.

A Misericórdia de Pedrógão Grande tem 84 utentes em lar e mais 60 nos três centros de dia, na sede do concelho, Vila Facaia e Graça. Presta, igualmente, apoio domiciliário a 45 pessoas e, nas valências de creche e jardim-de-infância, tem 60 crianças. Tem, ainda, cantina social, na qual são apoiadas cerca de 25 pessoas.

Actualmente conta com 88 funcionários e dez avençados. A misericórdia é, depois da Câmara Municipal, o maior empregador do concelho, acrescentou o provedor.

Published in Atualidade

idosos1

A unidade de gerontopsiquiatria do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra (CHUC) vai prestar cuidados a idosos com perturbações psiquiátricas nos lares onde estão instalados, após a celebração um protocolo com 12 instituições do distrito.

O serviço de acompanhamento nas Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) deverá decorrer quinzenalmente, pretendendo-se com esta iniciativa tornar a prestação de cuidados "mais cómoda e mais eficiente", sublinhou António Reis Marques, director do Centro de Responsabilidade Integrada de Psiquiatria e Saúde Mental (CRI-PSM).

Segundo o director do CRI-PSM, este tipo de acompanhamento reduz custos e evita que os doentes, "muitos deles com graves dificuldades de mobilização", se desloquem até ao hospital, diminuindo também "o número de urgências de idosos no hospital".

A iniciativa pretende ainda formar "os funcionários que trabalham de perto com os idosos", de forma a tentar detectar precocemente "anomalias psíquicas", e dar-lhes apoio "regular", acrescentou Reis Marques.

Segundo a nota de imprensa do CHUC, o protocolo permite "melhorar o acesso dos doentes a avaliação", a partir de "consultas especializadas", "promover a permanência do doente no seu meio ambiente", assim como "melhorar os cuidados no contexto de episódio agudo".

Os sintomas de descompensação aguda, como a agitação, "são uma das principais causas que leva os doentes com demência às urgências hospitalares", refere o CHUC, frisando que, "através de um sistema de monitorização flexível, será possível intervir rapidamente e garantir que os doentes só virão ao hospital em caso de efectiva necessidade".

Com esta iniciativa, diz a nota, evita-se também "atrasos no internamento hospitalar".

Para a materialização do protocolo entre CHUC e as diferentes IPSS será criada uma equipa multidisciplinar, constituída por psiquiatras, enfermeiros, assistentes sociais e psicólogos, que se vai deslocar aos lares.

O protocolo é assinado na sexta-feira, no CHUC, entre o hospital e as diferentes instituições envolvidas.

Published in Mundo
segunda-feira, 10 fevereiro 2014 11:45

Futuro das IPSS passa por apoio domiciliário aos idosos

[caption id="attachment_6576" align="alignleft" width="300"]scmcastelobranco O coordenador do secretariado regional de Castelo Branco da União das Misericórdias Portuguesas falava durante o 1.º Encontro de Gerontologia da Santa Casa da Misericórdia de Castelo Branco, uma iniciativa integrada nas comemorações dos 500 anos da instituição[/caption]

O coordenador regional de Castelo Branco da União das Misericórdias defende que o futuro das instituições portuguesas de solidariedade social (IPSS) passa pela aposta no apoio domiciliário aos idosos.

"Temos um problema sobre a sustentabilidade das IPSS no futuro. Já não é possível responder às necessidades dos idosos, criando mais equipamentos. O envelhecimento da população vai continuar e as instituições têm que perceber, de uma vez por todas, que têm de apostar no apoio ao domiciliário aos idosos", referiu Joaquim Morão.

O coordenador do secretariado regional de Castelo Branco da União das Misericórdias Portuguesas falava durante o 1.º Encontro de Gerontologia da Santa Casa da Misericórdia de Castelo Branco, uma iniciativa integrada nas comemorações dos 500 anos da instituição que se realizou na passada sexta-feira.

Joaquim Morão disse ainda que nos últimos 40 anos houve mudanças significativas na população portuguesa, onde havia "uma população activa e 40 anos depois existe um país de velhos".

Apesar das dificuldades que Portugal atravessa, Joaquim Morão explicou que "o país tem vindo a organizar-se para dar uma resposta ao envelhecimento da população".

"Se antes do 25 de Abril, praticamente eram as misericórdias a prestar um serviço de saúde e de assistência, nos últimos 25 anos surgiu uma nova realidade, as IPSS que se instalaram por todo o país".

O director distrital do Centro de Segurança Social de Castelo Branco tem a mesma opinião que Joaquim Morão e referiu que "o apoio domiciliário é o ideal".

Melo Bernardo disse que actualmente "parte das IPSS debate-se com grandes problemas", mas sublinhou que "a segurança social tem vindo a saber apoiar e ajudar" as instituições em geral.

"As dificuldades são muitas. Já há excesso de construção [de IPSS]. O que temos no distrito dá para responder às necessidades dos nossos idosos", disse.

O director distrital da Segurança Social explicou ainda que existem 158 IPSS no distrito de Castelo Branco, com 480 acordos de cooperação assinados, o que implica uma verba anual de 35,6 milhões de euros.

Melo Bernardo realçou a importância do sector social ao nível da empregabilidade no distrito de Castelo Branco, "onde existem cerca de 4 mil trabalhadores, grande parte deles altamente qualificados".

Para o futuro, o presidente distrital da segurança social não prevê que haja encerramento de IPSS, mas adianta que "muitas terão eventualmente que ser reconvertidas", nomeadamente "para responder às situações de demência".

O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Castelo Branco referiu que actualmente "já só vão para a misericórdia pessoas, em média, com mais de 80 anos".

Cardoso Martins sublinhou ainda que nos próximos anos "vai entrar-se numa convulsão terrível das pessoas idosas com demência. Já é hoje uma realidade, mas tem tendência para crescer de forma vertiginosa".

O provedor da Misericórdia de Castelo Branco disse também que "muitas unidades a prestar serviço aos idosos terão tendência para ficar devolutas" e acrescentou que prevê que "o futuro vai ser muito difícil".

Published in Atualidade
800 milhões de euros para o Serviço Nacional de Saúde
Editorial | Jornal Médico
800 milhões de euros para o Serviço Nacional de Saúde

Se não os tivéssemos seria bem pior! O reforço do Programa Operacional da Saúde com 800 milhões de euros pode ser entendido como sinal político de valorização do setor da saúde. Será uma viragem na política restritiva? O Serviço Nacional de Saúde (SNS) de 40 anos precisa de cuidados intensivos! Há novos enquadramentos, novas responsabilidades, novas ideias e novas soluções. É urgente pensarmos na nova década com rigor e disponibilidade sincera.

Mais lidas