O secretário-geral do PCP considera que a reposição das 35 horas semanais no setor da Saúde foi “uma das medidas mais justas”. No entanto, Jerónimo de Sousa pede que o Governo avance com mais contratações de profissionais de saúde. 

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O secretário-geral do PCP disse que o CDS, que “bateu com a mão no peito em relação à saúde”, devia “prestar contas” por votar contra fim das taxas moderadoras e acompanhamento de doentes não urgentes.

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jeronimodesousaO secretário-geral do PCP diz que a urgência do Hospital Garcia de Orta reflecte o agravamento das condições de vida de muitos portugueses obrigados a recorrerem àquele serviço devido ao encerramento de serviços de saúde.

"Este hospital reflecte aquilo que vínhamos dizendo: o agravamento das condições de vida das pessoas que atinge particularmente os mais vulneráveis", disse Jerónimo de Sousa ontem, no final de uma visita ao Hospital Garcia de Orta, em que reuniu com o Conselho de administração, com representantes sindicais do sector da saúde e em que visitou o serviço de urgência.

Para o líder comunista, o problema central do SNS (Serviço Nacional de Saúde) nem sequer passa pelas urgências hospitalares, mas pelo encerramento de unidades de cuidados de saúde primários de proximidade, que acabam por empurrar muitos portugueses para as urgências, como acontece no Garcia de Orta.

"Estamos perante uma grande unidade hospitalar, que serve 350.000 pessoas, e aquilo que se verifica é que as consequências da liquidação dos serviços de proximidade, dos cuidados primários de saúde e a falta de resposta, tendo em conta a política de encerramentos nos últimos anos, leva a que muitos idosos recorram às urgências, porque não tiveram médico de família, não tiveram acompanhamento no serviço de saúde", disse.

"Vêm para o hospital sem alternativa, porque a única alternativa é morrerem", acrescentou Jerónimo de Sousa, reiterando que o problema é ainda mais dramático para os idosos.

O dirigente comunista alertou também para a destruição progressiva do SNS, não por decreto, mas através de sucessivos cortes orçamentais e da precariedade das relações de trabalho dos profissionais de saúde, que acabam por prejudicar a qualidade do serviço prestado aos utentes.

"Neste momento em que estamos assistir à liquidação de carreiras, aumento dos horários de trabalho, cortes brutais nos seus vencimentos e direitos, o que pode ter implicações no grau de motivação dos profissionais, pode levar a situações de abandono, para a reforma ou para o sector privado, pode levar a uma precariedade muito grande. E nós consideramos que o respeito pelos direitos destes profissionais constituem um bem precioso para garantir o SNS", advertiu.

"Nunca vai haver um decreto a dizer: fim ao SNS. O problema é que o SNS pode ser destruído paulatinamente com estas políticas de cortes orçamentais, com o encerramento de serviços de saúde, com o ataque aos profissionais de saúde", acrescentou.

No final da visita, em que ainda trocou algumas palavras com o utente que disse ter estado "dez horas" à espera para ser atendido no serviço de urgência do Garcia de Orta, Jerónimo de Sousa Jerónimo de Sousa afirmou que a defesa do SNS passa por uma nova política de saúde.

"Nós consideramos fundamental que o SNS, que a Constituição da República consagra, ainda pode ser defendido desde que haja uma política diferente que respeite quem trabalha, que não destrua mais serviços de proximidade fundamentais para as populações e, particularmente, para os idosos", concluiu.

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