Desde que a COVID-19 chegou ao nosso país, foram implementadas “regras” e contingências às nossas rotinas e dia-a-dia. O acesso aos Cuidados de Saúde não foi exceção.
No último procedimento concursal para reforçar os cuidados de saúde primários com mais especialistas em Medicina Geral e Familiar, apenas 73 das 113 vagas foram preenchidas.
Numa altura em que se discute o futuro do médico de família, é importante abordarmos o que é na realidade o seu presente.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a adesão à terapêutica pode ser definida como o grau em que o comportamento de uma pessoa é representado não só pela ingestão de medicamento, mas também pelo seguimento da dieta, das mudanças no estilo de vida e ainda se corresponde e concorda com as recomendações do médico ou de outro profissional de saúde.1
Um em cada cinco médicos de família recebem todas as semanas pedidos de baixas médicas desnecessárias e 8% confessam que acabam por ceder aos doentes, mesmo sem motivos clínicos, revela um estudo hoje divulgado.
A acusação chegou a propósito do Dia Europeu de Luta Contra o Cancro do Cólon. Foi no início de novembro que a SPG, por meio do seu presidente, José Cotter, denunciou aquela que considera ser uma “pressão imoral de índole económica” sobre os especialistas de MGF, por alegadas restrições na solicitação dos exames, como é o caso das colonoscopias. Consciente da gravidade do problema e porque constituem uma situação de violação das normas de orientação clínica emitidas pela DGS, José Cotter falou à redação do Jornal Médico deixando uma promessa: a SPG vai continuar a “levantar voz” sempre que “a promoção e o desenvolvimento da Gastrenterologia ao serviço da saúde do país não estiverem a ser cumpridos”. Carlos Paiva, especialista em MGF comenta as afirmações do presidente a SPG e afirma que os médicos de família “não são seguramente facilmente pressionáveis e colocarão sem hesitar, na sua larga maioria, o interesse do doente à frente de qualquer outra questão, chame-se ela pressão ou outra coisa qualquer”.
Os últimos meses foram vividos por todos nós num contexto absolutamente anormal e inusitado.
Atravessamos tempos difíceis, onde a nossa resistência é colocada à prova em cada dia, realidade que é ainda mais vincada no caso dos médicos e restantes profissionais de saúde. Neste âmbito, os médicos de família merecem certamente uma palavra de especial apreço e reconhecimento, dado o papel absolutamente preponderante que têm vindo a desempenhar no combate à pandemia Covid-19: a esmagadora maioria dos doentes e casos suspeitos está connosco e é seguida por nós.