terça-feira, 08 julho 2014 16:26

Médicos em greve: PS e PSD

Greve

PS

O PS disse hoje compreender o protesto dos médicos, que hoje iniciaram uma greve de dois dias, e declarou que quem tem feito greve no sector tem sido o Governo, que tem feito cortes e potenciado um "atraso civilizacional".

"O PS compreende a indignação dos profissionais de saúde e quer dar uma palavra àqueles que hoje não fazem greve, como sejam os administrativos, os auxiliares, os enfermeiros, todos os profissionais de saúde que se não fosse o seu esforço diário e a sua abnegação ao serviço público, o serviço público de saúde estaria em muito pior situação", declarou Álvaro Beleza, do Secretariado Nacional socialista, numa intervenção na sede do partido, em Lisboa.

O dirigente do PS, médico de profissão, advertiu que os cortes "que Governo fez em três anos" no sector da saúde "são o dobro do exigido pela troika", e não houve qualquer tipo de "reformas e modernização do sistema de saúde" neste período.

"Aliás, parece que quem tem estado em greve tem sido o Governo, porque é um Governo de reacção e não de acção", advogou Álvaro Beleza, que deu como exemplo a notícia do Diário Económico de hoje onde é revelado que o ministro da Saúde vai transferir para os hospitais uma dotação extra de 300 milhões de euros, naquele que poderá ser desde já um "mérito" da greve convocada para estes dois dias.

Os médicos, lembrou ainda o socialista, "têm uma obrigação até histórica", já que "foram também" eles que ajudaram a fundar o Serviço Nacional de Saúde, e é importante que transmitam aos portugueses o que se passa no sector.

"Este caminho é insuportável, é um atraso civilizacional e os portugueses têm de dizer basta", reforçou, dizendo ainda que a nível partidário "todo o PS defende o SNS fundado por [António] Arnaut e tem orgulho nele".

Álvaro Beleza disse ainda aos jornalistas que estará esta tarde – com a sua "bata branca" – presente na manifestação frente ao ministério da Saúde.

"Sou médico, antes de ter funções políticas. Irei à manifestação, como aliás já tenho ido [a outras] ao longo da minha vida", declarou.

PSD

O deputado do PSD Miguel Santos considerou hoje que a greve dos médicos é extemporânea e está "fortemente politizada" pela Federação Nacional dos Médicos e pelo bastonário, que acusou de prosseguirem agendas políticas alheias aos interesses dos doentes.

Independentemente da adesão que venha a ter, o deputado do PSD considerou que a greve dos médicos "é extemporânea e poderia ter sido perfeitamente evitada", sublinhando que acontece num momento "em que existe um diálogo com o ministério da Saúde".

"Na nossa perspectiva a greve está fortemente politizada por parte da Federação Nacional dos Médicos, afecta à CGTP, e por parte do bastonário dos Médicos que estão a prosseguir uma agenda política própria que não é em defesa e não é a bem dos doentes e dos portugueses", defendeu o deputado, em declarações aos jornalistas, na Assembleia da República.

Miguel Santos destacou algumas medidas do actual governo para o sector nos últimos três anos, frisando que foram lançados concursos públicos e admitidos no SNS "para cima de 1.500 novos médicos para os quadros e lançados concursos de progressão na carreira dos médicos”.

Miguel Santos acrescentou que o SNS pagou mais de dois mil milhões de euros de dívidas acumuladas que eram um "constrangimento sério" ao funcionamento do Serviço Nacional de Saúde.

"Seria perfeitamente evitável esta greve neste momento e a consequência directa, apesar de existirem hospitais a funcionar de forma adequada, é os doentes do SNS que tinham consultas e cirurgias programas, poderão ser prejudicadas por esta greve", disse o deputado.

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A "hiperventilação" dos Cuidados de Saúde Primários
Editorial | Joana Romeira Torres
A "hiperventilação" dos Cuidados de Saúde Primários
A Organização Mundial de Saúde alude que os Cuidados de Saúde Primários (CSP) são cruciais para a obtenção de promoção da saúde a nível global. Neste sentido, a Organização Mundial dos Médicos de Família (WONCA) tem estabelecido estratégias que têm permitido marcar posição dos mesmos na comunidade médica geral.

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