hospitaldefafe

O presidente da União das Misericórdias Portuguesas anunciou hoje que o processo de devolução dos hospitais às Misericórdias se inicia na sexta-feira, com a entrega dos hospitais de Fafe, Anadia e Serpa.

“Esta é a primeira fase, seguir-se-ão outras fases, cabendo sempre ao Ministério da Saúde a responsabilidade de indicar quais são os hospitais que pretendem devolver para que possamos avaliar junto das comunidades e das Misericórdias se estão em condições de os receber”, disse à agência Lusa Manuel Lemos.

Um decreto-lei de Outubro de 2013 veio estabelecer que os hospitais das misericórdias, que foram integrados no sector público e são actualmente geridos por estabelecimentos ou serviços do Serviço Nacional de Saúde, podem ser devolvidos às instituições mediante a celebração de um acordo de cooperação com um prazo de 10 anos.

Manuel Lemos lembrou que as Misericórdias gerem hospitais desde 1510, tendo, por isso, experiência nesta áreas.

“Neste momento temos um conjunto de hospitais que integram a rede nacional de prestação de cuidados de saúde, temos uma enorme rede de cuidados continuados e, portanto, podemos dar garantia de qualidade, credibilidade e proximidade de prestação de cuidados de saúde aos cidadãos”, sustentou.

O presidente da União das Misericórdias Portuguesas (UMP) contou que o Estado propôs às instituições devolver um conjunto de hospitais. Em conjunto entenderam “fazer as coisas com segurança para que as populações beneficiem”.

Segundo Manuel Lemos, a UMP colocou três condições que estão cumpridas nestes três hospitais – cuja “gestão plena” começa a partir de 1 de Janeiro – uma das quais que “a devolução se traduza sempre na manutenção dos serviços que actualmente já são prestados nesses hospitais”, mas abrindo oportunidades para serem criados mais serviços.

As duas outras condições foram que a devolução não pusesse em causa a sustentabilidade da unidade devolvida e da Misericórdia, e que os trabalhadores possam continuar no hospital.

“Foi um trabalho moroso, dedicado, delicado” realizado por um grupo de trabalho com representantes do Ministério da Saúde e da UMP. Este trabalho resultou no início do processo de devoluções, que é celebrado na sexta-feira com uma assinatura de um protocolo entre o Governo e a UMP.

Este acordo “representa um reencontro com a história”, considerou Manuel Lemos, acrescentando que as Misericórdias irão “fazer as coisas sempre com muita calma, muita cooperação, muita serenidade, sempre no interesse das pessoas”.

Sobre o número total de estabelecimentos que irão ser devolvidos, o presidente da UMP disse que, “para já”, são 12 hospitais que já estão a prestar cuidados de saúde integrados na rede nacional de cuidados de saúde.

Published in Mundo
segunda-feira, 10 fevereiro 2014 11:45

Futuro das IPSS passa por apoio domiciliário aos idosos

[caption id="attachment_6576" align="alignleft" width="300"]scmcastelobranco O coordenador do secretariado regional de Castelo Branco da União das Misericórdias Portuguesas falava durante o 1.º Encontro de Gerontologia da Santa Casa da Misericórdia de Castelo Branco, uma iniciativa integrada nas comemorações dos 500 anos da instituição[/caption]

O coordenador regional de Castelo Branco da União das Misericórdias defende que o futuro das instituições portuguesas de solidariedade social (IPSS) passa pela aposta no apoio domiciliário aos idosos.

"Temos um problema sobre a sustentabilidade das IPSS no futuro. Já não é possível responder às necessidades dos idosos, criando mais equipamentos. O envelhecimento da população vai continuar e as instituições têm que perceber, de uma vez por todas, que têm de apostar no apoio ao domiciliário aos idosos", referiu Joaquim Morão.

O coordenador do secretariado regional de Castelo Branco da União das Misericórdias Portuguesas falava durante o 1.º Encontro de Gerontologia da Santa Casa da Misericórdia de Castelo Branco, uma iniciativa integrada nas comemorações dos 500 anos da instituição que se realizou na passada sexta-feira.

Joaquim Morão disse ainda que nos últimos 40 anos houve mudanças significativas na população portuguesa, onde havia "uma população activa e 40 anos depois existe um país de velhos".

Apesar das dificuldades que Portugal atravessa, Joaquim Morão explicou que "o país tem vindo a organizar-se para dar uma resposta ao envelhecimento da população".

"Se antes do 25 de Abril, praticamente eram as misericórdias a prestar um serviço de saúde e de assistência, nos últimos 25 anos surgiu uma nova realidade, as IPSS que se instalaram por todo o país".

O director distrital do Centro de Segurança Social de Castelo Branco tem a mesma opinião que Joaquim Morão e referiu que "o apoio domiciliário é o ideal".

Melo Bernardo disse que actualmente "parte das IPSS debate-se com grandes problemas", mas sublinhou que "a segurança social tem vindo a saber apoiar e ajudar" as instituições em geral.

"As dificuldades são muitas. Já há excesso de construção [de IPSS]. O que temos no distrito dá para responder às necessidades dos nossos idosos", disse.

O director distrital da Segurança Social explicou ainda que existem 158 IPSS no distrito de Castelo Branco, com 480 acordos de cooperação assinados, o que implica uma verba anual de 35,6 milhões de euros.

Melo Bernardo realçou a importância do sector social ao nível da empregabilidade no distrito de Castelo Branco, "onde existem cerca de 4 mil trabalhadores, grande parte deles altamente qualificados".

Para o futuro, o presidente distrital da segurança social não prevê que haja encerramento de IPSS, mas adianta que "muitas terão eventualmente que ser reconvertidas", nomeadamente "para responder às situações de demência".

O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Castelo Branco referiu que actualmente "já só vão para a misericórdia pessoas, em média, com mais de 80 anos".

Cardoso Martins sublinhou ainda que nos próximos anos "vai entrar-se numa convulsão terrível das pessoas idosas com demência. Já é hoje uma realidade, mas tem tendência para crescer de forma vertiginosa".

O provedor da Misericórdia de Castelo Branco disse também que "muitas unidades a prestar serviço aos idosos terão tendência para ficar devolutas" e acrescentou que prevê que "o futuro vai ser muito difícil".

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800 milhões de euros para o Serviço Nacional de Saúde
Editorial | Jornal Médico
800 milhões de euros para o Serviço Nacional de Saúde

Se não os tivéssemos seria bem pior! O reforço do Programa Operacional da Saúde com 800 milhões de euros pode ser entendido como sinal político de valorização do setor da saúde. Será uma viragem na política restritiva? O Serviço Nacional de Saúde (SNS) de 40 anos precisa de cuidados intensivos! Há novos enquadramentos, novas responsabilidades, novas ideias e novas soluções. É urgente pensarmos na nova década com rigor e disponibilidade sincera.

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