Prémio Inovação Bluepharma 1

Uma equipa multidisciplinar da Universidade Nova de Lisboa é a vencedora do Prémio Inovação Bluepharma/Universidade de Coimbra 2013, com o projecto científico “Anticorpos trifuncionais e tecnologias baseadas em células dendríticas: uma abordagem combinada à imunoterapia para o cancro”.

O projecto da equipa liderada pela investigadora Paula Videira foi o escolhido entre 29 projectos candidatos de vários institutos nacionais e estrangeiros devido ao seu elevado potencial de desenvolvimento e aplicação no tratamento do cancro.

A equipa de Lisboa desenvolveu um anticorpo capaz de reconhecer o antígeno glicosídico, presente em mais de 80% dos carcinomas humanos, incluindo cancro da mama, cancro gástrico, cancro do pâncreas e cancro da bexiga e ausente em células normais. Este antigénio tumoral surge na fase inicial do tumor tornando-o um excelente candidato para atingir as fases iniciais de malignidade e assim para controlar a progressão da doença. O desenvolvimento de anticorpos que simultaneamente atacam as células cancerígenas e são reconhecidos e activam diferentes células do sistema imunitário, eliminando o tumor, traduzem uma nova estratégia de tratamento do cancro, que esteve na base da escolha desta candidatura.

Prémio Inovação Bluepharma 2

O Prémio Inovação Bluepharma/Universidade de Coimbra distingue de dois em dois anos um projecto de investigação inovador na área das Ciências da Saúde que tenha sido realizado total ou parcialmente em instituições portuguesas por investigadores nacionais ou estrangeiros.

O projecto liderado por Paula Videira vai receber um prémio monetário no valor de 20 mil euros para apoiar o desenvolvimento de uma Prova de Conceito que permita demonstrar a viabilidade da sua aplicação. Este apoio poderá traduzir-se num apoio suplementar de 30 mil euros, uma vez provada a sua viabilidade de mercado. De acordo com o presidente do júri, Fernando Seabra Santos, Professor Catedrático e ex-Reitor da Universidade de Coimbra, “para a escolha do vencedor foram considerados, entre outros critérios de avaliação, o mérito, a originalidade, a inovação e o elevado interesse para a Sociedade. A qualidade da equipa envolvida, a cooperação em rede e o mérito científico da proposta foram os principais factores diferenciadores.

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Gorda a comer

Investigadores da Universidade de Coimbra (UC) estão a desenvolver um “programa inovador de combate à obesidade”, que recorre a elementos de programas já aplicados com sucesso nos EUA e no Reino Unido, anunciou hoje a instituição.

O projecto de investigação, denominado “BeFree”, pretende “provar a eficácia de um programa inovador de intervenção em obesidade e dificuldades no controlo alimentar”, afirma uma nota da UC.

O “BeFree” visa “promover novas formas de as mulheres que sofrem de obesidade se relacionarem com a alimentação e com as suas emoções e melhorar o controlo alimentar e a sua qualidade de vida", explica Sérgio Carvalho, um dos investigadores envolvidos no projecto.

Na prática, o programa “fornece ferramentas e competências estratégicas para uma gestão emocional eficaz, ajudando a regular os episódios de descontrolo alimentar”, sintetiza Sérgio Carvalho, sublinhando que “vários estudos indicam que a existência de episódios de descontrolo alimentar está associada a quadros clínicos de obesidade mais severos e a uma maior dificuldade em perder peso”.

Para desenvolver o estudo, os especialistas estão à procura de “mulheres voluntárias para seguirem o plano com uma duração de três meses”, refere a mesma nota da UC.

Com inscrições gratuitas – através de correio electrónico (Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.) ou por telefone (239 851464) –, o projecto aceita “candidaturas de mulheres com idades compreendidas entre 18 e 55 anos, residentes no distrito de Coimbra, com obesidade ou excesso de peso e dificuldades no controlo alimentar”.

O “BeFree”, que “recorre a elementos de programas aplicados com sucesso nos EUA e no Reino Unido”, está a ser “desenvolvido de raiz” por uma equipa do Centro de Investigação do Núcleo de Estudos e Intervenção Cognitivo-Comportamental (CINEICC) da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da UC, que “possui uma larga experiência no tratamento de perturbações alimentares”.

Coordenado por José Pinto Gouveia, o projecto está a ser aplicado no âmbito de um estudo financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia.

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Alzheimer 2

Investigadores da Universidade de Coimbra (UC) desenvolveram um estudo que, além de ajudar a tornar “o diagnóstico da doença de Alzheimer mais claro”, permite criar “fármacos mais eficazes na fase inicial da doença”, anunciou aquela instituição.

Uma equipa de investigadores do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) da UC “mostrou, pela primeira vez, a localização subcelular (zona da célula) da proteína precursora da beta-amilóide (APP) que origina a proteína tóxica envolvida no surgimento da doença de Alzheimer”, afirma uma nota da UC, hoje divulgada.

Ao mapearam a proteína APP, para identificarem a sua “distribuição em diferentes regiões das sinapses (ligações entre os terminais nervosos responsáveis pela transmissão de informação de um neurónio para outro) e nos diferentes tipos de neurónios”, os especialistas descobriram que “a APP está enriquecida na região pré-sináptica activa (zona da sinapse onde são libertados os neurónios transmissores) e nos neurónios glutamatérgicos”.

Os neurónios glutamatérgicos são responsáveis pela “libertação de glutamato”, que garante “a ‘ligação’ do sistema nervoso", isto é, assegura que "os neurónios comuniquem entre si”, salienta na mesma nota a UC.

Com esta descoberta, “finalmente percebe-se porque é que na fase inicial da patologia ocorre a perda da conexão entre neurónios (sinapses) e a degeneração dos neurónios glutamatérgicos é a mais acentuada”, sublinha Paula Agostinho, investigadora do CNC da UC e autora responsável pelo artigo científico sobre esta investigação, que será publicado no Journal of Alzheimer's Disease, em Maio.

Os resultados do estudo, realizado em modelos animais (ratos), ao longo dos últimos três anos, “além de ajudarem a tornar o diagnóstico da doença de Alzheimer mais claro, permitem desenvolver fármacos mais eficazes na fase inicial da doença, evitando a clivagem da APP (proteína precursora) para impedir a formação da proteína tóxica (beta-amilóide) e direccionar as terapias para o sistema glutamatérgico”, sustenta Paula Agostinho.

Ao descobrir as zonas onde a APP se encontra enriquecida, os investigadores conseguiram responder a questões como “porque é que na doença de Alzheimer existem zonas do cérebro que são particularmente vulneráveis, nomeadamente o hipocampo e o córtex entorinal” e “porque é que uns neurónios são mais afectados do que outros”, sintetiza a investigadora do CNC da UC.

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investigação 2A investigadora da Universidade de Coimbra Sandra Morais Cardoso é a vencedora do Prémio Janssen Neurociências, de 50 mil euros, pela identificação de novas possibilidades terapêuticas para a doença de Parkinson.

O trabalho científico, que está a ser desenvolvido desde 2009, permitiu, numa primeira instância, descobrir a principal causa da doença de Parkinson, que será a disfunção da mitocôndria, responsável pela produção de energia nas células.

sandramoraiscardosoA equipa liderada por Sandra Morais Cardoso (na imagem) e composta pelas alunas de doutoramento Ana Raquel Esteves e Daniela Arduino identificou duas estratégias diferentes que permitem "diminuir as lesões patológicas", a partir dessa primeira descoberta.

Uma das estratégias passa pela inibição da enzima Sirtuína 2 que, quando activada erradamente, é responsável pela modificação da tubulina, uma componente fundamental nas "auto-estradas" do neurónio, explicou a investigadora.

Outro alvo terapêutico passou pela utilização de uma molécula que liga os microtúbulos do neurónio (as auto-estradas) e que leva a que estes "funcionem melhor", aclarou.

"Esperemos que as terapêuticas sejam aplicadas a doentes de Parkinson", afirmou Sandra Morais Cardoso, considerando, contudo, que não quer dar "falsas esperanças". Recordou que, "no mínimo dos mínimos", levará mais dez anos até que a descoberta possa ser aplicada em humanos, tendo que haver antes ensaios com animais.

A investigadora sublinhou que "quanto mais conhecimento há da doença mais fácil será chegar-se a um alvo terapêutico".

Sandra Morais Cardoso frisou também que "os cortes na investigação científica fazem com que seja muito difícil trabalhar", lembrando que agora a equipa terá que voltar "a pedir financiamento para continuar o projecto".

O prémio de 50 mil euros "vai para apoiar os investigadores do grupo, para não ficarem desprotegidos", disse, manifestando o seu "orgulho" aquando da recepção da notícia.

A equipa do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra teve "colaborações pontuais com outros grupos do mundo", informou Sandra Morais Cardoso.

Na nota de imprensa relativa ao prémio é afirmado que o trabalho desenvolvido pelo grupo da Universidade de Coimbra é "uma descoberta científica pioneira a nível mundial".

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Investigação 1Investigadores da Universidade de Coimbra (UC) estão a desenvolver um estudo pioneiro sobre os mecanismos da demência frontotemporal – “a segunda mais comum das demências” –, anunciou hoje aquela instituição.

“Pela primeira vez, em Portugal”, uma equipa de 14 investigadores da UC, através do Centro de Neurociências e Biologia Celular e da Faculdade de Medicina, está a “estudar os mecanismos envolvidos” na demência frontotemporal, afirma a universidade, numa nota hoje distribuída.

A degenerescência lobar frontotemporal, também conhecida por demência frontotemporal, é uma “patologia com grandes implicações no comportamento” – que “afecta sobretudo o ‘centro de decisão’ do cérebro (os lobos frontotemporal)” – e, apesar de ser a segunda demência mais comum, a seguir à doença de Alzheimer, “é ainda praticamente desconhecida”.

Os primeiros resultados do estudo, que envolve 70 doentes seguidos na consulta de demências, coordenada pela neurologista Isabel Santana, do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, revelaram “profundas alterações ao nível do complexo 1 da cadeia respiratória mitocondrial”, em comparação com "um grupo controlo constituído por voluntários saudáveis".

Em 69 dos 70 doentes acompanhados foram verificadas "deficiências genéticas e bioenergéticas”, enquanto em 40 doentes foi observada uma “diminuição nos níveis de ATP circulantes”, que se "correlaciona com o decréscimo da actividade do complexo 1" da cadeia respiratória, refere Manuela Grazina, coordenadora do estudo e responsável pelo Laboratório de Bioquímica Genética da UC.

De forma simples, pode dizer-se que os investigadores “identificaram a ‘falha de energia’ que pode ajudar a esclarecer os mecanismos envolvidos na doença, ou seja, permite perceber onde é que o código está errado para, a partir daí, desenvolver formas de compensar ou reparar esse erro”.

A investigação, financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), pretende “ajudar no desenvolvimento de escalas neuropsicológicas de diagnóstico e análise de biomarcadores bigenómicos e bioquímicos, que permitam a detecção precoce da doença, e contribuir para novas abordagens terapêuticas que previnam e/ou travem a progressão” da demência frontotemporal, uma doença complexa e sobre a qual se desconhecem “os mecanismos exactos subjacentes à sua etiologia”, sublinha a investigadora.

Apesar de não haver estudos sobre a incidência da patologia em Portugal, estima-se que a demência frontotemporal representa 7 % do conjunto das demências degenerativas na população com idades compreendidas entre os 45 anos e os 64 anos.

Este primeiro grande estudo de avaliação da interacção bigenómica (genomas mitocondrial e nuclear) na demência frontotemporal conta com a colaboração do Baylor College of Medicine (EUA) e do Institute of Ageing and Health (Inglaterra).

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MariapaulamarquesluisbatistaUma experiência realizada por uma equipa de investigadores da Universidade de Coimbra (UC), no Centro de investigação ISIS – que produz o mais potente feixe de neutrões e muões do mundo - sedeado no Rutherford Appleton Laboratory (RAL) do Science and Technology Facilities Council, perto de Oxford, no Reino Unido, permitiu uma melhor compreensão do modo como a glutationa (antioxidante celular) contribui para a resistência adquirida à cisplatina, fármaco muito aplicado no tratamento de vários tipos de cancro (pulmão, testículo, ovário e bexiga, entre outros).

Em simultâneo, a equipa internacional liderada por Maria Paula Marques e Luís Batista de Carvalho, da Unidade de I&D “Química-Física Molecular” da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), conseguiu ainda “mascarar” o fármaco com um veículo à base de ciclodextrina (polímero de açucares) para impedir o seu contacto com a glutationa e, assim, fazê-lo chegar eficazmente ao tumor onde exercerá o seu efeito terapêutico.

Os resultados altamente promissores alcançados nestas experiências, que mereceram destaque na página oficial do ISIS – science “highlight” (http://bit.ly/NQf416), representam um passo significativo no sentido de ultrapassar dois dos grandes problemas da cisplatina e fármacos análogos – a sua elevada toxicidade e a resistência adquirida pelos pacientes ao tratamento quimioterapêutico.

Perceber como «a glutationa sequestra a cisplatina, impedindo-a de chegar ao alvo em doses apreciáveis - (apenas uma pequena percentagem da dosagem administrada ao doente chega às células cancerígenas) – e encontrar uma forma de ultrapassar este tipo de resistência, permitirá desenvolver formulações farmacológicas mais eficazes e menos tóxicas para o doente», explicam Maria Paula Marques e Luís Batista de Carvalho.

Nos próximos dias, os investigadores vão deslocar-se novamente ao ISIS para continuar as experiências, que terão desta vez como objectivo verificar se o fármaco (cisplatina e novos compostos análogos) encapsulado em ciclodextrinas não é afectado pela glutationa, evitando-se deste modo o seu consumo antes de atingir o alvo terapêutico.

Caso se obtenham resultados positivos, será então possível avançar para ensaios pré-clínicos e clínicos, de modo a testar a viabilidade da aplicação prática destas novas formulações. «Esperamos provar que a cápsula de ciclodextrinas protege eficientemente a cisplatina, sendo assim um bom transportador até ao alvo. A confirmar-se a eficácia desta estratégia, este veículo poderá também reduzir os efeitos secundários do fármaco, já que protege as células sãs dos seus efeitos nocivos. Poderá igualmente permitir que o tratamento até agora administrado exclusivamente por via intravenosa possa ser feito por via oral, aumentando significativamente o conforto e a qualidade de vida do doente», destacam os investigadores.

Para chegar a estes resultados, as experiências realizadas no ISIS Facility do RAL são determinantes, porque fornecem uma visão única dos fármacos a nível molecular, possibilitando obter informação extremamente detalhada, «o que seria impossível por outras técnicas. É como se observássemos as nossas amostras com uma lupa muito potente», ilustra Maria Paula Marques. A atribuição de tempo de experiência neste Laboratório internacional, assim como o financiamento pela União Europeia, requer a aprovação de uma candidatura escrita, que é alvo de um exigente processo de avaliação por peritos académicos mundiais.

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[caption id="attachment_6670" align="alignleft" width="300"]microdispositivosparamonitorizaçãocardíaca O novo sistema de monitorização de arritmias cardíacas, de dimensão muito inferior aos sistemas até aqui utilizados (menos de 20% do tamanho) permite uma monitorização contínua durante três anos e é disponibilizado com um sistema monitorização remota (wireless) que permite uma avaliação à distância do aparelho e possibilita o envio de notificações perante a presença de determinadas arritmias cardíacas[/caption]

Realizaram-se hoje os primeiros implantes de micro dispositivos de monitorização cardíaca em Portugal. As intervenções foram realizadas por cinco equipas médicas dos centros hospitalares do Alto Ave (Hospital de Guimarães); Centro Hospitalar do Porto (Hospital Geral de Santo António); Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) e ainda do Hospital do Santo Espírito, na Ilha Terceira, nos Açores

O novo sistema de monitorização de arritmias cardíacas, de dimensão muito inferior aos sistemas até aqui utilizados (menos de 20% do tamanho) permite uma monitorização contínua durante três anos e é disponibilizado com um sistema monitorização remota (wireless) que permite uma avaliação à distância do aparelho e possibilita o envio de notificações perante a presença de determinadas arritmias cardíacas.

Segundo Katya Reis Santos, cardiologista e secretária-geral da Associação Portuguesa de Aritmologia, Pacing e Electrofisiologia (APAPE) “este dispositivo cardíaco está indicado nalguns doentes com síncope (“desmaio”) ou palpitações, de modo a correlacionar os sintomas com a presença (ou ausência) de arritmias cardíacas, permitindo um diagnóstico mais preciso e um tratamento mais específico de eventuais alterações do ritmo cardíaco.”

O novo dispositivo é implantado debaixo da pele através de uma pequena incisão de menos de 1 cm no lado superior esquerdo do tórax e, quando implantado, é frequentemente quase imperceptível a olho nu.

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saudementalUm estudo da Universidade de Coimbra (UC) concluiu que “a execução prática do Plano Nacional de Saúde Mental” (publicado em 2007) tem sido “francamente insuficiente, sobretudo no que diz respeito à reabilitação psicossocial de pessoas com doença mental severa”.

Desenvolvido na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da UC e financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, o estudo analisa, pela primeira vez, os serviços de reabilitação psiquiátrica em Portugal e as barreiras ao seu desenvolvimento.

A investigação focou-se na “avaliação dos programas de reabilitação existentes para a doença mental severa, nomeadamente para as perturbações do espectro da esquizofrenia”, adianta a UC, em nota enviada às redacções.

[caption id="attachment_6443" align="alignleft" width="300"]carinateixeira “Em termos de qualidade de vida e de funcionamento ocupacional e social, não foram encontradas diferenças significativas entre pessoas com doença mental incluídas em programas de reabilitação e pessoas com doença mental sem qualquer acompanhamento psicossocial”, destaca a investigadora Carina Teixeira, cujos resultados do estudo constam na sua tese de doutoramento, orientada por Julian Leff, cientista do King’s College London, e por Eduardo Santos, investigador da UC[/caption]

Desenvolvida nos últimos quatro anos, a pesquisa “abrangeu 70 instituições de todo o país a trabalhar na área e doentes integrados em programas de reabilitação em dois hospitais psiquiátricos e duas IPSS (instituições privadas de solidariedade social), bem como um grupo de controlo”, sem “qualquer acompanhamento psicossocial”.

A maioria das instituições que participaram no estudo referiram prestar actividades de reabilitação, mas “os programas recomendados pelas directrizes internacionais (por terem comprovada eficácia) encontram-se insuficientemente implementados em Portugal”, sublinha na mesma nota.

Além disso, “em termos de qualidade de vida e de funcionamento ocupacional e social, não foram encontradas diferenças significativas entre pessoas com doença mental incluídas em programas de reabilitação e pessoas com doença mental sem qualquer acompanhamento psicossocial”, destaca a investigadora Carina Teixeira, cujos resultados do estudo constam na sua tese de doutoramento, orientada por Julian Leff, cientista do King’s College London, e por Eduardo Santos, investigador da UC.

Esta situação ocorre porque “os serviços de reabilitação portugueses caracterizam-se, salvo poucas excepções, por contextos educacionais, ocupacionais e habitacionais segregados”, sustenta o estudo.

Tais modelos são “obsoletos, estando longe do que é actualmente praticado” em países como EUA e Reino Unido e “a literatura científica mostra claramente que não favorecem a integração comunitária e impedem a recuperação dos utentes”.

Outra das conclusões da pesquisa, que “propõe medidas para uma efectiva reabilitação psiquiátrica”, é “o estigma em relação à esquizofrenia, cuja taxa de prevalência em Portugal se situa na ordem dos 100 mil”, segundo dados da Organização Mundial de Saúde.

A luta contra o estigma “deve começar nos próprios profissionais, que subestimam as capacidades das pessoas com doença mental, acabando por lhes transmitir mensagens de desesperança que afectam a sua luta pela recuperação e pelo alcance dos objectivos pessoais”, assegura a investigadora da UC.

O sistema “tem de perceber que a esquizofrenia não é uma fatalidade” e que “a reabilitação psicossocial é possível”, sustenta Carina Teixeira.

“É urgente implementar programas de educação apoiada, modelos de colocação no emprego competitivo que tenham em conta as especificidades desta população, e programas residenciais que promovam a obtenção de habitação independente, da escolha da pessoa em reabilitação e com apoio flexível, na comunidade”, sublinha.

“A ideia, amplamente difundida, de que a recuperação na esquizofrenia não é possível é um mito", defende a investigadora, que decidiu estudar esta temática por ter identificado “debilidades nas oportunidades de reabilitação proporcionadas a esta população, enquanto psicóloga voluntária na Associação Recriar Caminhos” – instituição que promove o desenvolvimento vocacional, formação e inclusão de pessoas com esquizofrenia.

A legislação existente também foi analisada no estudo, verificando-se ser “bastante frágil e desajustada”, como revelam artigos já publicados em jornais e revistas científicas, como, por exemplo, no International Journal of Culture and Mental Health.

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COVID e não-COVID: Investimentos para resolver novos e velhos problemas
Editorial | Rui Nogueira, Médico de Família e presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar
COVID e não-COVID: Investimentos para resolver novos e velhos problemas

Acertar procedimentos e aperfeiçoar métodos de trabalho. O estado de emergência terminou e o estado de calamidade passou, mas o problema de saúde mantem-se ativo. É urgente encontrar uma visão inovadora e adotar uma nova estratégia. As unidades de saúde precisam de encontrar respostas adequadas e seguras.

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