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VIHSida

O estudo “Global Burden of Disease Study-2013”, ontem publicado na revista Lancet, considera que houve progressos na luta contra a SIDA, malária e tuberculose desde a adopção dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, em 2000.

Segundo aquela publicação científica, resultados de uma pesquisa compreensiva sobre as três doenças mostram um “impacto real” da redução destas doenças no mundo, apesar de ainda haver muito para ser feito e as enfermidades continuaram a ser os principais desafios da saúde em 2013.

As novas estimativas dos últimos 13 anos mostram, por um lado, que o número de pessoas que vivem com o VIH, vírus que causa a sida, tem aumentado de forma constante, na ordem dos 29 milhões de pessoas, mas os dados indicam, por outro lado, que a malária está a matar mais pessoas do que o estimado anteriormente, embora o número de mortes tenha reduzido desde 2004.

Apesar das tendências de queda das taxas de prevalência de tuberculose, desde 2000, o número de pessoas que vivem com a doença em todo o mundo aumentou cerca de 8,5 milhões, em 1990, para cerca de 12 milhões em 2013.

No estudo, os investigadores consideram que a epidemia do VIH é menor do que estimada anteriormente e que as mortes prematuras decorrentes desta epidemia são 25 por cento mais baixas do que a última cálculos fornecidos pelo Programa Conjunto das Nações Unidas Sobre o VIH/SIDA (ONUSIDA), em 2012.

Embora a incidência mundial de VIH tenha diminuído substancialmente anualmente, desde o seu pico em 1997 (ano em que se atingiu 2,8 milhões de novas infecções), por ano ainda são infectadas 1,8 milhões de pessoas.

No auge da epidemia, em 2005, o VIH causou 1,7 milhões de mortes em todo o mundo, mas este número caiu substancialmente para 1,3 milhões de mortes em 2013.

A revista Lancet considera que grandes progressos foram alcançados desde 2002 ao registar-se redução de novas infecções na ordem de 62 por cento em crianças.

No entanto, em mais de 100 países (74 dos quais Estados em desenvolvimento) a incidência do VIH tem aumentado.

As regiões com um aumento contínuo na mortalidade por VIH, desde 2000, incluem países ricos da Ásia-Pacífico, Ásia Central e Oriental, Europa, o Médio Oriente, Oceânia, o norte da África e África subsaariana, onde se registam casos de usuários de drogas intravenosa.

“Isso pode ser em parte porque os países estão menos inclinados a prestar serviços de tratamento para usuários de drogas, ou porque os usuários de drogas são um grupo mais difícil para os serviços de saúde alcançarem”, considera a revista Lancet.

Desde 1996, pelo menos 19,1 milhões de pessoas foram salvas graças à terapia anti-retroviral, 5,7 milhões dos quais de países ricos e 13,4 milhões (70 por cento do total de infectados) de nações em via de desenvolvimento.

Os resultados relativos à luta contra a tuberculose demonstram ter havido um declínio de incidência da doença em 12 regiões do mundo, em comparação com a década anterior quando se definiu a sexta Meta do Milénio da OMS, que apela para o combate do VIH/SIDA, a malária, tuberculose e outras doenças.

Desde 2004, ano de pico os casos de malária, doença que “mata mais pessoas no mundo do que se pensava anteriormente”, segundo o estudo, caiu de forma sistemática, em resultado dos esforços financeiros aplicados na luta contra o flagelo – o financiamento subiu para 11,3 mil milhões de dólares entre 2000 e 2011.

A incidência global da malária atingiu o pico em 2003, com 232 milhões de novos casos, posteriormente, houve uma queda de cerca de 29 por cento, para 165 milhões de novos casos em 2013.

Quatro países ainda têm mais de cinco milhões de novas infecções de malária por ano: a Índia, um dos países mais populosos do mundo, com cerca dois mil milhões de habitantes, regista mais de 60 milhões de casos; a Nigéria (30 milhões), enquanto a República Democrática do Congo e Moçambique registam seis milhões de infecções/ano cada.

As mortes por malária atingiram o pico em 2004, cerca de 1,2 milhões, mas no ano passado registou-se um declínio para cerca de 855 mil - um pouco maior do que o número de mortes estimados pela OMS em 2013 (627 mil mortes).

Três países - Nigéria, República Democrática do Congo, e Índia - são responsáveis por cerca de metade de todas as mortes por malária, que continua a ser a principal causa de mortes em crianças na África Subsaariana, apesar de ter caído em quase um terço (31,5 por cento) desde 2004.

 

 

 

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virussida
Cientistas conseguiram erradicar o vírus da sida de células de doentes, tratadas com medicamentos antirretrovirais, um passo na longa busca por um fármaco capaz de erradicar definitivamente o VIH, segundo resultados apresentados ontem numa conferência internacional na Austrália.

A experiência foi realizada em seis doentes voluntários e tinha por objectivo desalojar e, em seguida, erradicar o vírus, uma abordagem que tem sido testada por cientistas a nível internacional.

Actualmente, os medicamentos antirretrovirais reduzem a quantidade de vírus presente no sangue a um nível quase indetectável permitindo aos doentes viverem quase normalmente. Mas estes fármacos são caros, têm de ser tomados todos os dias e têm efeitos secundários.

Quando se interrompe o tratamento, o vírus recupera dentro de semanas e começa a infectar o sistema imunitário, tornando o doente vulnerável e podendo mesmo levar à morte.

Durante três anos, os investigadores tentaram desalojar o vírus e destruir as células, nas quais se refugia quando o doente toma os antirretrovirais.

Segundo uma apresentação feita na conferência internacional que decorre em Melbourne, investigadores da Universidade de Aarhus na Dinamarca deram um primeiro passo neste processo em seis doentes tratados com antirretrovirais e igualmente com um fármaco oncológico que tem o efeito de aumentar a quantidade de vírus no sangue.

Em cinco dos seis pacientes testados, o vírus tornou-se detectável com a medicação.

Agora, os investigadores têm ainda de determinar se todos os vírus ocultos foram revelados através deste tratamento.

“Mostrámos que podemos activar o vírus que hiberna e que esse vírus vai para a corrente sanguínea em grande quantidade”, declarou o líder da investigação, Ole Schmltz Sogaard.

“É um passo na direcção certa, mas o caminho ainda é longo e os obstáculos são muitos antes de podermos evocar uma cura para a sida”, acrescentou.

Observado com um microscópio, o vírus “reactivado” através deste tratamento deixa um rasto quando se encaminha para o sangue. Os investigadores esperam que este rasto, semelhante às impressões digitais na cena de um crime, possa ser detectado pelas células T, que combatem as infecções.

Os investigadores esperam que estas células reconheçam o vírus e destruam as células nas quais se refugia.

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sida - campanhas
As pessoas adultas que vivem com o VIH nos países desenvolvidos enfrentam risco substancialmente reduzido de morte por doenças relacionadas com a sida, comparativamente a há uma década, refere um estudo ontem publicado pela revista The Lancet.

As pessoas infectadas com o vírus que causa a sida, residentes na Europa, Austrália e Estados Unidos, estão também em menor risco de morte por doenças cardiovasculares e hepáticas, refere a revista científica, que hoje publicou uma edição especial com os resultados de um estudo internacional na véspera da Conferência internacional sobre a sida, que decorre este fim-de-semana em Melbourne, na Austrália.

Embora a maioria das mortes por essas causas tenha diminuído ao longo da última década, período em que decorreu a pesquisa, não houve registo de redução das taxas de mortalidades por cancros não relacionados com a sida.

Para o coordenador do estudo, Colette Smith, da Universidade de Londres, “estas reduções recentes nas taxas de mortes relacionadas com a sida prendem-se com a melhoria contínua na contagem de CD4 (usado para avaliar o progresso da doença) e fornecem mais evidências dos benefícios líquidos substanciais dos anti-retrovirais”.

“Mas, apesar destes resultados, a doença relacionada com a sida continua a ser a principal causa de morte nesta população. Esforços contínuos para garantir uma boa aderência aos anti-retrovirais e para diagnosticar os indivíduos numa fase mais precoce, antes do desenvolvimento de imunodeficiência grave, são importantes”, referiu Colette Smith.

O estudo envolveu cerca de 50.000 adultos VIH-positivos que recebem cuidados e terapia anti-retroviral em mais de 200 clínicas em toda a Europa, Estados Unidos e Austrália.

Este grupo descobriu que as taxas globais de mortalidade caíram quase para metade desde 1999, enquanto as mortes por causas relacionadas com a sida e doenças cardiovasculares diminuíram em cerca de 65 por cento e as mortes relacionadas com o fígado para mais de 50 por cento.

Também foram registadas reduções similares em mortes relacionadas com doença hepática (2,7 mortes por 1.000 pessoas-ano para 0,9) e doença cardiovascular (1,8 mortes por 1.000 pessoas-ano para 0,9).

A proporção de todas as mortes devido à sida também diminuiu ao longo da última década (de 34 para a 23 por cento) e doenças do fígado (de 16 para 10 por cento), enquanto a proporção de óbitos por doenças cardiovasculares permaneceu constante, neste período, na ordem dos 10 por cento.

Os pesquisadores observam que a redução substancial das taxas de mortalidade por fígado e doença cardiovasculares não pode ser completamente explicada por mudanças na demografia do paciente ou melhorias na supressão viral ou contagem de CD4.

Para os investigadores essa diminuição pode resultar de uma melhor gestão dos factores de risco tradicionais, nomeadamente o consumo do tabagismo, o uso de álcool, ou então a utilização de anti-retrovirais menos tóxicos.

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ViiV Healthcare

A ViiV Healthcare anunciou que o Comité de Medicamentos de Uso Humano, da Agência de Medicamentos Europeia (EMA), emitiu um parecer positivo que recomenda a comercialização de Triumeq (dolutegravir/abacavir/lamivudina) para o tratamento de adultos e adolescentes com 12 anos ou mais, com um peso mínimo de 40 kg, infectados com o VIH.

De acordo com Dr. John Pottage, director científico e director médico da ViiV Healthcare, "este parecer positivo constitui um avanço importante na aproximação dos profissionais de saúde e das pessoas que vivem com o VIH à combinação terapêutica de um comprimido de toma única diária que inclui dolutegravir".

“Esta recomendação demonstra o potencial dos regimes terapêuticos que contêm dolutegravir, assim como a importância da nossa investigação contínua, que está a ser feita sobre novas opções terapêuticas de regime de comprimido único”, acrescenta.

O parecer do Comité de Medicamentos de Uso Humano é baseado nos resultados de dois estudos:

- Estudo de Fase III de dolutegravir (SINGLE), realizado com dolutegravir e abacavir/lamivudina em comprimidos separados;

- Estudo de bio equivalência da combinação de dose fixa de dolutegravir/abacavir/lamivudina, quando tomado como um único comprimido, em comparação com a administração de dolutegravir e abacavir/lamivudina em comprimidos separados.

O parecer positivo do Comité de Medicamentos de Uso Humano é um dos passos finais antes de alcançar a autorização para a comercialização, pela Comissão Europeia, mas nem sempre resulta nessa mesma autorização. A decisão final da Comissão Europeia está prevista para o terceiro trimestre de 2014.

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investigação 2

Um novo gel microbicida apresentado hoje em Madrid permite prevenir com eficácia a transmissão do vírus do VIH/Sida durante relações sexuais, se for aplicado oito horas antes do acto sexual.

Ángeles Muñoz, a chefe de secção do laboratório de Imunobiologia Molecular do hospital Gregorio Marañón, em Madrid, apresentou hoje este gel em conjunto com o professor titular do departamento de Química Inorgânica da Universidade de Alcalá, Javier de la Mata, informou a agência Efe.

O gel tem uma eficácia de protecção do VIH entre 18 e 24 horas, durante as quais se podem manter relações sexuais sem contágio, e o ideal seria aplicá-lo oito horas antes da relação sexual.

O composto baseia-se no dendrímero 2sg-s16, um tipo de partícula microscópica que bloqueia a infecção de células epiteliais e do sistema imunitário por parte do VIH, mas não é espermicida, pelo que os investigadores já advertiram para a possibilidade de causar gravidez.

Muñoz explicou que o gel microbicida demonstrou uma eficácia in vivo de cerca de 85%, mas a eficácia in vitro foi cerca de 100%, em combinação com medicamentos anti-retrovirais.

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Ataque cardíaco

Um estudo liderado por Paula Freitas, investigadora da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), revela que a mortalidade por doença cardiovascular aumentou 500% nos doentes portugueses com VIH/sida nos últimos 24 anos.

A mesma investigação, a que a Lusa teve acesso, revela também que a prevalência de mortalidade por doença cerebral também duplicou neste grupo de pacientes.

O trabalho em causa – galardoado com o 3.º lugar do Prémio Janssen Virologia ’14 – avaliou a prevalência das hospitalizações por doença cerebral e doença cardiovascular e respectiva mortalidade em pacientes com VIH /sida, desde 1989.

Os dados foram comparados com os registados em pacientes não-infectados. Paralelamente, a equipa de investigação tentou perceber o impacto da introdução do cART (terapêutica anti-retrovírica combinada), em 1987, nas hospitalizações por patologia cerebral e cardiovascular deste grupo de pacientes.

Segundo a coordenadora do estudo, “a mortalidade associada ao VIH diminuiu drasticamente nos últimos anos. Contudo, estes doentes têm uma prevalência aumentada de alterações metabólicas, nomeadamente, insulinorresistência, diabetes, dislipidemia e também hipertensão arterial, que aumentam o risco de doença cardiovascular”.

Por outro, esclarece a investigadora, “a existência do próprio vírus e o inerente estado de inflamação podem potenciar o risco de doença cerebral e cardiovascular. E factores como o envelhecimento e o facto de a infecção pelo VIH (Vírus da Imunodeficiência Humana) se tornar uma doença crónica, faz com que estes doentes fiquem sujeitos às influências do ambiente mais tempo: sedentarismo, má prática alimentar, tabagismo e envelhecimento, que também estão associados a estas patologias”.

Os autores deste trabalho consideram que o conhecimento destes novos dados pode servir para promover uma intervenção mais precoce, de modo a reduzir o risco de desenvolvimento de doença cerebral e cardiovascular nos doentes infectados pelo VIH/sida.

A endocrinologista Paula Freitas salienta que houve uma mudança de paradigma: “há alguns anos, o objectivo era manter o doente vivo, e, hoje, o objectivo é reduzir o risco de complicações associadas. Assim, o tratamento da dislipidemia, da hipertensão, da diabetes, a promoção da cessação tabágica e de estilos de vida saudáveis provavelmente poderão acrescentar anos de vida com qualidade a estes doentes”.

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virussida

Uma classe de proteína que se encontra em corais das águas australianas impede que o vírus da sida penetre nas células do sistema imunitário humano, revela um estudo apresentado na terça-feira num congresso nos Estados Unidos.

As proteínas em causa, chamadas cnidarinas, existem em corais das águas costeiras do norte australiano, os investigadores dedicaram-se a estas proteínas depois de examinarem milhares de extractos naturais no acervo biológico do Instituto Nacional do Cancro norte-americano.

O coordenador do estudo, Barry O'Keefe, assegurou, na reunião anual de biologia experimental, em San Diego, que estas proteínas bloqueiam a infecção do VIH e "parecem fazê-lo de uma maneira completamente nova".

Os cientistas identificaram e "purificaram" as cnidarinas e provaram a sua actividade contra estirpes do vírus da sida produzidas em laboratório.

Na apresentação do estudo, Barry O'Keefe descreveu como "surpreendentemente potente" a capacidade destas proteínas bloquearam o VIH em concentrações de mil milionésimos de grama, quantidade suficiente para impedir que ocorra o primeiro passo da transmissão do vírus: a penetração do VIH na célula do sistema imunitário, conhecida por célula T. As cnidarinas ligam-se ao vírus e impedem que este se funda com a membrana da célula T, pelo que os cientistas crêem que estas proteínas têm um mecanismo de acção único.

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bebé1Uma bebé nascida com o vírus da sida mantém-se sem sinais da infecção 11 meses depois de ter sido submetida a tratamentos com anti-retrovirais. Nascida nos subúrbios de Los Angeles, nos Estados Unidos da América (EUA), em Abril do ano passado, a menina recebeu tratamentos com anti-retrovirais quatro horas depois de ter nascido.

Quase um ano depois, não tem sinais da infecção e os médicos estão optimistas, apesar de não afastarem a possibilidade de o VIH voltar ou estar oculto nos tecidos.

Trata-se do segundo caso de potencial cura, depois de no ano passado ter sido anunciado que um bebé norte-americano após ter recebido tratamentos nas primeiras horas de vida não apresentava sinais da presença do vírus. Agora com três anos, a menina parece estar livre do VIH.

O caso mais recente, hoje apresentado durante uma conferência científica em Boston, é recebido pelos médicos com optimismo, sobretudo pela rapidez do desaparecimento do vírus.

“O que é mais notável em relação a este bebé é a rapidez com que o vírus desapareceu, os testes de ADN estavam negativos quando tinha seis dias e continuaram negativos despois”, afirmou Yvonne Bryson, professora de pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade da Califórnia, citado pela agência France Presse.

 

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Preparados para o Futuro? // Preparar o Futuro
Editorial | Conceição Outeirinho
Preparados para o Futuro? // Preparar o Futuro

O início da segunda década deste século, foram anos de testagem. Prova intensa, e avassaladora aos serviços de saúde e aos seus profissionais, determinada pelo contexto pandémico. As fragilidades do sistema de saúde revelaram-se de modo mais acentuado, mas por outro lado, deu a conhecer o nível de capacidade de resposta, nomeadamente dos seus profissionais.