Assinala-se hoje, dia 14 de fevereiro, o Dia Nacional do Doente Coronário. Em comunicado, a Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC) vem reforçar a importância de controlar fatores de risco, com destaque para a abstinência total do hábito de fumar como “a única medida garantidamente eficaz para combater as doenças do coração”.

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AtaqueCardiaco

Quase metade dos doentes que sofreram um Enfarte Agudo do Miocárdio (EAM) deram entrada em serviços de urgência hospitalar sem capacidade para o tratamento mais eficaz para este ataque cardíaco, que é a angioplastia primária.

A conclusão é do inquérito anual da iniciativa Stent For Life Portugal, que foi ontem divulgado e que resultou de uma análise de todos os dados de doentes que sofreram um EAM, a qual foi realizada durante um mês.

O objectivo desta análise foi “identificar os factores que influenciaram o tratamento” do ataque cardíaco.

De acordo com os resultados do inquérito, apenas 37% dos doentes que sofreram um EAM recorrem ao Número Europeu de Emergência (112) para ter “a necessária assistência médica pré-hospitalar e o encaminhamento para o hospital adequado ao seu tratamento”.

O inquérito indica que “46% destes doentes dão entrada no serviço de urgência de hospitais que não têm capacidade para realizar uma Angioplastia Primária, o tratamento mais eficaz para o EAM”.

Os autores do documento apontam para a necessidade de melhorar, “de forma significativa, o recurso ao 112”.

“O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) dispõe de profissionais qualificados para identificar precocemente o EAM e assegurar que as várias entidades intervenientes na emergência médica pré-hospitalar transportam o doente para um hospital que disponha de unidade de hemodinâmica onde possa ser realizada a angioplastia primária”, lê-se nas conclusões do inquérito.

Os especialistas que compõem o Stent for Life Portugal – uma iniciativa da Sociedade Europeia de Cardiologia para “melhorar o acesso dos doentes à melhor terapêutica actual para o EAM” – para que a angioplastia primária possa ser eficaz é fundamental que este procedimento seja efectuado idealmente até 90 minutos após início dos sintomas.

Para Hélder Pereira, coordenador da iniciativa Stent For Life Portugal, “este atraso no tratamento dos doentes verifica-se sobretudo porque a população continua a desconhecer quais são os sintomas do enfarte”.

Nos casos em que o doente sabe quais são os sintomas, existe “uma desvalorização dos mesmos, fica-se na expectativa que não seja nada de grave e que a dor no peito acabe por desaparecer, o que significa que se perde tempo precioso para a realização do tratamento”, segundo este cardiologista.

A dor no peito é o sintoma mais comum no EAM e é muitas vezes descrita como uma sensação de pressão, aperto ou ardor.

Esta dor pode também ocorrer noutras partes do corpo (geralmente no braço esquerdo, pescoço ou queixo) e é acompanhada de falta de ar, náuseas, vómitos, batimentos cardíacos irregulares, suores, ansiedade e sensação de morte eminente.

“Logo desde o início dos sintomas é importante ligar 112 e não tentar chegar a um hospital pelos seus próprios meios ou com a ajuda de familiares”, aconselha Hélder Pereira.

As doenças cardiovasculares, como o EAM, continuam a ser uma das principais causas de morte em Portugal.

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AtaqueCardiaco

Apenas 8% dos doentes portugueses com enfarte têm acesso a programas de reabilitação cardíaca, importantes para reduzir a mortalidade, ficando bem abaixo da média europeia, que se situa entre 30 a 50%.

As desigualdades na saúde cardiovascular nos países europeus são precisamente o tema central de um congresso que junta a partir de hoje em Lisboa cerca de 1.500 especialistas de vários países.

Em entrevista à agência Lusa, o presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, Miguel Mendes, explicou que Portugal está, ao nível da mortalidade cardiovascular, “a meio da tabela” entre os países europeus.

Os países mais ricos são os que têm melhores resultados em termos de sobrevivência, os da bacia mediterrânea gozam de uma certa protecção pelo estilo de vida e dieta, enquanto os países da Europa de Leste apresentam a mortalidade mais elevada.

Relativamente a Portugal, a mortalidade cardiovascular tem-se reduzido nos últimos anos, embora o cardiologista sublinhe que só há estatísticas conhecidas até 2012.

Apesar desta redução da mortalidade ser positiva, Miguel Mendes considera que o país ainda precisa de se organizar melhor para “dar respostas mais correctas”, sendo também necessário melhorar a educação da população quanto à doença cardiovascular e à correcta forma de entrada no sistema – que deve ser feita através do 112 e não por deslocação por meios próprios às urgências.

Quanto ao que é necessário melhorar no sistema de saúde, o presidente da Sociedade de Cardiologia defende uma aposta na reabilitação cardíaca, só cumprida em Portugal por 8% dos doentes, quando há países europeus que chegam a atingir os 90%.

“O tratamento do enfarte agudo do miocárdio é, de facto, muito importante nas primeiras horas e aqui os serviços estão relativamente organizados e temos um sistema que funciona bastante bem. No internamento temos respostas boas. À saída do internamento é que já não estamos em padrões europeus, que tem a ver com a reabilitação cardíaca, um programa de acompanhamento e educação dos doentes”, afirmou Miguel Mendes.

A reabilitação cardíaca permite reduzir a mortalidade em cerca de 25%, dado que no primeiro ano após um enfarte tratado há ainda risco de problemas ou complicações.

A reabilitação é um programa de dois a três meses que integra exercício físico e educação do doente e da família em relação aos factores de risco: como controlo do stress, alimentação, eventual adaptação da vida profissional ou retoma da actividade sexual.

No Serviço Nacional de Saúde, apenas existem programas de reabilitação cardíaca nos grandes hospitais do Porto, em Faro e um outro de dimensão reduzida no hospital de Santa Marta, em Lisboa.

“Precisamos de montar uma resposta, sobretudo na zona sul do país”, refere Miguel Mendes, embora reconheça que no Minho e na zona das Beiras não há também qualquer resposta hospitalar ao nível da reabilitação.

Os cerca de 1.500 especialistas que estão reunidos até sábado em Lisboa, no encontro promovido pela Associação Europeia de Prevenção e Reabilitação Cardiovascular, vão debater instrumentos para reduzir a incidência da doença cardiovascular, que ainda é a principal causa de morte no mundo Ocidental, bem como discutir estratégias para fomentar na população um estilo de vida saudável e formas de cada país reduzir os factores de risco para a doença coronária.

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AVC 1

O número de mortes nos hospitais portugueses por enfarte do miocárdio e por AVC registou no ano passado o valor mais baixo dos últimos cinco anos, segundo um relatório hoje apresentado pela Direcção-geral da Saúde.

Em 2013 registaram-se 1.028 mortes por enfarte do miocárdio entre os 12.642 casos nos hospitais, quando no ano anterior tinham morrido 1.129 pessoas em 12.683 casos. Desde 2009, os óbitos ocorridos no ano passado por enfarte foram os mais baixos.

Quanto aos acidentes vasculares cerebrais (AVC) isquémicos e oclusão das artérias cerebrais, 2013 foi também o ano com menos mortes (2.317) dos últimos cinco analisados no relatório “Doenças Cérebro-Cardiovasculares em Números 2014”.

Desde 2009, o número de mortes por AVC isquémico tem-se sempre mantido acima dos 2.300 casos, tendo chegado a registar-se mais de 2.500 mortos num ano.

Relativamente às angioplastias primárias, considerado o tratamento mais adequado para doentes com enfarte do miocárdio, deu-se uma subida de 36% na realização deste procedimento entre 2009 e 2013.

Segundo os especialistas, a quantidade de angioplastia primária é um indicador dos doentes tratados: nos países com uma elevada taxa de angioplastia primária, o número de pacientes não tratados é baixo. Pelo contrário, em países com um baixo uso deste procedimento, o número de pacientes não tratados é alto.

O relatório da DGS analisa ainda a actividade das vias verdes do AVC e coronária (um acesso directo destes doentes aos serviços de saúde para acelerar a prestação de cuidados), considerando que “não houve qualquer alteração na tendência de crescimento dos indicadores”.

Mortalidade precoce por doenças cérebro e cardiovasculares desce em Portugal

A mortalidade prematura em Portugal por doenças do aparelho circulatório desceu cerca de 19% em quatro anos, tendo reduzido igualmente a mortalidade precoce por doenças cerebrovasculares.

A mortalidade precoce é avaliada pelos “anos potenciais de vida perdidos” que corresponde ao número de anos que, teoricamente, uma população deixa de viver por morte prematura, antes dos 70 anos.

Segundo o relatório, entre 2008 e 2012 houve uma redução de 18,91% nos anos potenciais de vida perdidos por doença do aparelho circulatório.

No mesmo período, reduziu-se em 15,17% a mortalidade prematura por doenças cerebrovasculares, passando de 15.707 anos potencialmente perdidos em 2008 para 13.324 em 2012.

A doença isquémica do coração – como o enfarte agudo do miocárdio – surge com maior expressão nesta redução da morte prematura, com uma descida de 20,9% entre 2008 e 2012.

“A notável evolução verificada nos últimos cinco anos, traduzindo um manifesto atraso da ocorrência de eventos fatais para idades mais avançadas, assume uma maior expressão na doença isquémica do coração e no sexo feminino”, realça o relatório da Direcção-geral da Saúde (DGS).

Na lista das doenças com maior número de anos potenciais de vida perdidos, as doenças cerebrovasculares e as doenças isquémicas do coração ocupam os quinto e sexto lugares, numa tabela liderada pelas doenças atribuíveis ao álcool.

De acordo com o documento, a taxa de mortalidade por doença cardiovascular tem descido desde 2008, apresentando uma redução de 19% no intervalo de quatro anos analisado, uma diminuição semelhante à da taxa de mortalidade por doenças isquémicas do coração.

As taxas de mortalidade por enfarte agudo do miocárdio baixaram também 19,38% entre 2008 e 2012.

“Mantiveram-se todas as tendências já referenciadas anteriormente, com um decréscimo progressivo e notório das doenças do aparelho circulatório como causas de morte na população portuguesa, embora mantendo a sua posição de destaque”, refere o relatório.

A DGS indica ainda que, dentro das doenças do aparelho circulatório, a mortalidade por doenças cerebrovasculares continua superior à das doenças isquémicas do coração, “uma proporção inversa da verificada na maioria dos países europeus e mesmo mediterrânicos”.

Esta realidade já tinha sido verificada no relatório do ano passado, com as razões para esta tendência a continuarem a não estar esclarecidas.

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Coração 1As mulheres têm maior probabilidade de sucumbir a um enfarte do miocárdio do que os homens, devido a erros de diagnóstico que atribuem os sintomas a crises de ansiedade, revelou um estudo canadiano.

Os investigadores da Universidade McGill de Montreal tentaram compreender o que justificava a grande diferença na taxa de mortalidade entre homens e mulheres vítimas de enfarte, num estudo anunciado na última quinta-feira.

Foram inquiridos 1.123 pacientes com idades compreendidas entre os 18 e os 55 anos, hospitalizados em 24 estabelecimentos de saúde canadianos, mas também num hospital americano e em outro suíço. Os pacientes, diagnosticados com síndrome coronária aguda, responderam ao inquérito dos investigadores nas 24 horas seguintes ao seu internamento.

As mulheres inquiridas tinham rendimentos mais modestos do que os homens que participaram no estudo. Apresentavam também maiores riscos de diabetes e de hipertensão arterial, tinham um historial familiar de doenças cardíacas e estavam ainda mais sujeitas a depressão e ansiedade.

Os investigadores, que tiveram as suas conclusões publicadas no Jornal da Associação Médica do Canadá, constataram que, em média, se recorre mais frequentemente a eletrocardiogramas e desfibrilhadores no tratamento dos homens do que no das mulheres.

A diferença de tratamento foi explicada com o facto de que os pacientes que acorrem às urgências por dores torácicas de origem não cardíaca são com maior frequência as mulheres.

Da mesma forma, “a prevalência da síndrome coronária aguda é menor nas jovens mulheres do que nos homens mais novos”, sublinhou a investigadora principal deste estudo, Louise Pilote.

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O novo normal e a nova realidade – que alterações provocadas pela pandemia vieram para ficar?
Editorial | Jornal Médico
O novo normal e a nova realidade – que alterações provocadas pela pandemia vieram para ficar?
Acertar procedimentos e aperfeiçoar métodos de trabalho. Encontrar uma nova visão e adotar uma nova estratégia útil na nossa prática clínica quotidiana. Valorizar as unidades de saúde por estarem a dar as respostas adequadas e seguras é o mínimo que se exige, mas é urgente e inevitável um plano de investimento nos centros de saúde do Serviço Nacional de Saúde.

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