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O risco de vir a sofrer de uma doença cardiovascular (DCV) aumenta em seis vezes durante o primeiro ano após uma pneumonia ou uma sépsis em adultos.

 

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Gripe 16

A pneumonia é responsável por mais de 16 mortes por dia, em Portugal, no entanto mais de 60% das pessoas desconhecem o real risco de mortalidade da doença e não tomam medidas preventivas, revela um estudo.

Trata-se de um relatório internacional sobre conhecimento e perceção da pneumonia, que teve por base um inquérito realizado entre 23 de novembro de 2015 e 15 de fevereiro de 2016, junto de mais de 9.000 pessoas a partir dos 50 anos, provenientes de nove países da Europa, um dos quais Portugal.

O estudo conclui que o conhecimento e a compreensão sobre pneumonia em Portugal é “forte”, já que 96% afirmam saber o que é a doença, 81% identificam-na como uma infeção pulmonar e 60% acham que algumas formas de pneumonia podem ser contagiosas.

No entanto, existe uma “falha” na associação da gravidade da doença com o risco de a contrair e com as suas consequências para a saúde.

Segundo o inquérito, em Portugal, 95% das pessoas acham que a pneumonia é grave, mas apenas 23% estão preocupadas com o risco de contrair a doença e só 27% das pessoas com “risco mais elevado” reconhecem ter um risco muito elevado, praticamente a mesma proporção de pessoas com baixo risco.

Quanto à mortalidade causada por pneumonia, a perceção também é desfasada da realidade, já que apenas 36% acreditam que “até 20% dos adultos que contraem a doença irão morrer disso”.

O inquérito revelou mesmo que mais de uma em cada sete pessoas considera a pneumonia uma “constipação de tipo grave” ou “semelhante à gripe”.

Quando comparado com outras causas de morte, 61% dos portugueses consideraram que a doença cardíaca mata mais e 21% acharam que os acidentes rodoviários são causadores do número mais elevado de mortes em Portugal.

Na verdade, segundo o estudo, a pneumonia é responsável por sete vezes mais mortes do que os acidentes rodoviários e 135 mais mortes do que a gripe.

Os dados de mortalidade mais recentes, apresentados no estudo, revelam que a pneumonia foi responsável por 5.935 mortes em Portugal, em 2013, comparativamente com 733 em acidentes rodoviários e 44 devido à gripe.

Quanto ao conhecimento sobre se a pneumonia se pode ou não prevenir e como o fazer, “existe muita incerteza”: metade acredita que pode ser prevenida a outra metade julga que só pode ser tratada.

Entre as medidas preventivas, a maioria aponta para manter-se em forma e saudável (94%), não fumar (92%), evitar períodos longos em salas com ar condicionado (83%), usar roupas quentes (79%), evitar contacto com crianças doentes (78%), ser vacinado (73%).

Relativamente à vacina preventiva contra a pneumonia, 40% dos inquiridos têm conhecimento da sua existência, mas apenas 14% das pessoas com risco elevado de contrair a doença foram vacinadas, comparativamente com 6% do grupo de risco mais baixo.

De entre as pessoas que se vacinaram, a grande maioria (84%) revelou tê-lo feito por aconselhamento médico.

O inquérito para este estudo, que será hoje publicado, foi realizado pela Ipsos Mori, uma empresa de estudos de mercado, no Reino Unido, Alemanha, França, Portugal, Espanha, Itália, Grécia, Áustria e República Checa.

Ao todo envolveu de 9.029 adultos com idade igual ou superior a 50 anos, 1.001 dos quais portugueses.

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Froes_Filipe

A cada hora e meia, uma pessoa morre nos hospitais portugueses com pneumonia, doença que afeta cada vez mais pessoas e que custa ao Estado 218 mil euros por dia, revelou hoje Filipe Froes, da Sociedade Portuguesa de Pneumologia.

Num encontro com jornalistas destinado a divulgar alguns números da pneumonia em Portugal, como investimento e incidência, o médico pneumologista no Hospital Pulido Valente indicou que por dia são internadas 81 pessoas por pneumonia em Portugal Continental.

Destes internados, 16 irão falecer, o que representa um óbito a cada 90 minutos, indicou o especialista baseando-se num levantamento feito ao longo de 10 anos (entre 2000 e 2009), que espelham a tendência atual, já que “há cada vez mais internamentos e a mortalidade não diminuiu”.

“Esta tendência revela que a incidência da pneumonia aumenta, porque cada vez vivemos mais e com doenças crónicas que predispõem para a pneumonia”, disse, acrescentando que “a pneumonia vai continuar a ser uma das principais causas de internamento no SNS [Serviço Nacional de Saúde] ”.

Esta doença tem custos diretos para o Estado de 80 milhões de euros por ano, o que significa que por dia se gastam 218 mil euros apenas com tratamento e internamento, já que estão excluídos os custos indiretos, como o absentismo laboral.

“Em cada quatro dias e meio gastamos um milhão de euros”, sublinhou Filipe Froes, considerando urgente reduzir estes números através de um reforço da aposta no tratamento, mas sobretudo na prevenção.

A vacinação, o antitabagismo, a alimentação saudável, a atividade física e uma boa higiene oral são fundamentais para reduzir a incidência das pneumonias e das outras doenças crónicas, designadamente aquelas que muitas vezes resultam em pneumonia.

Os dados estatísticos relativos a este período de dez anos demonstram ainda que os doentes que acabaram por falecer tinham, maioritariamente, mais de 65 anos e que quem morre menos são as pessoas de 29 anos.

A título de curiosidade, o médico, consultor da Direção-Geral da Saúde (DGS) para as doenças respiratórias, revelou ainda que nos hospitais a mortalidade aumenta à sexta-feira e durante o fim de semana e que o dia em que se morre menos é a quarta-feira.

“Há uma certa tendência para ir morrer aos hospitais, uma hospitalização da morte, são as chamadas pneumonias de fim de vida”, disse, considerando que uma melhoria dos cuidados continuados e domiciliários em Portugal poderão conduzir a uma diminuição desta realidade, à semelhança do que já acontece no norte da Europa, onde são “criadas condições para as pessoas morrerem em casa”.

O médico considera que este tipo de apoio poderá também contribuir para uma melhoria do tratamento e da prevenção da pneumonia.

Numa perspetiva de derrubar mitos sobre esta doença, Filipe Froes disse que apesar de haver mais internamentos no inverno, a pneumonia não é uma doença sazonal, tanto que é no verão que mata mais.

“Em termos proporcionais, a taxa de mortalidade é maior no verão. A conclusão é que morre-se mais de pneumonias mais graves: há menos pneumonia, mas esta é mais grave, por causa dos agentes”, afirmou.

Há cerca de um mês foi divulgado o relatório anual do Programa Nacional das Doenças Respiratórias da DGS, que já apontava para a alta taxa de mortalidade de pneumonia, que surgia como a principal causa de mortalidade respiratória.

No entanto, Filipe Froes sentiu necessidade de apresentar estes números dissecados do global, por considerar que num relatório anual das doenças respiratórias é impossível haver detalhe sobre cada patologia.

Além disso, dados de dez anos mostram uma evolução e apontam para uma tendência pois incluem na contabilização “anos muito bons” e “anos muito maus”, como foi 2009 (o da gripe A) ou, como se “detetou recentemente”, 2004 e 2005.

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Observatorio Nacional Doencas Respiratorias
O Observatório Nacional das Doenças Respiratórias (ONDR) divulga hoje, 4 de Abril, na sede da Fundação Portuguesa do Pulmão, o Relatório de 2016 referente aos dados da situação atual e evolução das últimas décadas relacionado com as doenças respiratórias.

Na 11.ª edição do Relatório destacam-se as debilidades do Serviço Nacional de Saúde (SNS) face ao diagnóstico e internamentos na área respiratória, nomeadamente no que concerne às Pneumonias e Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC).

Artur Teles de Araújo, presidente do ONDR e da Fundação Portuguesa do Pulmão indica que “existem acentuadas assimetrias regionais cujas causas têm de se caraterizar, de forma a podermos melhorar a qualidade e o acesso à saúde respiratória dos portugueses.

É na Região de Lisboa e Vale do Tejo que se verificam as maiores taxas percentuais de internamentos por Pneumonia, seguidas das regiões Norte e Centro. Existe uma clara lacuna de acesso a estes cuidados nas outras regiões, como é o caso do Algarve e das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira.

Relativamente aos motivos e fatores que condicionam a acessibilidade dos doentes respiratórios a estes cuidados foram referenciados fatores como a distância aos hospitais, o número de dias de internamento e a existência de patologias responsáveis pela gravidade das situações clínicas, e necessidade de monitorização dos doentes.”

O Relatório ONDR 2016 indica ainda que num período de 10 anos, considerando dados entre 2005 e 2014, houve um aumento de 12% da mortalidade global por doenças respiratórias, sendo as doenças mais impactantes para a população a nível da mortalidade os tumores malignos respiratórios, que registaram um aumento de 21% e as pneumonias, que aumentaram em 28%.

“As despesas com a saúde em percentagem do PIB representam 9,5%, ligeiramente acima da média da OCDE. Cerca de 65% desta despesa com a saúde é feita pelo Estado Português, bastante inferior ao que é registado lá fora (72%). Entre 2000 e 2012 a percentagem do PIB decresceu ligeiramente (0,2%) o que trará constrangimentos na prestação de cuidados de saúde. Alguns já temos vindo a sentir, nomeadamente no menor número de enfermeiros e número de camas hospitalares comparativamente com outros países da OCDE. Também existe uma falta de desenvolvimento positiva dos cuidados continuados e paliativos relacionados com esta falta de investimento na saúde” conclui Teles de Araújo.

O relatório mostra que os números das despesas com a saúde aliados à pobreza são um aliado das doenças respiratórias e das doenças, no geral. Em 2014 a percentagem da população em risco de pobreza, antes de pensões e transferências sociais, atingiu os 48%, o que representou um aumento de 29% em relação a 1995.

Em 2014 foram internados por doenças do foro respiratório (Asma, DPOC, Pneumonia, Fibroses, Tumores, Bronquiectasias, Patologia Pleural, Tuberculose e Gripe) 69.384 doentes (12,1% do total de internamentos da área médica). Este número representa um aumento de 2,4% num período de 10 anos (2005 – 2014).

Nem todas as doenças mostraram uma evolução negativa. Foi registada clara melhoria na área dos internamentos por DPOC, que caíram mais de 30% nos últimos 10 anos e, por isso, acrescentaram uma evolução positiva na saúde respiratória que deverá estar associada à melhoria da resposta ao SNS a estes doentes, capazes de controlar a doença maioritariamente em ambulatório.

O Relatório ONDR 2015 acrescenta e propõe ainda várias medidas à promoção da saúde e prevenção nas doenças respiratórias, alertando para a importância da aposta na educação para a saúde como a criação de Redes Nacionais de Espirometria, de Cuidados Respiratórios e de Reabilitação Respiratória, acabando assim com lacunas existentes em todas as fases da doença, desde o diagnóstico, ao acompanhamento e tratamento. Uma outra proposta apresentada é a criação da Via Verde das Pneumonias nos hospitais que acreditam que ajudará no problema das pneumonias, a doença que maior impacto tem a nível dos internamentos hospitalares (40% dos internamento hospitalares associados às doenças respiratórias). Também a manutenção ou criação, em todos os serviços hospitalares de Pneumologia de Consultas de Doenças do Interstício Pulmonar, doenças que têm tido uma prevalência crescente na população portuguesa, são uma recomendação do ONDR bem como a continuidade na aposta em programas de reabilitação respiratória.

O Relatório continua a desmistificar a ideia de que existem médicos em excesso em Portugal e reforça a carência do número de pneumologistas a prestarem serviço nos Hospitais Públicos em Portugal.

O Relatório do ONDR conta, este ano, com a colaboração de 21 especialistas de renome da área da pneumologia e do sector da saúde em Portugal.

O relatório está disponível no seguinte link https://we.tl/szelkikpJ9

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pneumonia

Portugal é o segundo país da Europa com a mais elevada taxa de mortalidade padronizada por pneumonia, colocando o país “mal na fotografia”, como reconheceu a diretora do Programa Nacional das Doenças Respiratórias.

De um conjunto de 23 países europeus da OCDE, Portugal apenas é ultrapassado pela Eslováquia, que surge como o Estado com maior taxa de mortalidade por pneumonia.

No relatório da Direção-geral da Saúde hoje apresentado em Lisboa, as pneumonias surgem como a principal causa de mortalidade respiratória.

Apesar disto, abaixo dos 65 anos há evidência de uma redução da taxa padronizada de mortalidade de 23,5% de 2009 para 2013.

No seu conjunto, as doenças respiratórias são a quinta principal causa de internamento e a primeira causa de mortalidade intra-hospitalar.

Quanto aos internamentos, a pneumonia foi responsável por 40 mil episódios e 74% dos casos são de pessoas com mais de 65 anos.

Por comparação, a doença pulmonar obstrutiva crónica leva a cerca de nove mil internamentos num ano.

Para reduzir as taxas de mortalidade e internamentos por pneumonia, os responsáveis do Programa Nacional para as Doenças Respiratórias pretendem aumentar os níveis de vacinação contra a gripe, sobretudo nas pessoas com mais de 65 anos.

Apesar disso, a taxa de vacinação tem tido aumentos constantes, situando-se em 2015 já nos 65% nos idosos.

Também o aumento da cobertura da vacina pneumocócica – que é esperada com a inclusão no Plano Nacional de Vacinação – deverá ter impactos na redução da mortalidade por pneumonia.

Quanto aos encargos com medicamentos, as doenças respiratórias – excluindo o cancro do pulmão – levaram a gastos de 213 milhões de euros em 2014, o que dá uma média superior a 580 mil euros por dia.

O relatório da DGS deteve-se ainda numa análise comparativa por regiões, concluindo que as Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores apresentam “valores muito elevados” de mortalidade.

“A Região Autónoma da Madeira destaca-se pela negativa, com taxas muito elevadas de mortalidade. Também a Região Autónoma dos Açores se destacou em 2013, por ter sido a única região nacional onde se registou um aumento da taxa de mortalidade padronizada”, indica o documento.

A coordenadora do Programa Nacional para as Doenças Respiratórias admite que não são completamente conhecidas as razões para estes valores mais elevados.

Contudo, Cristina Bárbara lembra que no universo populacional dos Açores e da Madeira um acréscimo ligeiro de óbitos aumenta logo de forma significativa as taxas de mortalidade.

Além disso, os Açores têm elevados níveis de tabagismo e de cancro do pulmão, logo é de crer que também tenham maior prevalência de problemas respiratórios.

Também presente na sessão de apresentação do relatório, o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Fernando Araújo, aconselha a que esta discrepância regional seja investigada para se apurarem as causas.

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quinta-feira, 10 setembro 2015 17:00

Pneumonia é a doença pulmonar que mais mata em Portugal

pneumonia
A pneumonia é a doença pulmonar que mais mata em Portugal, ao contrário dos restantes Estados-membros da União Europeia (UE) onde é o cancro do pulmão a principal causa de óbito, segundo o Eurostat.

Em Portugal, segundo o gabinete oficial de estatísticas da UE, que divulga dados de 2012, morreram 17.583 pessoas de doença pulmonar, o que representa 16,3% dos óbitos nesse ano.

A pneumonia (38,6%) foi a principal causa de morte por doença pulmonar, seguindo-se o cancro do pulmão (20,9%) e bronquite e outras afeções crónicas (15,9%).

Na UE as doenças do aparelho respiratório provocaram 671.900 mortes, o que representa 13% do total de óbitos.

O cancro do pulmão foi a doença que mais mortes causou na UE (40%) e em todos os Estados-membros à exceção de Portugal, seguindo-se a bronquite e outras afeções (24%) e a pneumonia (19%).

Em Portugal morrem mais homens (56,1%) do que mulheres (43,9%) devido a doenças pulmonares, tendência que também se verifica na média da UE, com, respetivamente, 59,3% e 40,7%.

Lusa/Jornal Médico

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segunda-feira, 04 maio 2015 15:00

Mortes por pneumonia aumentam 50% em 15 anos

internamentohospitalar

As mortes por doenças respiratórias em Portugal aumentaram cerca de 30 por cento em 15 anos, com a mortalidade por pneumonias a registar um crescimento superior a 50 por cento.

Os dados foram ontem apresentados em Lisboa e constam do relatório de 2014 do Observatório Nacional das Doenças Respiratórias.

Segundo o documento, em 2013 morreram mais de 13 mil pessoas por doença respiratória, quando em 1998 os óbitos foram pouco acima dos 10 mil.

Para os responsáveis do Observatório, a evolução “mais preocupante” foi a das pneumonias, com um aumento da mortalidade superior a 50%, seguindo-se os cancros do aparelho respiratório (pulmão, traqueia e brônquios), com um aumento de 33 por cento.

Relativamente às pneumonias, o número de mortes em 2013 foi de 5.935, o que dá uma média de 16 óbitos por dia.

Em comparação com o ano de 1998, quando se registaram 3.886 óbitos, o número de mortos por pneumonia aumentou 52,7 por cento em 2013.

Segundo o presidente do Observatório, Artur Teles de Araújo, em 2013 foram internados por pneumonia 41.796 portugueses, o segundo número mais elevado desde 2004, logo a seguir ao ano de 2012.

Numa comparação de 10 anos, o número de internamentos por pneumonia cresceu 14,1 por cento.

A Fundação Portuguesa do Pulmão encontra-se, em parceria com a Universidade do Minho, a estudar as causas e razões da elevada mortalidade por pneumonia em Portugal.

O médico António Carvalheira Santos, do Observatório das Doenças Respiratórias, explicou que está a ser analisada a mortalidade entre os doentes internados, uma vez que se verifica que a taxa de mortalidade intra-hospitalar nas pneumonias é de 20,9 por cento.

“Até agora, o que nos parece é que os doentes que mais morrem são os que têm menos tempo de internamento. Parece que terão recebido mais tarde cuidados de saúde, parece-nos que os cuidados pré-internamento foram tardios”, adiantou Carvalheira Santos.

Artur Teles de Araújo reforçou também a ideia de que os doentes com pneumonia possam estar a chegar aos hospitais já demasiado tarde, admitindo a possibilidade de atraso no diagnóstico e referenciação destes pacientes.

Os especialistas consideram que é necessários apostar nas políticas de prevenção das doenças respiratórias, nomeadamente no reforço da vacinação contra a gripe e contra a pneumonia, bem como no reforço das medidas de combate ao tabaco.

Número de locais com consulta para deixar de fumar desceu para metade entre 2009 e 2013

O número de locais com consultas de cessação tabágica reduziu para cerca de metade entre 2009 e 2013, uma situação que os especialistas consideram preocupante, porque pode dificultar o acesso a quem queira deixar de fumar.

“Verificamos que passamos de 223 consultas em 2009 para 116 em 2013, o que significa uma redução para cerca de metade, algo que é obviamente preocupante”, refere o relatório.

A diminuição dos locais com consultas para deixar de fumar foi mais visível na região Norte, que passou de 85 locais em 2009 para 32 em 2013, embora tenha havido uma redução em todas as administrações regionais de saúde do país.

“Parece-nos indiscutível que esta quebra acarretará um aumento na dificuldade do acesso”, indica o Observatório.

Aliás, os dados apresentados sobre o total de consultas de cessação tabágica efectivamente realizadas mostram uma redução entre 2009 e 2013.

Na análise desses cinco anos, passou-se de 25.765 consultas realizadas em 2009 para 21.577 em 2013. Ainda assim, em 2013 registaram-se mais consultas do que nos anos de 2010, 2011 e 2012.

O pneumologista Carvalheira Santos, membro do Observatório, considerou que a diminuição dos locais com consultas de cessação tabágica está relacionada com o decréscimo de profissionais de saúde.

O especialista considerou essencial melhorar o acesso dos doentes a estas consultas, bem como uma comparticipação dos medicamentos para deixar de fumar.

Lembrando que o tabagismo é considerado uma doença, também o presidente do Observatório, Teles de Araújo, sublinhou a necessidade de reforçar as consultas para deixar a fumar e a comparticipação dos medicamentos para “ajudar no complexo processo de desabituação tabágica”.

Além da comparticipação dos medicamentos, outra das medidas defendidas pelo Observatório e pela Fundação Portuguesa do Pulmão é a inclusão da vacina contra a pneumonia (conhecida pelo nome comercial de Prevenar) no Plano Nacional de Vacinação.

Menos de 1% dos doentes respiratórios têm acesso a reabilitação

Menos de um por cento dos doentes respiratórios crónicos têm acesso a reabilitação respiratória, que os peritos consideram urgente incrementar em Portugal por ter um papel central na evolução da doença e na melhoria da qualidade de vida.

“A reabilitação respiratória é virtualmente inexistente em Portugal. A ela apenas têm acesso menos de 1% dos doentes que dela beneficiariam”, refere o relatório do Observatório Nacional das Doenças Respiratória.

Os especialistas do Observatório e da Fundação Portuguesa do Pulmão recomendam a criação “urgente” de uma rede nacional de reabilitação respiratória, sublinhando que a evidência científica recomenda que esta reabilitação seja parte integrante do tratamento dos doentes crónicos.

A reabilitação respiratória tem por objectivo a redução dos sintomas, a melhoria da capacidade funcional e da participação nas actividades da vida quotidiana, estabilizando ou revertendo outros problemas associados à doença, como disfunções musculares ou desnutrição.

Durante a apresentação do relatório, os responsáveis do Observatório sublinharam ainda as “dificuldades na acessibilidade aos cuidados primários” que, no caso dos doentes respiratórios, “tem consequências gravosas”.

Para os pneumologistas, a falta de profissionais de saúde é um dos indicadores dos problemas no acesso aos cuidados de saúde, com especial destaque para a carência de enfermeiros.

O médico Carvalheira Santos sublinhou, durante a sessão de apresentação do relatório, que a crise financeira trouxe uma diminuição dos recursos, mas, ao mesmo tempo, um aumento das doenças transmissíveis, das doenças respiratórias e, por isso, mais procura de recursos de saúde.

No que se refere às doenças respiratórios, em 2013 Portugal registou mais de 13 mil óbitos entre as seguintes patologias: pneumonia, cancro, asma, tuberculose e doença pulmonar obstrutiva crónica.

Caso sejam contabilizadas outras doenças, como a gripe ou as fibroses pulmonares, o número de mortos pode mesmo elevar-se a 17 mil.

Um milhão de portugueses sofre de asma, mas doença está bem controlada

Cerca de um milhão de portugueses sofre de asma, doença que em 2013 causou 122 mortos e mais de 2.600 internamentos, mas a patologia tem sido bem controlada e Portugal é um dos países com menor taxa de internamento.

No Dia Mundial da Asma, que hoje se assinala, Portugal é apontado como tendo indicadores favoráveis em relação à taxa de internamentos por este doença, embora nos últimos anos tenha havido aumento de internamentos.

Segundo os dados do relatório do Observatório Nacional das Doenças Respiratórias, o número de internamentos por asma em 2013 subiu 50% em relação a 2004.

Ainda assim, os especialistas consideram que o número de internamentos por asma é baixo, o que traduz “um bom controlo dos asmáticos no ambulatório”.

Em relação aos óbitos, a mortalidade por asma tem vindo a decair, registando um decréscimo de 40% em relação há 10 anos.

“Admite-se que a asma brônquica atinja cerca de um milhão de portugueses e todos os indicadores apontam no sentido de que a seu peso tenderá a aumentar”, refere o relatório.

De acordo com o Observatório, a asma atinge uma população jovem. Em 2013, foram internados por asma 1.159 doentes com menos de 18 anos (44,3% dos internamentos por essa patologia).

Os dados mostram ainda variações regionais na prevalência da asma, com as regiões com maior número de doentes internados a serem as de Lisboa e Vale do Tejo, região Centro e Norte.

Em 2013, último ano analisado por este relatório, estavam registados nos centros de saúde 203 mil doentes com o diagnóstico de asma, um aumento de 47% face ao ano anterior, mas ainda assim muito abaixo do um milhão de doentes estimados.

 

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Portugal é o segundo país da União Europeia onde as doenças do aparelho respiratório mais matam, a seguir ao Reino Unido, e o que tem a mais alta taxa de mortalidade por pneumonia, revela um relatório que será hoje apresentado.

De acordo com o documento "Portugal – Doenças Respiratórias em Números 2014", do Programa Nacional para as Doenças Respiratórias, da Direcção-geral da Saúde, em 2012, estas patologias foram responsáveis por 102,1 mortes por cada 100 mil habitantes.

Apenas o Reino Unido se posiciona à frente de Portugal neste ranking, com 104,9 mortos por 100 mil habitantes.

Em 2013, dados ainda provisórios indicam que estas doenças causaram 12.605 mortos, o que representou 11,83 por cento de todas as causas de morte.

No ano anterior (2012), as doenças respiratórias tinham provocado 13.893 óbitos.

Em Portugal, as mortes causadas por estas doenças têm vindo a crescer nos últimos anos: 98,2 óbitos por 100 mil habitantes em 2008 para 102,1 mortes por cada 100 mil habitantes em 2012.

As Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores apresentaram, em 2012, os valores mais elevados e a região de Lisboa os mais baixos.

“A Região Autónoma da Madeira é a que apresenta taxas mais elevadas, tendo a mortalidade por doenças respiratórias correspondido a 18,5% da totalidade dos óbitos, contrastando com a percentagem nacional de 12,9%”, lê-se no documento.

Nas mortes causadas por pneumonia, Portugal está à frente dos países da União Europeia (UE), com 49,9 óbitos por 100 mil habitantes em 2012 (44 em 2008).

Os autores do documento reconhecem que “Portugal encontra-se numa situação desfavorável quanto à mortalidade por doenças respiratórias, quando comparado com outros países da UE. A explicação avançada pelos autores é a “elevada mortalidade por pneumonia em Portugal (49,9 mortos por 100 mil habitantes), a mais elevada no conjunto dos países europeus analisados”.

“A mortalidade por doença respiratória, e por pneumonia em particular, tem a particularidade de afectar as faixas etárias a partir dos 65 anos”, lê-se na síntese do relatório.

Entre 2009 e 2012 observou-se “um aumento da mortalidade na população com 65 e mais anos e um decréscimo da mortalidade abaixo dos 65 anos”.

“A mortalidade por doença respiratória não corresponde, portanto, a mortalidade prematura, dado que se constatam ganhos em saúde evidenciados por uma diminuição dos anos potenciais de vida perdidos e respectiva taxa por 100 mil habitantes”, explicam os autores.

O documento refere que “a ocorrência de doença respiratória está relacionada com a faixa etária, mas também com as condições atmosféricas e com a virulência do vírus da gripe (razões pelas quais a doença apresenta um padrão sazonal)”.

Em 2012, aliás, registou-se “um aumento dos óbitos e internamentos hospitalares atribuíveis à epidemia e virulência do vírus influenza A(H3), associada a uma baixa cobertura vacinal”.

Os autores do relatório, que será hoje apresentado em Lisboa, referem que, “devido ao aumento da esperança média de vida e aos efeitos do tabagismo a nível respiratório, Portugal tem vindo a confrontar-se nos últimos anos com um incremento de doenças respiratórias crónicas, que impõem uma elevada carga no sistema de saúde, quer no que diz respeito a mortalidade, quer no que se refere à morbilidade”.

As doenças respiratórias, excluindo o cancro do pulmão, são a terceira principal causa de morte em Portugal e no mundo e a primeira causa de letalidade intra-hospitalar nacional.

Estas patologias são ainda a terceira mais importante causa de custos directos relacionados com os internamentos hospitalares, a seguir aos das doenças cardiovasculares e do sistema nervoso.

No ano passado, os internamentos por doença respiratória corresponderam a 11% da totalidade dos doentes internados.

O documento aponta para uma diminuição do número de utentes saídos de internamento por doenças respiratórias: 117.110 em 2012 e 110.028 em 2013 (menos seis por cento).

No ano passado, da globalidade dos internamentos de causa respiratória (com exclusão das neoplasias respiratórias e dos internamentos por síndrome de apneia do sono), 65,3% corresponderam a internamentos por pneumonias (bacterianas ou virais), 13,5% por Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), 5,7% por fibrose pulmonar e 4,3% por asma brônquica.

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Preparados para o Futuro? // Preparar o Futuro
Editorial | Conceição Outeirinho
Preparados para o Futuro? // Preparar o Futuro

O início da segunda década deste século, foram anos de testagem. Prova intensa, e avassaladora aos serviços de saúde e aos seus profissionais, determinada pelo contexto pandémico. As fragilidades do sistema de saúde revelaram-se de modo mais acentuado, mas por outro lado, deu a conhecer o nível de capacidade de resposta, nomeadamente dos seus profissionais.